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Peter Revson: muito mais do que mera perfumaria – Dia 281 de 365 dias mais importantes da história do automobilismo

Garbo e elegância dentro e fora das pistas Fontes: Continental Circus

A história do automobilismo sempre esteve repleta dos chamados bon vivants, aqueles que vêm e famílias abastadas e demonstram para o mundo o seu estilo de vida sofisticado, cercado por beldades e estrelas de cinema ou da moda. Muitos acreditam que estes eram indivíduos que viam o esporte a motor como um mero hobby, e desqualificavam os atributos, mas tinha um americano provou que não era somente isso e conseguiu deixar a sua marca na história.

Este foi Peter Jeffrey Revlon Revson, piloto norte-americano nascido em 27 de fevereiro de 1939 na cidade mais conhecida do mundo: Nova York. Peter chegara ao mundo em um “berço de ouro”, afinal era herdeiro de uma das maiores empresas de cosméticos do mundo: a Revlon.

Revson dedicou-se aos estudos até a vida adulta, mas foi nos tempos de faculdade, enquanto estudava na Universidade de Cornell, já no fim dos anos 1950, quando decidiu entrar no mundo da velocidade. A paixão pelas pistas passou a ser influenciada por dois grandes amigos: os irmãos Timmy e Teddy Mayer.

Após disputar algumas provas no Havaí, Peter, junto com os irmãos Mayer, rumou para a Europa para construir a sua carreira já na década de 1960. O piloto não queria ser rotulado como alguém que só estava lá por ser um filhinho de papai, bancado pela empresa da família. Apesar das investidas independentes, tornou-se um dos principais aliados de Bruce McLaren, na recém-fundada escuderia do neozelandês.

O estadunidense conseguiu uma oportunidade em 1964 de participar da Fórmula 1 competindo por equipe própria e pela escuderia de Reg Parnell. Revson se inscreveu para seis etapas, mas não teve bons resultados e retornou para os Estados Unidos no fim do ano.

Apesar do retorno, Peter manteve-se ligado à McLaren, competindo nas provas da Can-Am, Trans-Am, além de algumas provas da Indy, em especial as 500 milhas de Indianápolis. O desempenho lá foi bem relevante, com vitórias e resultados de expressão.

Revson e McQueen após o segundo lugar em Sebring Fonte: Continental Circus

Destaca-se o segundo lugar nas 12 Horas de Sebring de 1970, quando Revson dividiu o volante do Porsche 908/02 com o lendário Steve McQueen, ator hollywoodiano e exímio cabeça-de-gasolina. Outro desempenho relevante foi o segundo lugar na Indy 500 de 1971 (Peter largou na pole, mas foi superado por Al Unser). No mesmo ano, o piloto foi campeão da Can-Am.

A sequência boa nos States permitiu a Revson uma nova oportunidade na F1. Ainda em 1971, o americano fez a etapa de Watkins Glen por um terceiro carro da Tyrrell, mas não terminou. No ano seguinte, Peter retorna à parceria com Teddy Mayer e pilota pela emergente McLaren. A primeira temporada completa foi bem interessante, com três terceiros lugares, e o americano fecha a temporada em quinto, com 23 pontos.

O auge na McLaren em 1973 Fonte: Almanaque da F1

Em 1973, o ano foi até melhor. O americano teve regularidade na temporada e somou 38 pontos, mantendo o quinto lugar. No entanto, a temporada foi bastante marcante, pois Revson obteve duas vitórias: uma no tradicional circuito de Silverstone e outra no confuso GP do Canadá, em Mosport.

Após duas temporadas profícuas, Peter foi respirar novos ares, uma vez que a McLaren trazia Emerson Fittipaldi para ser o líder da equipe. O piloto foi para a escuderia (também americana) Shadow para o certame em 1974. As duas primeiras corridas, na Argentina e no Brasil, não foram auspiciosas e o piloto estadunidense abandonou ambas. As esperanças de recuperação na temporada estavam a partir do terceiro grande prêmio, em Kyalami, na África do Sul.

Uma semana antes da corrida, mais precisamente no dia 22 de março de 1974, houve um teste com várias equipes no circuito sul-africano. Revson estava lá para tentar evoluir o DN3, o bólido da escuderia ianque. Quando partia para jogar na curva Barbecue Band, um parafuso de titânio que sustentava a suspensão do carro se rompeu e o veículo foi de encontro ao guard rail, explodindo em chamas.

Os destroços do Shadow DN3. Este era o fim para Revson Fonte: Almanaque da F1

Alguns pilotos, como o ex-companheiro de equipe, Denny Hulme, e Graham Hill tentaram socorrer o colega. No entanto, era tarde demais. Assim como o irmão Douglas, falecido em acidente numa corrida de Fórmula 3 em 1967, Peter Revson acabara morrendo na pista aos 35 anos.

Com Revson, se esvaía parte do glamour e da elegância dos grã-finos e galanteadores típicos da categoria, no entanto, Peter conseguiu mostrar que não era apenas uma embalagem de perfume barata, mas também tinha muito conteúdo, no que se referia a talento dentro da pista, mesmo que tenha sido breve na Fórmula 1.

Fonte: Continental Circus (link 1 e link 2), Almanaque da F1 e Projeto Motor

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Eduardo Casola

Jornalista formado na Universidade de Sorocaba (Uniso) e apaixonado por esporte a motor desde quando se conhece por gente. Apenas um rapaz que gosta de uma boa corrida e de uma boa história!

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