26 de Julho – Senna se defende – Dia 66 dos 365 dias mais importantes da história do automobilismo – Segunda Temporada.

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Em 1992, as Williams estavam com tudo. Ao chegar na décima das 16 etapas previstas para o campeonato, Nigel Mansell já contava sete vitórias e 76 pontos, enquanto seu companheiro de equipe Ricardo Patrese vinha em um distante segundo lugar com 40, em uma época que receber a bandeirada por primeiro valia nove pontos. O terceiro na tábua de classificação era Schumacher, com 29 graças à sua regularidade, depois vinham Berger que havia vencido no Canadá, com 20, e Senna que abiscoitara mais uma vitória em Mônaco (mas tinha abandonado 6 das 9 provas do ano), com 18.

Fonte: Continental Circus

Os pilotos da McLaren vinham sofrendo muito com o carro, pouco competitivo, muito graças ao motor Honda que não entregava toda a potência necessária (e a história costuma ser cíclica mesmo).

Para os alemães, o clima era de festa. Depois de uma década de 80 com muita tensão política e nenhum piloto da casa entre os primeiros, eles comemoravam uma reunificação recente e uma chance real de pódio com Michael Schumacher, a nova sensação germânica. Por isso, naquele domingo dia 26 de julho de 1992, o autódromo de Hockenheimring estava lotado de espectadores.

Na classificação, nenhuma surpresa: dobradinha da Williams com Mansell e Patrese na primeira fila, e da McLaren com Senna e Berger na segunda. Na quinta posição partia a Ferrari de Jean Alesi, com Schumacher e sua Benetton fechando a terceira linha.

Fonte: 365 Days of Motoring

Na largada, os carros do lado par tracionaram melhor: Patrese e Berger pularam à frente de seus companheiros de equipe, enquanto Schumacher garantia uma quinta colocação. Mas antes de se completar a volta inaugural, os primeiros pilotos retomaram seus postos, mantendo o 1-2-3-4 do grid.

Os carros ingleses de Grove começaram a abrir vantagem para os de Woking e tudo indicava uma corrida flat, até que Mansell e Berger pararam na volta 14 para reabastecer e trocar pneus. O inglês voltou em terceiro e Berger teve problemas no pit, abandonou a corrida logo depois e deixou o quarto posto como herança para Schumacher.

Senna estava logo à frente do Leão quando este retornou com tanque cheio e pneus novos e sabia que sua única chance de terminar entre os primeiros era não parando (naquela época a ida aos boxes não era obrigatória). Mas a Williams era muito melhor e o Bigode não queria perder tempo. Foi então que começou A Grande Defesa, parte I. Durante algumas voltas, Mansell só desgrudava o bico do carro da caixa de câmbio da McLaren para botar de lado, porém o brasileiro transformou seu veículo em uma espécie de Aston Martin de James Bond e deixou o carro dois metros mais largo para cada lado, não permitindo o menor espaço para que quem vinha atrás pudesse tentar alguma coisa. Ele estava em toda a extensão da pista e Mansell começava a se irritar. Tanto que, em determinado momento, perdeu a freada para a primeira perna da chicane OstKurve e passou reto. Mas o espaço era curto e ele retornou à pista ainda embutido no carro da frente, finalmente conseguindo um vácuo e a ultrapassagem alguns metros depois. Senna reclamou com jornalistas após a corrida, dizendo que ele esperava ao menos uma punição de 10 segundos, pois o inglês teria tirado vantagem do caminho reto que utilizou. A FIA não concordou com o piloto.

Na volta 19, quem para é Patrese, voltando em quarto (Schumacher também tinha decidido ir até o fim sem botar gasolina). O italiano só conseguiu ultrapassar a Benetton na volta 32. Faltavam 13 para o fim e Senna tinha uma vantagem de seis segundos, que foi destruída em apenas três voltas pela superioridade da Williams. E então começou A Grande Defesa, parte II.

Fonte: Turbos & Tantrums

Por 10 voltas, Patrese estava tão perto que conseguia sentir o cheiro do perfume Tsar de Van Cleef & Arpels que Senna usava (sim, é claro que eu procurei no Google que perfume ele gostava. E não estou ganhando nada com o jabá). Mas, da mesma forma que aquelas quatro pessoas voltam lentamente para o trabalho após o almoço, andando lado a lado e ocupando a calçada inteira quando você está com pressa, o brasileiro novamente bloqueou inteiramente a pista, não dando a menor chance para o italiano. Patrese tentou durante todas as dez voltas, até que, a quatro curvas do fim, em uma última e desesperada jogada, acabou pisando na terra e perdeu o controle do carro, rodando para fora da pista e ficando atolado no gramado.

Fonte: Continental Circus

Mansell venceu e ampliou ainda mais sua vantagem (seria campeão na corrida seguinte, na Hungria); Senna, mesmo não tendo feito nenhuma ultrapassagem, à exceção do lugar recuperado de Berger no começo, fez uma das melhores provas de sua carreira, mostrando que o pessoal do basquete e do futebol americano estão certos quando exaltam tanto suas capacidades defensivas. E Schumacher herdou um terceiro lugar que deixou a torcida presente em estado de festa, levando a bandeira alemã para o pódio, a primeira vez que fazia isto em casa e a primeira vez de um piloto alemão no seu país natal desde Hans-Joachim Stuck, com uma Brabham em terceiro lugar no Grande Prêmio da Alemanha de 1977.

lll FORA DAS PISTAS

São aniversariantes do dia o escritor, filósofo e mutcho loco Aldous Huxley, que escreveu Admirável Mundo Novo (leiam, vale muito a pena), Blake Edwards, diretor americano responsável por Bonequinha de Luxo e pela série da Pantera Cor de Rosa, com Peter Sellers (assistam, vale muito a pena), Stanley Kubrick (só vou citar aqui 2001, O Iluminado e Nascido Para Matar – e é ÓBVIO que você deve assistir DE NOVO estes três filmes), Roger Taylor, o baterista do Queen, Daniel Negreanu, canadense que é um dos melhores jogadores profissionais de poker do mundo e as belas morenas Sandra Bullock e Kate Beckinsale.

E, numa data tão recheada de famosos, quem ganha o destaque é o Senhor do Olho Gordo, Sir Pé Frio e Fernando Campos oficial da Inglaterra, mister Michael Philip “Mick” Jagger, que está há quase 60 anos mudando o rock and roll e botando a gente para dançar.

Carlos Eduardo Valesi

Velho demais para ter a pretensão de ser levado a sério, Valesi segue a Fórmula 1 desde 1987, mas sabe que isso não significa p* nenhuma pois desde meados da década de 90 vê as corridas acompanhado pelo seu amigo Jack Daniels. Ferrarista fanático, jura (embora não acredite) que isto não influencia na sua opinião de que Schumacher foi o melhor de todos, o que obviamente já o colocou em confusão. Encontrado facilmente no Setor A de Interlagos e na sua conta no Tweeter @cevalesi, mas não vai aceitar sua solicitação nas outras redes sociais porque também não é assim tão fácil. Paga no máximo 40 mangos numa foto do Button cometendo um crime.