Raio-X da Hungria – As diversas questões do meio do pelotão

O GP da Hungria foi mais uma prova difícil para aqueles times que ocupam o meio do pelotão e ressaltou novamente algumas falhas

Por conta do agitado GP da Hungria, o texto de Raio-X da etapa foi dividido, assim fica um pouco mais fácil comentar sobre cada um dos times e demarcar as batalhas que estão acontecendo no Campeonato.

Para as equipes intermediárias e até aquelas que ocupam o final do pelotão com mais frequência, notamos que neste ano algumas oportunidades para pontuar surgiram, mas tem se tornado cada vez mais complicado ficar entre os dez primeiros colocados e coletar pontos.

No texto de hoje falo sobre as cinco equipes que ocupam a segunda metade do pelotão.

ALFA ROMEO

A Alfa Romeo buscou pontos nessa prova, mas a largada ruim e todos os outros fatores que ocorreram durante a prova, levaram a equipe a completar mais um GP sem pontos. Para completar, a falta de confiabilidade atacou mais uma vez – Foto: reprodução Alfa Romeo

Na sexta-feira mais uma vez Robert Kubica entrou no carro da Alfa Romeo para fazer alguns testes, o polonês guiou o carro de Valtteri Bottas, desta forma o finlandês ficou nos boxes acompanhando o trabalho de pista, enquanto os outros dois pilotos realizavam a coleta de dados.

O carro estava andando no pelotão intermediário, a aderência não era um problema para o equipamento, assim como o equilíbrio. No sábado quando a classificação foi realizada, Valtteri Bottas conquistou o 8º lugar, ficando entre os dez primeiros colocados para a largada, enquanto Zhou Guanyu foi o 12º, logo atrás de Sergio Pérez que enfrentou problemas. O resultado da classificação era otimista, podendo contribuir para o time terminar nos pontos.

O grande problema que a equipe enfrenta atualmente está relacionado a falta de confiabilidade, algo que amedronta a possibilidade de conseguir bons resultados no domingo.

A largada para os dois pilotos foi bem complicada e eles perderam várias posições, no primeiro trecho da prova estavam usando os pneus médios, contra os macios adotados pelos rivais. Valtteri Bottas estava ciente que realizaria apenas uma parada e com os pneus duros instalados teve o seu ritmo prejudicado. Ao longo da prova a dupla avançou algumas posições, mas não era algo palpável.

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Bottas abandonou mais uma corrida, enfrentando outro problema na unidade de potência, o finlandês provocou a ativação do Virtual Safety Car que aconteceu ao final da prova. A Alfa Romeo parte para as férias de verão com vários dados para analisar, principalmente aqueles relacionados aos seus abandonos e a falta de confiabilidade.

Zhou Guanyu até tentou brigar por alguma coisa, a sua estratégia foi baseada em dois paradas, mas por ter pedido terreno no início da corrida, comprometeu sua prova, perdendo a chance de chegar aos pontos. O piloto chinês terminou a prova na décima terceira posição.

Antes mesmo da Alfa Romeo se retirar da Hungria, o chefe de equipe, Frédéric Vasseur informou que Bottas enfrentou um problema no sistema de combustível e isso provocou o abandono do piloto finlandês.

HAAS

Kevin Magnussen e Daniel Ricciardo se enfrentaram, o piloto da Haas acabou com o carro danificado. O dinamarquês foi o único que conseguiu avaliar as atualizações que foram fornecidas ao carro – Foto reprodução

A Haas atualizou o seu carro na Hungria e as novas peças foram verificadas principalmente na sexta-feira. Por conta do atraso na produção das peças, apenas Kevin Magnussen recebeu o novo pacote. A diferença entre o dinamarquês e Mick Schumacher era bem pequena, mas era necessário realizar a avaliação com mais cautela, pois a Haas não tinha peças para substituição, mas era necessário realizar a coleta de dados.

O objetivo de introduzir as peças na Hungria, foram voltados para conseguir uma base de dados que possa ser analisada. A Haas gostaria de contar com essas peças antes, mas não foi possível introduzir as novas peças em Paul Ricard. O time agora partirá para a afinação do carro e aperfeiçoamento das configurações, pois esse é o único grande pacote que a Haas conseguirá fornecer ao VF-22 nesta temporada.

