08 de Março de 1998, Ordens de Equipe Marcam o GP da Austrália – Dia 291 de 365 dias mais importantes da história do automobilismo

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Após o segundo triunfo consecutivo da Williams em 1997, a Fórmula 1 recebeu uma grande mudança de regulamento, com o objetivo de reduzir a velocidade em curvas. Os slicks deram lugar aos pneus com ranhuras, agora fabricados por Goodyear e Bridgestone, e os monopostos ficaram menos largos, saindo de 2 metros para 1.8 metros. Com tantas alterações, os novos ares da categoria proporcionaram um certo tom de incerteza em Albert Park, palco da primeira prova da temporada.

8 Mar 1998: The 1998 Formula One drivers line up before the Australian Grand Prix at Albert Park in Melbourne, Australia. Mandatory Credit: Mark Thompson /Allsport

Uma dobradinha da McLaren na classificação de sábado foi o primeiro indicativo do que estava por vir. Mika Hakkinen cravou a pole com David Coulthard em segundo e Schumacher em terceiro. O atual campeão, Jacques Villenueve colocou sua Williams-Mecachrome em 4º e Johnny Herbert fechou o Top 5. Largada calma para os ponteiros enquanto Giancarlo Fisichella ganhava terreno com sua Benetton, alcançando a 5ª posição. O primeiro trecho da prova foi tranquilo para os líderes, entretanto, ainda na 6ª volta Michael Schumacher ficou a pé após um problema no motor de sua Ferrari. Com isso, a dobradinha da McLaren liderava e era agora seguida pelo atual campeão mundial e o jovem italiano na Benetton.

Michael Schumacher Fonte: F1-Pics.com
Pedro Paulo Diniz na Arrows A19 Fonte: F1-Pics.com

Hakkinen e Coulthard gradativamente aumentavam sua vantagem na ponta ao passo que a briga pelo último degrau do pódio esquentava cada vez mais. A perseguição implacável entre Jacques e Giancarlo permitiu que Johnny Herbert também entrasse na batalha, com isso, tínhamos agora uma Williams, uma Benetton e uma Sauber separadas por menos de um segundo na briga pela 3ª posição. Um pouco mais atrás, Frentzen batalhava para manter sua 6ª posição, causando assim um trem de 4 carros: Irvine, Hill, Wurz e Trulli. Com isso, após pouco menos de metade da prova as Williams-Mecachrome brigavam com unhas e dentes para manter seus lugares, gerando dois verdadeiros congestionamentos. Buscando o undercut, Fisichella foi o primeiro dos líderes a parar, entrando na volta 23. Surpreendentemente, o italiano recebeu uma volta das duas McLaren logo após sair dos boxes, mesmo tendo parado na 4ª posição e retornado na 9ª.

Damon Hill – Jordan 198 Fonte: F1-Pics.com

Hakkinen trocou seus pneus na 24ª volta e foi prontamente seguido pelo seu companheiro no giro seguinte. Na 28ª foi a vez de Johnny Herbert e Villenueve enfim fez sua parada na volta 29. O canadense foi superado pela Benetton de Fisichella, mas ainda conseguiu se manter à frente de Herbert. Frentzen era agora o terceiro, seguido pela Ferrari de Eddie Irvine, mas na volta 34 os dois entraram juntos nos boxes para trocar seus pneus. A Williams fez um ótimo trabalho com o bólido do alemão, enquanto a Ferrari comprometeu totalmente a corrida do irlandês com uma parada lentíssima. Com todas as primeiras paradas realizadas, o cenário era o seguinte na volta 35: A dobradinha da Mclaren tinha 84 segundos de vantagem para o terceiro colocado, que agora era Hanz-Harold Frentzen, Fisichella era o quarto e Irvine era o quinto. Após pouco mais da metade da prova realizada, 11 dos 22 carros que largaram ainda estavam na prova.

Heinz-Harald Frentzen (GER) Williams FW20 pits on the way to a third place finish.
Australian Grand Prix, Melbourne, 8 March 1998.

Eis que na volta 36, a polêmica começa. O líder da prova, Mika Hakkinen, retornou aos pits prematuramente e sequer foi atendido pelos seus mecânicos. O drive-through sem motivo aparente foi recebido com estranhamento e permitiu que Coulthard assumisse a liderança. A decisão até então ilógica do finlandês seria explicada por Ron Dennis somente em 2007, quando o então chefe de equipe da McLaren afirmou que alguma pessoa externa interferiu no rádio da equipe e enviou Mika para os pits. Independentemente do motivo, Mika tinha agora perdido a liderança confortável que havia sido mantida durante boa parte da prova. Na volta seguinte, Fisichella enfim conseguiu assumir a 3ª posição, superando a Williams de Frentzen em meio ao caos das bandeiras azuis devido à aproximação dos líderes. Mika voltou para os boxes na 38ª volta, agora sim tendo seus pneus trocados. O líder da prova passou pelos pits dois giros depois, mantendo a ponta após a parada. Fisichella também foi para os boxes, perdendo o terceiro lugar para a Williams de Frentzen.

Heinz-Harald Frentzen (GER) Williams FW20 Fonte: F1-Pics.com

A briga pela 3ª posição entre o alemão e Irvine esquentou na volta 45 e os retrovisores da Williams ficavam cada vez mais vermelhos. Todavia, Frentzen conseguiu controlar o ímpeto do piloto Ferrarista e tudo indicava para uma vitória tranquila de David Coulthard. Poucas voltas restavam e o domínio da equipe britânica era cada vez mais evidente, uma vez que o grid inteiro havia levado uma volta dos dois líderes. Entretanto, apesar da aparente tranquilidade nos boxes da Macca, nem tudo estava decidido ainda. Mika e David se aproximavam cada vez mais na medida em que a prova se aproximava da bandeira quadriculada. Os dois ultrapassaram os últimos retardatários e agora dividiam a mesma reta, o mesmo segundo, o mesmo décimo. A tensão subia cada vez mais com a iminência de alguma manobra por parte de Hakkinen. Contrariando todas as expectativas, restando duas voltas para o final, o escocês tirou o pé e deixou Hakkinen passar na reta principal, entregando a liderança da prova para seu companheiro de equipe.

Eddie Irvine Fonte: F1-Pics.com

Mika foi o primeiro a ver a bandeira quadriculada, trazendo consigo Coulthard e Frentzen para fechar o pódio. Após a corrida, Hakkinen e David explicaram que haviam feito um acordo antes da prova, quem estivesse liderando após a primeira curva, venceria a prova caso estivesse em posição para tal. Apesar do domínio tremendo na pista, as atitudes da equipe e de seus pilotos foram duramente criticadas por outros times e pelos fãs, mas foram julgadas inocentes pela Conselho Mundial de Automobilismo. As ordens de equipe só seriam proibidas após o GP da Áustria de 2002 e voltariam a ser permitidas após o GP da Alemanha de 2010.

The podium (L to R): David Coulthard (GBR) McLaren second; Mika Hakkinen (FIN) McLaren an emotional winner; Heinz-Harald Frentzen (GER) Williams third.
Australian Grand Prix, Melbourne, 8 March 1998.

Esse foi apenas o primeiro capítulo da temporada de 1998. Um começo que fez jus ao que estava por vir, e além disso, uma falsa sensação de domínio de uma equipe que veria novos personagens entrarem na batalha por vitórias e até pelo título mundial.

Fernando Brandão Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Formula Legend e no Superlicense de vez nunca.

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