O piloto da Williams, Carlos Sainz aproveitou o acidente de Oliver Bearman durante o Grande Prêmio do Japão para cobrar a FIA e pedir que os pilotos também sejam ouvidos sobre mudanças envolvendo o regulamento da Fórmula 1.
O piloto britânico da Haas perseguia Franco Colapinto quando, ao se aproximar rapidamente do carro do rival que estava mais lento, acabou perdendo o controle na curva Spoon e atingiu com força a barreira de proteção.
Bearman tentou tirar o carro evitando um contato direto com o equipamento da Alpine e saiu para fora da pista, pegando um trecho de grama, atingindo placas de sinalização e atravessando a pista, antes de bater forte. No decorrer do evento, a Haas confirmou que o impacto foi de 50G.
Após as duas primeiras corridas do ano, a FIA em conversa com as equipes e os fabricantes de motores, decidiram deixar o GP do Japão passar para ter um parâmetro melhor dos carros de 2026 e das corridas.
No entanto, desde a pré-temporada alguns pilotos têm alertado sobre as questões envolvendo a recuperação de energia dos carros e a desaceleração repentina em alguns pontos críticos das pistas. O acidente de Bearman no GP do Japão só serviu para ilustrar as questões envolvendo as unidades de potência.

Sainz, que também é diretor da GPDA (Associação de Pilotos de Grandes Prêmios), afirmou que os competidores já vinham alertando sobre o risco de acidentes.
“Tenho esperança de que possamos apresentar algo um pouco melhor para Miami, visto que, após o acidente que vimos hoje, já os vínhamos alertando sobre a possibilidade desse tipo de coisa acontecer”, disse Sainz à Sky Sports F1.
“Com essas velocidades de aproximação, esse tipo de acidente sempre ia acontecer, e eu não estou nada satisfeito com o que tivemos até agora. Esperamos encontrar uma solução melhor que não gere essas velocidades de aproximação extremas e que proporcione uma forma mais segura de realizar corridas.”
“Fiquei muito surpreso quando disseram: ‘Não, vamos resolver os problemas da classificação, deixem as corridas em paz porque são emocionantes’, porque nós, como pilotos, temos sido extremamente vocais ao afirmar que o problema não é apenas a classificação, mas também as corridas.”
“Já vínhamos alertando que esse tipo de acidente poderia acontecer, e tivemos sorte de haver uma forma de escapar. Agora, imagine ir para Baku, Singapura ou Las Vegas e se deparar com velocidades tão baixas e acidentes tão próximos a muros.”
“Como GPDA, alertamos a FIA de que esses acidentes vão acontecer com esses regulamentos, e precisamos mudar algo em breve se não quisermos que eles aconteçam. Foram 50G, meu acidente na Rússia em 2015 foi de 46G, então imagine o tipo de acidente que você teria em Las Vegas ou Baku.”
“Espero que isso sirva de exemplo e que eles ouçam os pilotos e não tanto as equipes. Algumas pessoas disseram que a corrida estava boa, porque a corrida não está boa.”
Após o término do GP do Japão, a FIA emitiu um comunicado motivados pelo acidente de Oliver Bearman.
“Desde a sua introdução, os regulamentos de 2026 têm sido objeto de discussões contínuas entre a FIA, as equipes, os fabricantes de unidades de potência, os pilotos e a FOM. Por definição esses regulamentos incluem uma série de parâmetros ajustáveis, particularmente em relação ao gerenciamento de energia, que permitem a otimização com base em dados do mundo real.”
“Tem sido a posição consistente de todas as partes interessadas que uma revisão estruturada ocorreria após a fase de abertura da temporada, para permitir que dados suficientes fossem coletados e analisados. Portanto, várias reuniões estão agendadas para abril para avaliar a operação dos novos regulamentos e determinar se algum refinamento é necessário.”
“Quaisquer ajustes potenciais, particularmente aqueles relacionados ao gerenciamento de energia, exigem simulação cuidadosa e análise detalhada. A FIA continuará a trabalhar em estreita e construtiva colaboração com todas as partes interessadas para garantir o melhor resultado possível para o esporte e a segurança sempre permanecerá em elemento central da missão da FIA. Nesta fase, qualquer especulação sobre a natureza das mudanças potenciais seria prematura. Mais atualizações serão comunicadas oportunamente.”
Após a disputa do GP do Japão, a Fórmula 1 ficará por cinco semanas sem provas – devido o cancelamento do GP do Bahrein e Arábia Saudita. A categoria terá esse período para revisar pontos críticos dos novos regulamentos até a corrida em Miami.
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