Na classificação os dois carros avançaram para o Q3, Magnussen faturou o 13º lugar, enquanto Schumacher foi o 15º. A dupla estava confiante em seu ritmo de corrida, mas assim como a Alfa Romeo, a dupla terminou a prova fora da zona de pontuação. No início da prova Magnussen se envolveu em um incidente com Daniel Ricciardo, o piloto achava que poderia ficar na pista até a primeira parada, mas ele recebeu uma bandeira preta e laranja, indicando que ele deveria passar pelos boxes. A corrida do dinamarquês ficou caótica e ele precisou realizar três paradas.

Mick Schumacher foi outro piloto que precisou adicionar os pneus duros em sua estratégia e eles também não funcionaram em seu carro. O ritmo ficou comprometido e impossível de avançar no pelotão para obter pontos.

ALPHATAURI

AlphaTauri teve mais um fim de semana complicado na Hungria – Foto: reprodução

A AlphaTauri também estava avaliando um novo pacote de atualizações, mas a sexta-feira foi um pouco caótica para o time. Tsunoda fritou um conjunto de pneus durante o TL1, mas a questão é que os pilotos sentiam que ao invés de avançar, estavam regredindo na Hungria.

Na classificação a dupla de pilotos enfrentou um novo golpe, os dois carros foram eliminados no Q1, Pierre Gasly teve uma das suas voltas excluídas, os limites de pista foram novamente um problema. Tsunoda reclamou da aderência do carro, um ponto de que dificultou muito a atuação dos pilotos ao longo do fim de semana. Com as posições obtidas na classificação, a AlphaTauri sabia que a corrida não seria muito fácil, pois precisariam escalar o pelotão e se meter em duelos em um traçado travado.

Com a classificação ruim, a AlphaTauri realizou a mudança da unidade de potência usada por Pierre Gasly, desta forma o francês foi forçado a começar a prova do pit-lane. Gasly não pode ser beneficiado pela nova regra de parque fechado, pois a troca do seu motor excedia o limite de motores permitidos durante a temporada 2022.

Durante a corrida Gasly foi ganhando algumas posições, o time trabalhou com uma estratégia segura em seu carro, baseada em pneus macios-médios-macios, desta forma ele conquistou a décima segunda posição.

Tsunoda passou por uma estratégia de três paradas, também trabalhando com os pneus macios e médios. Como o piloto estava lutando muito com o carro, tentaram fazer a prova dando mais atenção para os pneus macios, pois eles aquecem mais rápido e fornecem uma aderência melhor. Tsunoda ficou em pista para colaborar com a coleta de dados, assim o time pode analisar melhor o seu carro e o pacote aerodinâmico.

ASTON MARTIN

Sebastian Vettel decidiu o seu futuro depois de confirmar a sua aposentadoria ao final da temporada 2022 – Foto: reprodução Aston Martin

Antes do início do fim de semana, Sebastian Vettel comunicou a Aston Martin e os fãs que vai se aposentar da Fórmula 1 no final da temporada. Por mais que o time conte com uma grande estrutura, as últimas temporadas foram bem complicadas. O alemão optou por deixar a categoria e aproveitar os filhos e um tempo com a família, algo que com esses longos calendários montados pela categoria se mostra praticamente impossível.

O alemão foi responsável por uma série de acontecimentos que sucederam após o anúncio. Fernando Alonso começou a sua negociação com a Aston Martin e fechou um acordo com o time para 2023 e além. A Alpine se envolveu em uma enrascada com o contrato dos pilotos e pode ter pedido Oscar Piastri, quando tentou manter o australiano e o espanhol. A vaga de Vettel era uma chave para algumas movimentações no grid.

Agora falando sobre a atuação em pista foi bem interessante ver Sebastian Vettel mais em uma performance que chamava a atenção logo na sexta-feira. Durante as sessões o alemão figurou entre os dez primeiros colocados.

