A temporada 2026 está se aproximando, os novos carros da categoria, alinhado com a implementação de um novo regulamento de motores, representa uma grande mudança para a Fórmula 1 acontecendo de uma vez. Nos últimos meses a Pirelli tem abordado a dificuldade que estão enfrentando para a definição dos compostos do próximo ano.
A fornecedora de pneus já realizou vários testes neste ano, o último aconteceu em Monza, logo depois da disputa do GP da Itália. Na ocasião, Red Bull, Racing Bulls, Williams e Aston Martin foram para a pista, para coletar mais algumas informações. Ao final de setembro a Pirelli terá mais um teste, além da avaliação no fim de semana do GP da Cidade do México, como tem acontecido nos últimos anos.
Embora a categoria desejasse ter um novo pneu para 2026, foi mantida a plataforma de construção de 18 polegadas, mas com um perfil mais estreito, 25 mm para os compostos dianteiros e 30 mm para os traseiros, para reduzir o arrasto e diminuir o peso.
A Pirelli já tem um desafio enorme, pois para projetar os pneus para o próximo campeonato, as equipes fornecem carros mulas, que tentam simular as cargas esperadas para o próximo modelo de carro. No entanto, para 2026 algumas coisas continuam obscuras por conta do refinamento que a FIA está realizando no regulamento.
As equipes continuam divididas sobre o que acontecerá no próximo campeonato, pois se acredita que neste momento a categoria será dominada pelos motores; por outro lado, esse é o momento que as equipes precisaram trabalhar com a aerodinâmica ativa.
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Falando ao Motorsport, Mario Isola disse: “Para nós, ter aerodinâmica ativa pode ter mais influência nos pneus do que no motor. Tivemos que estudar as velocidades máximas mais altas nas retas e as variações na carga aerodinâmica com as asas abertas ou fechadas para entender os esforços aos quais os pneus serão submetidos, considerando a redução do downforce.”
Enquanto acontecem os ajustes são amplamente discutidos o potencial enorme que a próxima era da Fórmula 1 oferecerá aos times. Conforme a análise das equipes acontece, a FIA mesmo já está pensando em alguns planos de contenção para evitar acidentes.
“Haverá algum ajuste fino a ser feito? Acho que sim. Vimos pelos dados que as equipes nos enviaram que há interpretações ligeiramente diferentes. Em temos de carga aerodinâmica e velocidade.”
São muitas coisas para considerar para o próximo ano, Isola explicou: “O strainght line mode [configuração de baixo arrasto para maximizar a velocidade em linha reta] para nós, tudo começa aí. Concordamos sobre a importância das unidades de potência, porque a diferença na entrega de potência é correta, mas o que realmente fará a diferença para nós, serão as asas abertas ou fechadas, porque vivenciaremos duas situações muito diferentes.”
A FIA precisará fazer uma avaliação sobre os circuitos para determinar as zonas que são seguras, fazer a abertura das asas e a carga permitida para cada os eventos, isso é algo que a Pirelli também precisa levar em consideração para definir os pneus de cada uma das etapas no próximo ano.
“Esses são dois aspectos que impactam a aprovação teórica dos pneus que devem ser enviados para um determinado Grande Prêmio, sendo uma dificuldade adicional. O problema se resolve superestimando o projeto de construção. Lembrando que todos os dados que recebemos estimam as cargas e a velocidade no final do campeonato de 2026. Precisamos disso para projetar os pneus que possam suportar as cargas de um ano de desenvolvimento.”
“Entendo que é difícil para as equipes nos darem uma estimativa do desenvolvimento, o que será importante no primeiro ano de um novo regulamento. Então, teoricamente, elas poderiam atingir valores muito maiores do que os que estimam hoje, dependendo do que aprenderemos com as corridas.”
A fornecedora de pneus, espera que não seja necessário trocar o produto com o campeonato em andamento, como já aconteceu, pois os valores passados pelas equipes subestimaram o desempenho.
“Você foca a gama de compostos no desempenho do carro. Então, como não temos ideia precisa do desempenho do carro, estamos tentando pensar em uma gama mais ampla de compostos, para haver uma diferença maior nos tempos entre o C1 e o C6”.
A Pirelli também está discutindo com as equipes um calendário para o desenvolvimento dos pneus de 2027.
Os pneus de chuva também são um tópico que tem acompanhado as equipes ao longo dos últimos anos. Quando a F1 atual se depara com a chuva, os carros quase não têm a capacidade de estar na pista. Os pilotos responsabilizam os pneus e parte do problema tem relação com eles, mas a Pirelli também justifica que o problema está no difusor do carro – que gera mais Spray e dificulta a visibilidade – criando uma nuvem para os pilotos que estão atrás.
“É por respeito aos fãs e ao esporte. No entanto, não podemos comprometer a segurança do piloto. Portanto, a questão a ser discutida é a visibilidade. Já se tornou um problema com os pneus intermediários. De nossa parte, deixamos claro que fabricar um pneu para chuva que não gere spray é difícil. Mas os testes que realizamos mostram que a maior parte do spray é gerada pelo difusor, não pelos pneus.”
“Provavelmente o que veremos é menos spray do difusor do que hoje [no próximo ano]. A parte inferior dos carros, com efeito solo produz cerca de 60% de downforce, enquanto em 2026 esse número cairá para 30%, então teoricamente, deveríamos ter uma nuvem com metade disso, ou quase. Os pneus também serão um pouco mais estreitos, então devem produzir um pouco menos de spray”.
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