Quando uma vez só já basta para entrar na história

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| Por: Eduardo Casola Filho

lll Série 365: Quando uma vez só já basta para entrar na história – 02ª Temporada: dia 218 de 365 dias.

Fonte: Motorsport

Chegar à Fórmula 1 é o sonho de 9 entre 10 pilotos que iniciam sua jornada no automobilismo. Destes, a grande maioria fica pelo caminho nas divisões de base. Dos que alcançam a categoria máxima do automobilismo, grande parte dos corredores só conseguem oportunidades em equipes menores e não conseguem prosperar, especialmente se não tiver um talento excepcionalmente alto ou uma conta bancária extremamente gorda. Pilotar uma Ferrari ou brigar por uma vitória é algo que depende de tempo e muito esforço. Conquistar rapidamente uma dessas coisas é praticamente um presente de Natal.

Pois bem, a história de hoje mostra que as oportunidades na vida de um piloto podem aparecer da forma mais inesperada, para escrever uma história marcante e de uma forma bem inusitada.

Nascido no Natal de 1934 na cidade de Milão, Giancarlo Baghetti foi um piloto de trajetória bem modesta nas divisões de base durante a década de 1950. Apesar dos resultados discretos, a F1 era bem mais acessível para pilotos e equipes, e como algumas escuderias podiam comprar carros das principais fabricantes, havia a chance de pegar um carro competitivo na ocasião.

Baghetti conseguiu um contrato com a escuderia FISA (Federazione Italiana Scuderie Automobilische), que alugava um Ferrari 246 Dino para provas extra-oficiais no ano de 1961. O corredor aproveitou a oportunidade e venceu os GPs de Siracusa e de Nápoles, competindo contra pilotos regulares da categoria. O milanês provava que não era um piloto qualquer.

Com os bons resultados a equipe italiana adquiriu uma Ferrari Tipo 156, modelo utilizado pela escuderia principal na temporada regular da F1. Assim, Baghetti conseguiu se inscrever para o GP da França de 1961, no circuito de Reims.

A primeira vez, a gente nunca esquece (GP Expert)

O novato seria o quarto integrante da esquadra do Cavalinho Rampante, que era a equipe dominante daquele ano, com o estadunidense Phil Hill e o alemão Wolfgang von Trips dominando o campeonato, além deles, o americano Richie Ginther completava o grupo rosso na etapa francesa.

As três Ferrari de fábrica confirmaram o favoritismo na classificação com Hill na pole, seguido de Von Trips e Ginther, enquanto Baghetti ficou apenas em 12º no grid de largada. Na partida, o trio ferrarista disparou na frente, junto com a Lotus de Stirling Moss. Já o novato italiano brigava no segundo pelotão com nomes como Jim Clark, Graham Hill, Bruce McLaren, entre outros.

Baghetti e Gurney fizeram um duelo épico nas voltas finais (GP Expert)

Contudo, muitos dos principais candidatos a vitória começaram a quebrar no meio da corrida. Do grupo dos líderes, Moss teve problemas de freios; Von Trips parou com motor quebrado; Hill rodou e perdeu uma volta; e Ginther parou com pane na pressão de óleo. Da turma do segundo pelotão, quase todo mundo também teve problemas, exceto a Porsche de Dan Gurney e a Ferrari particular de Giancarlo Baghetti.

Então, o americano e o italiano passaram a se digladiar pela ponta nas voltas finais. Em cada volta, ora o Porsche estava à frente, ora a Ferrari. Na última volta, Gurney estava na ponta e tentou de tudo para garantir a primeira vitória da montadora alemã na F1. Mas na última curva, Baghetti foi pro ataque e tomou a ponta para vencer por um décimo de segundo.

Por um décimo, a estreia dos sonhos (GP Expert)

Giancarlo Baghetti entrava para a história da Fórmula 1 de forma definitiva, ao juntar-se com Giuseppe Farina sendo o primeiro piloto a vencer a sua corrida de estreia na categoria máxima do automobilismo, mas como o feito de Nino foi na primeira corrida da história do campeonato organizado, o feito de Baghetti tornara-se ainda maior. Um debute sensacional!

O curioso é que a carreira de Giancarlo na F1 não foi nada muito além disso. O milanês ainda disputou duas provas em 1961, na Inglaterra e na Itália, mas não terminou. No ano seguinte, foi chamado para correr na equipe de fábrica da Ferrari, mas a escuderia de Maranello não teve um bom ritmo e Baghetti teve apenas um quarto e um quinto lugar na temporada inteira.

Para 1963, o piloto italiano se juntou a um grupo de profissionais insatisfeitos com a Ferrari, incluindo o campeão de 1961, Phil Hill, e aderiu à equipe Automobili Turismo e Sport (ATS), escuderia encabeçada por Carlo Chiti. Contudo, a iniciativa foi um retumbante fracasso, terminando aquela temporada sem pontuar.

Na ATS, uma grande decepção (Continental Circus)

Depois do fiasco da ATS, Baghetti virou um andarilho, com participações esporádicas na F1 com carros privados da BRM, Lotus e Ferrari até 1967. O italiano ainda teve um papel de destaque em competições de turismo, com direito ao título do Campeonato Europeu, a bordo de um Fiat Abarth 1000. Porém, após um acidente em Monza no ano de 1968, Giancarlo decidiu se aposentar da função de piloto.

Apesar de não seguir competindo, Baghetti seguiu envolvido com as pistas, mais precisamente no meio da comunicação. Ainda durante os meados da década de 1960, o italiano trabalhou como fotógrafo em muitos grandes prêmios da Fórmula 1. Inclusive, Giancarlo ajudou no resgate do compatriota Lorenzo Bandini após o acidente do ferrarista (que viria a morrer em decorrência dos ferimentos) no GP de Mônaco de 1967.

Além do trabalho com fotografia, Baghetti trabalhou na televisão italiana apresentando programas sobre o mundo automotivo. Aqui temos um vídeo do seu programa de 1985, com testes realizados por Giancarlo e por pilotos italianos (incluindo Michele Alboreto) com o carro queridinho de muitos cabeças de gasolina do Brasil: O Fiat Uno.

Baghetti seguiu sua carreira até a década de 1990, quando teve que se afastar para tratar de um câncer. Apesar da luta, o italiano não resistiu e faleceu em 27 de novembro de 1995 na sua cidade natal, Milão.

Fonte: Continental Circus (Link 1, link 2 e link 3)

lll A Série 365 Dias Mais Importantes do Automobilismo, recordaremos corridas inesquecíveis, títulos emocionantes, acidentes trágicos, recordes e feitos inéditos através dos 365 dias mais importantes do automobilismo.

Eduardo Casola

Sou formado em jornalismo pela Uniso, torcedor do Corinthians e adoro esportes, especialmente automobilismo!