03 de Janeiro de 1948, nascia Reginaldo Leme

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| Por: Cristiano Seixas

lll Série 365: 03 de Janeiro de 1948, nascia Reginaldo Leme – 01ª Temporada: dia 227 de 365 dias.

Retomando os trabalhos para um 2018 que tenho certeza será fantástico, não poderia haver personagem melhor para iniciarmos o ano do que ele, Reginaldo Leme. Nascido em Campo Grande (MS) um dos maiores conhecedores de automobilismo brasileiro e mundial especialmente Fórmula 1, comemora hoje 71 anos.

Fonte: @Pinterest

Iniciou sua carreira em 1968 no jornal O Estado de São Paulo na cobertura do futebol, chegando inclusive a cobrir o milésimo gol de Pelé em 1969. A partir de 1972 passou a cobrir a Fórmula 1, iniciando os trabalhos com nada menos que o título de Emerson Fittipaldi, o primeiro do Brasil na Fórmula 1. A partir de 1978 ingressou na Rede Globo onde está até hoje.

O primeiro GP que cobriu ao vivo foi em Silverstone 1981, Regi sempre teve excelente trânsito no paddock convivendo com pilotos e dirigentes, tal condição sempre rendeu excelentes entrevistas e claro o inesquecível Sinal Verde que em uma época onde a classificação não era transmitida para o Brasil e não havia internet nos informava como havia sido a tomada de tempos além dos bastidores do final de semana e também curiosidades sobre o local onde estava sendo disputado o GP.

A proximidade com os pilotos especialmente os brasileiros acabou por deixa-lo algumas vezes no olho no furacão, o melhor exemplo disso, no auge da rivalidade Senna Vs. Prost ele como excelente profissional que é manteve-se imparcial na questão, como não assumiu publicamente uma posição anti-Prost foi cobrado pessoalmente pelo pai de Ayrton mas manteve-se firme no propósito de fazer o jornalismo correto cuja maior virtude é informar e não torcer. Toda esta celeuma culminou com o fato de Ayrton Senna recusar-se a dar entrevista a Regi, infelizmente Galvão Bueno tomou partido de Senna e a relação entre ambos que sempre foi ótimo ficou estremecida. Em 1992 Galvão Bueno resolveu tentar carreira solo na Rede OM Brasil, Regi fez as primeiras etapas da Fórmula 1 mas acabou substituído por Roberto Cabrini.

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Aí entrou em cena uma daquelas ironias do destino, maio de 1992, alijado da cobertura da Fórmula 1, Reginaldo Leme estava escalado para cobrir o pré olímpico de basquete em Portland. Mas veio o terrível acidente de Nelson Piquet em Indianapolis. Ao sair do hospital várias emissoras de TV e outros veículos de imprensa desejavam entrevistar o brasileiro, mas Nelsão ligou pessoalmente para Reginaldo pedindo que Carlos Cintra Mauro mais conhecido como Lua comunicasse a Regi que Piquet queria conceder entrevista, só que só o faria se fosse com Leme, prova de amizade, credibilidade e acima de tudo confiança.

Reginaldo teve que levar a ideia a Globo, afinal Piquet havia batido na Indy, que à época era transmitida pela Band e todos sabem que a Globo ignora eventos que ela não cobre. Depois de muita negociação a cúpula da emissora carioca autorizou o jornalista a entrevistar Piquet em Indianapolis, resultado, uma das melhores entrevistas feitas por Reginaldo Leme, matéria com cerca de 8 minutos dentro do Fantástico. Na segunda de manhã ao chegar na redação da Globo em Nova York e pronto para embarcar para Portland viu que havia um fax sobre sua mesa com os seguintes dizeres “Bem-vindo de volta a Fórmula 1, de onde você nunca deveria ter saído”. Ao invés de ir para Portland Regi embarcou para Montreal para cobrir o GP do Canadá.

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Ainda em 1992 Ayrton Senna em uma atitude nobre chamou o jornalista para uma conversa em seu motor home pedindo que a relação entre eles fosse reatada a partir de então. Em 1993 Galvão Bueno voltou a Globo e a tradicional dupla estava de volta. Felizmente Leme cobre a Fórmula 1 até hoje. No início dos anos 2000 passou a cobrir também a Stock Car, sendo um dos maiores entusiastas da categoria que completa 40 anos em 2018.

Em 2009 em outra prova de amizade e confiança de Nelson Piquet confiou ao jornalista o segredo sobre as investigações sobre o “Cingapura Gate“. Seguindo à risca as instruções de Piquet soltou a informação quando as provas conseguidas pela FIA já eram irrefutáveis e não haveria como Flavio Briatore tentar desqualifica-las. Na transmissão do GP da Bélgica de 2009 soltou a bomba, ao final da transmissão foi cercado por jornalistas do mundo todo. Todo este escândalo culminou com a saída de Nelsinho Piquet, Flavio Briatore, Pat Symonds e da própria Renault da Fórmula 1.

Fonte: @Pinterest

Com mais de 500 GPs de Fórmula 1 cobertos Reginaldo Leme é uma das maiores lendas na cobertura da categoria máxima do automobilismo mundial. Desde 1992 publica o anuário Auto Motor Esporte, sem dúvidas uma das melhores publicações sobre o esporte a motor em todo o mundo. Parte da equipe do Boletim do Paddock, Rubens, Debora e Cristiano, teve a chance de conhece-lo pessoalmente no lançamento do Auto Motor e pudemos comprovar que Regi além de competente é boa praça, acessível e simpático. De nossa parte parabéns pelos 71 anos e por sua brilhante carreira. Obrigado Reginaldo Leme.

lll A Série 365 Dias Mais Importantes do Automobilismo, recordaremos corridas inesquecíveis, títulos emocionantes, acidentes trágicos, recordes e feitos inéditos através dos 365 dias mais importantes do automobilismo.

Cristiano Seixas

Fã hardcore de Fórmula 1, apreciador da história, números e estatísticas da categoria, mais conhecido como Mestre Cristiano Seixas, Wikipédia erra o Cristiano não.