04 de Julho – René Arnoux, um francês vítima da qualidade dos pilotos dos anos 80 - Dia 44 de 365 dias dos mais importantes da história do Automobilismo • BP • Boletim do Paddock

04 de Julho – René Arnoux, um francês vítima da qualidade dos pilotos dos anos 80 – Dia 44 de 365 dias dos mais importantes da história do Automobilismo

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Desde a Copa do Mundo de 1998 eu criei uma rixa com os franceses, segunda Copa do Mundo que eu acompanho e a primeira que a derrota me é jogada na cara como um avestruz morto em estado de putrefação, neste mesmo ano comecei a minha peregrinação pelos caminhos tortuosos da Fórmula 1, por erro do destino ou não, torcia para a McLaren e ainda torço, sendo de difícil digestão o fato de um dos melhores pilotos da escuderia papaya ser um francês, rixa aumentada a um nível imensurável, porém relaxado ao ver pelo menos que se tratava de uma lenda, dito isso, entenda que na Fórmula 1 os franceses devem assumir o papel que os argentinos possuem no futebol e onde eles devem também assumir o mesmo papel.

lll O francês que se rendeu

Ao bater um papo com os pilotos franceses ao final da década de 70 e início da década de 80 era comum se deparar com o sotaque refinado dos parisienses, contudo um entre os pilotos franceses se destacava, pelo sotaque anasalado da região de I’Ilsère no sudeste da França, René Arnoux, praticamente um mineiro na Fórmula 1 , calmo, baixinho, que de bobo só tinha o jeito de andar e a fala mansa e desafinada, Arnoux tinha uma saudável mania de ficar escondido no interior dos boxes, foi um piloto independente por isso nasceu no dia 04 de julho de 1948, na cidade de Grenoble.

Antes de ingressar na Fórmula 1, Arnoux foi mecânico, piloto de motovelocidade com uma moto 125 cc3, competiu em pequenas provas regionais de Rali, aos 23 anos decidiu por se profissionalizar ingressando em uma escola de pilotos. Com o seu potencial elevado a um nível superior, evoluiu e ingressou na Fórmula Renault, por lógica uma categoria francesa que usava motores 1600 cm3, do qual foi campeão por antecipação em 1975, passando pela Fórmula 2 europeia, onde em 1976 foi vice-campeão, perdendo por um ponto para o seu futuro companheiro de equipe na Fórmula 1, Jean-Pierre Jabouille, porém em 1977 conquistou o título da Fórmula 2 , sendo este à sua porta de entrada na Fórmula 1.

Fonte: statsf1.com

Em 1978 a equipe Martini, de Tico Martini entra na Fórmula 1, com isso traz Arnoux para a Fórmula 1, porém a equipe participou de apenas 7 GP’s, largando em apenas 4 com apenas o carro de Arnoux, que teve como melhor resultado dois 09ºs lugares, o que chamou atenção de John Surtees que convidou Arnoux para disputar as duas últimas etapas do ano, onde ele conquistou novamente o 9º lugar no GP dos Estados Unidos.

A equipe Renault o contratava para a temporada de 1979, com um começo de temporada nada entusiasmador, Arnoux atingiu o ápice na disputa pelo segundo lugar no GP da França de 1979, que você pode conferir no excelente post do Valesi:

https://https://https://https://boletimdopaddock.com.br//dia-41-dos-365-dias-dos-mais-importantes-da-historia-do-automobilismo-01o-de-julho-e-a-batalha-de-dijon/9407

Contudo a temporada de 1979 não terminava ali, ele ainda conquistaria outros pódios nos GPs da Inglaterra e dos EUA, ambos em 02º lugar.

1980 parecia de início a sua temporada, vencendo duas das três primeiras corridas da temporada Arnoux entusiasmava os fãs franceses com a possibilidade de um título genuinamente francês, porém o restante da temporada de 1980 e a temporada de 1981 foi como água no espumante francês. A temporada de 1982 seria interessante, porém é, mas quem relata ela de melhor forma é o Mestre Cristiano Seixas no post:

https://https://https://https://boletimdopaddock.com.br//renault-1982-como-perder-um-titulo/3181

1983, equipe nova, Enzo Ferrari viu um talento não exigido em Arnoux, e o contratou para sua melhor temporada na Fórmula 1, onde terminou em 03º, com 49 pontos, com pódios nos GPs dos Estados Unidos, de San Marino, da Áustria e da Itália e com vitória nos GPs do Canadá, Alemanha e Holanda, já em 1984 teve a sua temporada mais regular, porém sem vitórias, com destaque para a prova de Dallas quando realizou uma excelente corrida de recuperação, com problemas no motor, caiu de quarto para o último lugar na largada e chegando em 2º.