No TL3 com a pista molhada por conta da chuva, Vettel rodou e seu carro ficou preso na brita. Até instantes antes do início da classificação a equipe esteve trabalhando em seu carro para recuperá-lo. O que pareceu ser uma rodada inocente, provocou danos no assoalho do carro, assim como outras questões. Vettel ajudou os seus mecânicos para arrumar o carro.

Na pista Lance Stroll e Vettel buscavam avançar para o Q2, mas apenas o canadense conseguiu esse feito. Com a pista mais quente e antes da chuva, o carro estava se comportamento melhor e isso também contribuía um pouco mais para a aderência.

A Aston Martin somou mais um ponto com o P10 conquistado por Vettel, o alemão fez uma excelente corrida de recuperação, realizou ultrapassagens importantes, mas se sentiu um pouco prejudicado com a atuação do Virtual Safety Car que aconteceu próximo ao final da prova, pois gostaria de ter batalhado com mais afinco pelo nono lugar com Esteban Ocon.

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Lance Stroll conseguiu o 11º lugar com a Aston Martin, o canadense se sentiu um pouco prejudicado no último stint, mesmo contando com um pneu que fornecia mais aderência, os compostos macios perderam eficiência quando comparado com os pneus médios usados por Vettel. Stroll ficou sem dois jogos de pneus médios para a corrida e para não usar os compostos duros, trabalhou com dois jogos de pneus macios. O canadense também teve parte da sua prova prejudicada, pois Daniel Ricciardo tocou em seu carro, fazendo o piloto rodar.

O objetivo da Aston Martin é melhorar o seu ritmo de classificação para aumentar as chances de conseguir pontos nas próximas corridas. Com o meio do pelotão tão disputado, fica cada vez mais difícil brigar pelos pontos.

WILLIAMS

Nicholas Latifi foi a grande sensação no TL3, pois conseguiu liderar a atividade – Foto: reprodução Williams

A Williams segue para as férias com apenas nove pontos somados até esse momento e ainda como lanterna do Campeonato. A sexta-feira revelou que seria um fim de semana complicado para a equipe em condições normais, desta forma eles contavam muito com a chuva para ter alguma chance de brigar por posições melhores. Durante o TL2 Alexander Abon teve o seu programa prejudicado, pois estragou um jogo de pneus macios, quando saiu na curva 1.

O TL3 gerou uma boa surpresa, com a pista molhada e evoluindo rapidamente, Nicholas Latifi apareceu na liderança da sessão com o melhor tempo. A alegria do time era visível, o piloto canadense até ficou surpreso com o feito e até mesmo Charles Leclerc tomou um susto por ter sido superado por Latifi. Para completar, Alexander Albon tinha conquistado o P3.

Como a classificação foi realizada em pista seca, as chances da Williams reduziram muito e novamente os dois carros ficam presos no Q1.

A garoa fina que caiu ao longo da corrida não foi suficiente para a introdução dos pneus de chuva. Nicholas Latifi se deparou com uma corrida complicada, pois no início da prova teve a sua asa dianteira danificada. O vento forte também prejudicou o comportamento do carro, desta forma ele ficou apenas com o P18.

Albon gostou da prova, mesmo ficando apenas com o P17, mas a degradação dos pneus também atrapalhou o desempenho do tailandês. A Williams ainda tem pela frente um longo trabalho de desenvolvimento e os problemas desse ano precisam ser resolvidos para o próximo, para que o time tenha mais chances de brigar por posições melhores.

A Williams já renovou o contrato com Albon, desta forma o piloto está garantido para 2023 e além, pois fechou um contrato de múltiplos anos.

Pós-Férias?

Todos esses cinco times têm alguma questão para resolver para a próxima fase do campeonato. Alfa Romeo e Haas enfrentam os problemas com a confiabilidade, enquanto AlphaTauri, Aston Martin e Williams não tem ritmo.

Agora é um momento da temporada que mesmo sendo importante capitalizar pontos, os times já estão pensando na próxima temporada e em seus projetos. O desafio está em capitalizar os pontos, pois o meio do pelotão está bem disputado, mas todos contam com as suas particularidades. Para a Williams será difícil superar a Aston Martin, mas o time busca mais pontos antes do encerramento da temporada.

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