O sonho da competição: A garota de Belo Horizonte que quer seguir ganhando nas pistas

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A vontade de disputar ou fazer parte de alguns esportes, muitas vezes é despertado ainda na infância. O Kart por ser um esporte caro, nem sempre é incentivado pelos pais, por conta do seu custo e um futuro incerto. Infelizmente ainda no Brasil, conseguir uma vaga ou evoluir acaba se tornando bem complicado e por isso hoje vamos contar a história de uma menina de Belo Horizonte, que tem vontade de seguir carreira no automobilismo.

Natalia Xavier, andou pela primeira vez em um kart, em 2009, em um evento realizado na cidade de Belo Horizonte, no espaço ”Expo Minas”. A menina já era encantada por corridas, mas os pais sabiam que era um esporte desafiador, ainda que eles não tivessem contato direto com ele na época. A Naty se aproveitou do momento para mostrar ao pai era capaz de correr sim, ainda que eles tivessem muitas ressalvas – ”na minha cabeça eu tinha que ir lá, ganhar de uma vez, eu tinha que provar que eu era boa.’’

Ela pode não ter vencido logo de primeira, mas um segundo lugar para ela que nunca se quer tinha tido contato, foi um bom resultado. Desde esse momento ela começou a persuadir os pais, para que eles dessem uma chance a para que ela começasse a competir – ”Era paixão, um amor pelo esporte.’’
Seu ídolo, sempre foi o Mark Webber, aquele piloto da Fórmula 1, que ingressou na categoria como piloto de testes em 2000 e realizou a sua estreia no Grande Prêmio da Austrália em 2002 com uma Minardi. Observando o piloto que ela gosta e também os demais, ela viu que o que eles faziam era extraordinário e desta forma teve o estalo que poderia correr daquela mesma forma.

Ainda muito nova, começou a ir atrás de conteúdo relacionado ao kartismo, na internet, construindo uma bagagem que lá na frente ela poderia passar a utilizar ao seu favor.

Início da Carreira e sonhos

Assim como algumas pessoas que desejam se tornar pilotos ou simplesmente correr de forma amadora, é muito comum ver que estes tiveram início ainda no Kart Indoor; aquele que é muito popular em shoppings ou em kartódromos que são voltados para os iniciantes. A tocada dele é mais suave e serve para se construir uma base, perder o medo e muitas vezes fazer a pessoa tomar gosto pelo esporte.

 

Com ela não foi diferente, os pais começaram a levá-la nestes espaços para ter experiência até que fosse possível avançar para o profissional. O coach (professor) de kart, é muito caro e não tem a sua eficiência necessária se a pessoa não tem um conhecimento básico. Desta forma quando a Naty deu mais um passo, começou a receber dicas de outros pilotos e até mesmo de donos dos kartódromos em que ela competia até conseguir entrar nos campeonatos amadores, onde passou a adquirir mais conhecimento. Para se tornar um bom piloto de kart, não bastava ter o feeling e ela foi aprendendo escutando e observando os demais.

Pra mim não era um hobby, uma brincadeira, eu queria levar a sério

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Hoje ela transita entre campeonatos amadores e profissionais, principalmente porque o custo para se manter em um campeonato profissional é muito alto, desta forma ela segue em busca de patrocínio. Ela já completou dez anos no automobilismo, mas hoje busca novos ares – “eu gostaria muito de participar de algum evento de carro de turismo, como da Porsche, Stock Light, Brasileiro de Marcas.”

Sabemos que principalmente no automobilismo o patrocínio é o que ajuda a conseguir alguma vaga ou avanço em qualquer tipo de categoria. Hoje a Naty está atrás dele, principalmente porque já perdeu uma oportunidade de correr em monoposto, justamente por falta de investimento, “Não tinha como eu investir, então eu não pude fazer o treino, mas eu acompanhei de perto todos os detalhes da categoria” conta Natália.

A gente tem que pensar além sim, pois não é um esporte fácil

O tempo está passando e ela lida com o problema da falta de investimento que o próprio Brasil tem no automobilismo. Falta apoio na base e incentivo para que os cadetes consigam crescer. É algo que é discutido várias vezes em qualquer roda de conversa em que a pergunta “porque não temos brasileiros competindo na Fórmula 1?”, surge.

Atualmente ela busca participar de um campeonato na Argentina, mas para que ela consiga um vaga é necessário pagar pelo menos o valor do teste. O presidente do campeonato regional argentino, Alejandro Valenzuela, já identificou o seu talento, mas ainda assim é necessário de uma ajuda de custo para que ela consiga ingressar nesta disputa.

Natalia se mantém competindo com ajuda que vem principalmente do pai Mario Xavier e de outros membros da família que fazem algum esforço para que ela desista do seu sonho. Lembra a história de uma brasileira, conhecida como Bruna Tomaselli, que quase teve uma vaga na W Series ? Sim, assim como a Naty, a Bruna foi em busca de uma vaga ainda sem patrocínio, com o pai arcando todos os custos da sua carreira.

O que demostra que ambas necessitam de um incentivo financeiro que ambas não possuem. Para qualquer piloto que está tentando vagas em outras categorias, seja ela qual for, este tipo de ajuda é sempre necessário. Ele acaba abrindo novas partas, principalmente para as meninas que acabam lidando com um desfio maior. Se o automobilismo é difícil de um modo geral no Brasil, imagina para estas meninas conseguirem apoio.

Esperamos que a qualquer momento seja possível vir aqui e contar histórias de conquistas e saber que cada vez mais outras meninas não estejam apenas tentando um lugar no automobilismo, mas sim, tendo a chance de disputar vagas de igual para igual com qualquer homem.

Debora Almeida

Meus olhos brilharam quando eu vi o estilo de pilotagem do Vettel ele espertou em mim o interesse pelo esporte e cada vez mais eu queria entender sobre o assunto. Fiz da RBR minha casa e meu carro favorito é a Kinky Kylie.