O Sorriso de uma Nova Era na Toro Rosso

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Por: Fernando Brandão Campos

lll Série 365: 14 de Dezembro 2011, O Sorriso de uma Nova Era na Toro Rosso – 01ª Temporada: dia 207 de 365 dias.

Depois do sucesso estrondoso da Toro Rosso em 2008, especialmente apoiada no talento do jovem Sebastian Vettel, os resultados medíocres dos anos seguintes deixaram muito a desejar. A escuderia italiana saiu de uma vitória em GP e o 6º lugar nos construtores para modestos 8 pontos marcados em 2009. Entretanto, alguns anos depois, o projeto da Red Bull enfim voltaria aos trilhos com duas ótimas contratações.

Fonte: Portal Race

Independente da grande mudança de regulamento, superar a temporada de 2008 seria extremamente complicado para os italianos. Sebastian Vettel provou pela primeira vez ser um piloto fora de série ao pontuar em 9 etapas, contando inclusive com uma vitória, um quarto lugar e dois quintos, contra as singelas sétimas posições de seu companheiro de equipe, Sébastien Bourdais, na Austrália e na Bélgica. A sequência de resultados expressivos do alemão atraiu a atenção da irmã mais velha, e após a aposentadoria de David Coulthard, o jovem piloto foi contratado pela Red Bull em 2009. A partir desse ponto, os dois personagens que foram separados tomaram direções completamente opostas.

Vettel foi para o lugar certo na hora certa, uma vez que a equipe austríaca acertou em cheio no desenvolvimento do carro com as novas especificações de 2009, saindo de uma dedicada guerreira no meio do pelotão para uma superpotência entre as gigantes na ponta. Logo em sua primeira temporada com a Red Bull, Sebastian foi campeão mundial e deu início a quatro anos de dominação na categoria, enquanto a equipe não deixaria de frequentar o Top 2 entre os construtores nos cinco anos seguintes. Tudo corria perfeitamente bem RBR e a jovem promessa alemã vivia seu auge na Fórmula 1. Todavia, a situação era praticamente oposta no lado italiano da família.

Scuderia Toro Rosso STR8 steering wheel. 04.02.2013. Scuderia Toro Rosso STR8 Launch, Jerez, Spain. Fonte: F1 Around

O fim da rápida parceria entre Vettel e Toro Rosso trouxe Sébastien Buemi para o assento restante em 2009. O suíço pontou logo em sua estreia e ainda repetiu o feito duas etapas depois, em Shanghai. Do outro lado da garagem o segundanista Bourdais batalhava para alcançar o novato mas era constantemente superado em classificações e corridas. A falta de resultados do francês acarretou na sua demissão ainda em Julho, trazendo o jovem espanhol Jamie Alguersuari para o cockpit vago. Após um ano de triunfos na Fórmula 1, a STR agora contava com dois novatos e um desempenho medíocre no meio do pelotão. Buemi ainda pontuaria novamente nas duas últimas etapas do ano, mas a Toro Rosso fecharia 2009 com míseros 8 pontos marcados e a 10ª posição nos construtores.

A parceria se repetiria em 2010 e o espanhol se mostraria páreo para a concorrência interna. Jamie dominou o 1º semestre, Buemi respondeu no 2º e os dois pilotos terminaram o ano com pontuações praticamente idênticas. Mesmo assim, os 13 pontos somados na temporada e o potencial de seus pilotos ainda estava longe dos grandes resultados de 2008. O ano seguinte foi mais uma vez promissor para a equipe. Dessa vez o espanhol dominou seu rival suíço do início ao fim e quase dobrou sua pontuação. A Toro Rosso finalmente também se reerguia, garantindo inclusive um 8º lugar entre os construtores. Contudo, contra a corrente lógica tradicional e da forma mais Red Bull possível, no dia 14 de Dezembro de 2011, tudo mudou.  

Apesar dos bons resultados apresentados durante o ano, Buemi e Alguersuari foram dispensados, abrindo espaço para duas crias da academia de jovens pilotos da Red Bull. Jean-Éric Vergne e Daniel Ricciardo. O australiano havia participado de boa parte da temporada anterior pela HRT, trazendo portanto um pouco mais de experiência em relação ao francês, que chegava a F1 diretamente da Fórmula Renault 3.5. O primeiro ano da dupla foi basicamente de aprendizado. Vergne começou melhor, mas Daniel logo respondeu e equilibrou a briga. O francês pontuou em 4 etapas contra 5 do australiano, mas seus 16 pontos superaram os 10 de seu rival. Aos poucos já era possível observar que Vergne era um piloto mais cerebral e técnico, enquanto Ricciardo era arrojado e ao mesmo tempo rápido, não obstante uma joia que ainda precisava ser um pouco lapidada. A briga interna já havia sido extremamente disputada em 2012, mas a temporada seguinte receberia um ingrediente ainda melhor para apimentar a batalha de Faenza.

Fonte: AUSmotive

2013 começou com o domínio de Jean-Éric Vergne, mas Ricciardo logo começou a se recuperar. Entretanto, pouco antes do GP da Inglaterra, uma notícia surpreendente mudou totalmente o caráter dessa disputa. Com 12 anos de Fórmula 1 nas costas, o então piloto da Red Bull Mark Webber anunciou que deixaria a categoria para competir pela Porsche na WEC. A mudança de ares do australiano abria um dos cockpits mais cobiçados da Fórmula 1 e colocava os dois pilotos da Toro Rosso da dianteira da batalha por ele. Ricciardo respondeu com um 8º lugar em Silvertone e um 10º na Bélgica, já Vergne, que havia deixado de pontuar após uma 6ª posição no Canadá, nunca mais terminou dentro do Top 10, inclusive abandonando algumas corridas. A escolha que parecia cada vez mais lógica foi confirmada ainda em Setembro. Australiano por autraliano, Daniel Ricciardo foi o escolhido para assumir o cockpit da Red Bull e a Toro Rosso enfim revelou mais uma estrela para o mundo do automobilismo. 

MONTREAL, QC – JUNE 07: Daniel Ricciardo of Australia and Scuderia Toro Rosso prepares to drive during practice for the Canadian Formula One Grand Prix at the Circuit Gilles Villeneuve on June 7, 2013 in Montreal, Canada. (Photo by Peter Fox/Getty Images) *** Local Caption *** Daniel Ricciardo

Ricciardo partiu para o time austríaco e não se intimidou com Sebastian Vettel do outro lado da garagem. O australiano venceu três provas no ano, sendo o único piloto fora da Mercedes a conseguir um triunfo em 2014, e dominou amplamente o tetracampeão mundial, terminando com 71 pontos de frente. O alemão partiu então para a Ferrari, fazendo com que o australiano se tornasse o piloto de confiança e a base fundamental da Red Bull. Agora lapidado, Daniel se estabeleceu cada vez mais como um dos melhores no grid tanto ultrapassando, quanto se defendendo. Um piloto de estilo único, corajoso e ao mesmo tempo extremamente preciso, um duro rival na ponta do grid e certamente um futuro campeão mundial. 

No ano seguinte, o GP da Hungria ainda terminaria com o Top 4 formado somente por pilotos formados pela academia da Red Bull. Vettel em primeiro, agora pela Ferrari, seguido por Daniil Kvyat e Daniel Ricciardo da Red Bull e Max Verstappen da Toro Rosso, provando mais uma vez o dedo incrível e a eficácia de um dos projetos mais bem-sucedidos da categoria.

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Fernando Brandão Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Formula Legend e no Superlicense de vez nunca.