Em 1985, um mistério misterioso do qual nem mesmo Poirot conseguiria esclarecer pois mesmo com um desempenho bom, Arnoux disputou apenas o GP do Brasil de 1985, sendo demitido após conquistar o 4º lugar na prova canarinha.

Ligier, uma equipe francesa mantém a tradição de atrair pilotos franceses ou iranianos albinos, porém estes são inexistentes, ficando em sua maioria com franceses e outras nacionalidades, contudo, ela trouxe novamente Arnoux ao grid. Arnoux teve a sorte de pegar o último bom carro da Ligier, porém foi o último bom carro para apenas metade de uma temporada já no restante da temporada o carro decaiu e muito.

1987 até a sua aposentadoria em 1989, Arnoux conquistaria apenas um ponto no GP da Bélgica de 1987, deixando as esperanças de ser um campeão de lado e decidindo pela aposentadoria ao final da temporada de 1989, mostrando como os anos 80 foi um massacre para os pilotos ruins e pior ainda para bons pilotos como Arnoux, uma década em que se alinhava o carro ao lado de Prost, Lauda, Senna, Piquet, Mansell, Huub Rothengatter e Andrea de Cesaris, uma década que muitos bons pilotos ficaram pelo caminho, porém sempre que possível são lembrados nas mesas de bar e missas nas igrejas secas do Texas.

lll Vida após a Fórmula 1

Como podemos perceber Arnoux sempre foi um apaixonado por velocidade, e após a aposentadoria montou uma rede de pistas de karts indoor, com pistas na região de Paris, em Lyon e em Marselha, contudo, no final de 2006 participou do Grand Prix Master. Apesar da misteriosa demissão em 1985, Arnoux sempre se faz presente em eventos da Ferrari.

lll Fora das pistas

Em 04 de julho de 1986 era lançado o livro do qual o maior número de pessoas mentem ao dizer que leu, não estou falando da Bíblia, e sim de “As Aventuras de Alice no País das Maravilhas” é a obra infantil mais conhecida de Charles Lutwidge Dodgson, porém ele a publicou usando o pseudônimo de Lewis Carrol, sendo uma das obras mais célebres do gênero literário nonsense, possuindo continuação com “Alice do Outro Lado do Espelho”, sendo que as únicas duas pessoas que não podem mentir que leram os livros de Dodgson é Alan Morre com o livro A Liga Extraordinária e Neil Gaiman com o livro Sandman, pois as referidas obras tiveram influencia nos livros da personagem Alice.

Adaptação para o o cinema de Tim Burton lançado em 2010 Fonte: @Disney

Rubens Gomes Passos Netto

“Netto”, popularmente conhecido entre os imigrantes Guaxupeanos que tocam a zueira no pequeno município de São Paulo, gosta de comprar livros e outras bugigangas que orbitam o universo da Fórmula 1, já semeava a discórdia ao aceitar o rótulo de “nerd”, quando em terras tropicais, tal rotulo era algo, um tanto quanto pejorativo aos descendentes de primatas residentes nas regiões montanhosas produtoras de café, o que julgava ser maravilhoso, ainda mais sendo um apaixonado pela Fórmula 1, fã da McLaren por paixão e pela Ferrari por criação, já que nasceu em uma família descente de italianos produtores de café e não fabricantes de macarrão, na sua pacata opinião a melhor temporada foi a 2008, já que por um infortúnio reprodutivo de seus pais não conseguiu assistir a temporada de 1986, admira e muito o Emerson Fittipaldi, tem como o carro dos sonhos o McLaren MP4/4 e sonha em um dia ou noite pilotar em Spa e provar que as teorias que não levam a humanidade a lugar algum dos quais ele defende são mais úteis que um relógio digital, salvo se for para comer um pastel de camarão acompanhado de um chopp escuro.