A Fórmula 1 prepara-se para uma de suas transformações mais profundas desde a introdução da era híbrida. A partir de 2026, a categoria adotará um novo pacote aerodinâmico e um regulamento completamente reformulado para as unidades de potência, redefinindo não apenas o visual dos carros, mas também a forma como equipes e pilotos irão competir.
No novo episódio do PUNTA 44, com as jornalistas Rafaela Oliveira e Deborah Almeida, você saberá o que está por vir na categoria.
As novas regras foram concebidas para atender a múltiplos interesses. Elas preservam o apelo técnico para fabricantes tradicionais como Ferrari e Mercedes, ao mesmo tempo, em que se mostram suficientemente atrativas para novos projetos, como a Red Bull Powertrains em parceria com a Ford, a entrada da Audi e o futuro programa da General Motors — que lançará sua unidade de potência em 2029. O regulamento também foi decisivo para o retorno da Honda à Fórmula 1.
Do ponto de vista aerodinâmico, os carros de 2026 serão menores em todas as dimensões relevantes. A distância entre-eixos foi reduzida, assim como a largura e o peso total dos monopostos, tornando-os mais ágeis e responsivos, especialmente em curvas. Os pneus Pirelli de 18 polegadas permanecem, porém, com menor largura, o que contribui para a redução do arrasto e do peso.
Elementos visuais também desaparecem. Os arcos acima dos pneus dianteiros, introduzidos no regulamento anterior, foram eliminados, resultando em um desenho mais limpo e eficiente. A soma dessas mudanças aponta para carros menos dependentes da força aerodinâmica extrema e mais sensíveis ao talento do piloto.
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O conceito de efeito solo, que dominou a geração de carros entre 2022 e 2025, também passa por uma revisão significativa. Os longos túneis sob o assoalho dão lugar a superfícies mais planas, com difusores estendidos e aberturas maiores. O resultado será uma redução do downforce total e uma exigência maior de altura de rodagem, ampliando o leque de acertos possíveis e favorecendo diferentes estilos de pilotagem — um movimento deliberado para equilibrar a competição.

As asas dianteira e traseira seguem a mesma filosofia de simplificação. Ambas terão menos elementos aerodinâmicos, com a eliminação da asa traseira em forma de viga e a adoção de elementos mais estreitos na dianteira. Ainda assim, a asa dianteira continuará sendo um dos principais campos de desenvolvimento técnico, dado seu impacto direto no desempenho global do carro.
A mudança mais revolucionária, no entanto, é a introdução da Aerodinâmica Ativa. Pela primeira vez, os carros de Fórmula 1 poderão ajustar dinamicamente o ângulo das asas dianteira e traseira conforme a situação na pista. Em curvas, os flaps permanecem fechados, garantindo aderência. Em retas específicas, os pilotos poderão ativar um modo de baixa resistência aerodinâmica, achatando as asas para reduzir o arrasto e aumentar a velocidade máxima.
Esse sistema substitui o DRS em sua forma tradicional. Diferentemente do modelo atual, as asas poderão ser abertas ao longo da volta, sem aquela limitação imposta anteriormente, independentemente da distância para o carro à frente. A proximidade de menos de um segundo, porém, continuará sendo relevante por outro motivo: o acesso ao novo Modo Ultrapassagem.
Esse sistema substitui o DRS em sua forma tradicional. Diferentemente do modelo atual, as asas poderão ser abertas em todas as zonas designadas, independentemente da distância para o carro à frente. A proximidade de menos de um segundo, porém, continuará sendo relevante por outro motivo: o acesso ao novo Modo Ultrapassagem.
Além disso, permanece o botão de liberação de energia, agora rebatizado como Botão de Impulso (Boost). Ele pode ser utilizado a qualquer momento da volta, tanto para ataque quanto para defesa, desde que haja carga suficiente na bateria. O piloto pode optar por usar toda a energia de uma só vez ou distribuí-la estrategicamente ao longo da volta.
Outra novidade é o maior controle dos pilotos sobre a recarga da bateria. Em conjunto com o engenheiro de corrida, será possível selecionar diferentes modos de regeneração, utilizando energia da frenagem, do motor e de técnicas como o “lift and coast”. Com isso, os pilotos passam a administrar três ferramentas estratégicas simultâneas durante a corrida: aerodinâmica ativa, Boost e Modo Ultrapassagem.
Sob o capô, a revolução é igualmente profunda. O motor permanece um V6 turbo híbrido de 1,6 litro, mas o equilíbrio de forças muda radicalmente. A partir de 2026, a potência do motor elétrico será triplicada, resultando em uma divisão aproximada de 50% entre combustão e eletricidade. Essa configuração aproxima a Fórmula 1 das tecnologias utilizadas em veículos de rua, aumentando seu apelo para as montadoras.
O Sistema de Recuperação de Energia (ERS) também foi aprimorado, permitindo recarregar o dobro de energia por volta. Em contrapartida, o MGU-H foi eliminado, reduzindo peso, custos e complexidade técnica — além de alinhar o projeto às demandas da indústria automotiva moderna.
Pela primeira vez na história da categoria, as unidades de potência utilizarão Combustíveis Sustentáveis Avançados. Desenvolvidos a partir de fontes como captura de carbono, resíduos urbanos e biomassa não alimentar, esses combustíveis já foram testados na Fórmula 2 e na Fórmula 3 em 2025 e possuem certificação independente de sustentabilidade.
A segurança também recebeu atenção especial. A célula de sobrevivência será submetida a testes mais rigorosos, enquanto o arco de proteção foi reforçado para suportar 23% mais carga. A estrutura de impacto frontal agora se divide em dois estágios, oferecendo maior proteção em colisões severas com impactos secundários.
Elaborado pela FIA em colaboração estreita com as equipes e a Fórmula 1, o novo regulamento já atingiu um de seus principais objetivos: atrair mais fabricantes e estimular a inovação. O resultado é um conjunto de regras que promete manter os carros rápidos e espetaculares, ao mesmo tempo, em que impõe desafios técnicos inéditos a engenheiros e pilotos.
O novo regulamento cobra que as equipes e pilotos estejam alinhados, para executar o melhor trabalho em pista, que agora envolverá ainda mais detalhes.
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