O Grande Capitão

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 Pin It Share 0 Filament.io 0 Flares ×

| Por: Eduardo Casola Filho

lll Série 365: O Grande Capitão – 02ª Temporada: dia 275 de 365 dias.

Roger Penske – Fonte; Penske

Em cada modalidade do automobilismo mundial existe um nome que sintetiza o sinônimo de vitória, de glórias e de grandes feitos. São pseudônimos que representam uma grife, um ícone, uma oportunidade de vida para qualquer piloto. Na Fórmula 1, temos a Ferrari, no universo do endurance, a Porsche. Já quando o assunto é automobilismo norte-americano (e também no universo dos negócios), o nome mais cultuado é certamente o de Roger Penske.

Roger Penske no comando de seu Porsche Fonte: Projeto Motor

Nascido em 20 de fevereiro de 1937, Roger Searle Penske descende de um grande empresário da indústria siderúrgica estadunidense. Com o incentivo do pai, Roger desde cedo aprendeu ser um empreendedor, trabalhando já na adolescência restaurando e vendendo carros antigos. Foi nesse ramo pelo qual aprendeu a gostar de dirigir os carros e acelerar.

Fonte: Penske

Em 1958, Roger estreou como piloto em uma prova organizada pela Sport Car Club of America (SCCA), logo demonstrando habilidade diante de pilotos mais experientes. E isso tudo enquanto concluía a faculdade de Administração Industrial na Universidade de Lehigh e trabalhar como vendedor engenheiro na Alcoa (uma das gigantes mundiais em produção de alumínio), fora a velha ocupação de vendedor e restaurador. Era um verdadeiro polivalente.

Fonte: Penske

No começo da década de 1960, o nome Penske começou a se destacar nas pistas, com participações de relevo em corridas nos Estados Unidos. Roger ainda teve duas presenças em corridas de Fórmula 1, nos anos de 1961 (com um Cooper) e 1962 (com um Lotus), nas edições dos GPs dos Estados Unidos, em Watkins Glen. O piloto concluiu as duas provas em oitavo e nono, respectivamente.

Roger Penske disputou duas corridas como piloto de Fórmula 1 Foto: Reprodução Fonte: Globo.com

As boas atuações fizeram Penske ser considerado pela mídia norte-americana como o piloto estadunidense mais promissor em termos de conquistas internacionais. No entanto, o lado empreendedor falou mais alto. Em 1965, com apenas 28 anos, Roger largou o rumo de piloto para se dedicar ao comando de uma concessionária da Chevrolet no estado da Pensilvânia.

Roger Penske acelera Lotus Climax no México em 1962 Foto_ Getty Images Fonte: Globo.com

Apesar de pendurar o capacete, Roger ainda seguiu com objetivos no automobilismo. Já em 1966, o empreendedor montou sua equipe, pegou um Lola T-70, equipou com um motor Chevrolet e chamou o amigo Mark Donohue para disputar as 24 horas de Daytona. Apesar do começo modesto, Donohue começou a ser um piloto de destaque nos esporte-protótipos, ganhando o campeonato da SCCA no ano seguinte.

1960s: Roger Penske gets set for a Sports Car event in the early 1960s. (Photo by ISC Images & Archives via Getty Images)

Em 1968, o Team Penske passou a explorar aquele que viraria seu habitat natural: as provas da Indy, até então organizadas pela USAC. Apesar do início discreto, a escuderia do Capitão passou a chamar a atenção aos poucos, especialmente sob a pilotagem de Donohue. O ponto alto veio em 1972, quando, a bordo de um McLaren-Offenhauser (com apoio oficial da escuderia de Teddy Mayer), Mark concedeu à Roger à primeira vitória das 500 milhas de Indianapolis.

Roger Penske – Fonte: Penske

Ainda no começo da década de 1970, Roger expandiu seus horizontes. Durante a década de 1970, teve uma equipe que participou de algumas provas das divisões da NASCAR. Além disso, a Penske resolveu dar o ar da sua graça na Fórmula 1. Após umas provas esporádicas em 1974, a escuderia do Capitão passou a competir integralmente na temporada seguinte.

Mark Donohue acelera carro da Penske em 1974 Foto: Getty Images Fonte: Globo.com

Nas primeiras nove corridas, com o modelo PC1, Donohue teve um desempenho bem razoável, com destaque ao quinto lugar no GP da Suécia, em Anderstorp. Entretanto, o piloto americano foi disputar as provas finais com um carro da March, obtendo outro quinto lugar em Silverstone. Contudo, o desfecho daquele ano de 1975 acabou trazendo um duro golpe.

Durante os treinos para o GP da Áustria, em Zeltweg, o March de Donohue teve um pneu estourado e bateu forte nas cercas de proteção, matando um fiscal. O piloto americano saiu bem do carro, mas sentia uma forte dor de cabeça. No dia seguinte, as dores de cabeça aumentaram e Mark foi internado em um hospital em Graz, onde se descobriu que o estadunidense estava com uma hemorragia cerebral. Poucas horas depois, Mark Donohue faleceu aos 38 anos.

Roger Penske ao lado de Mark Donohue, morto em 1975 num acidente Foto: Reprodução Fonte: Globo.com

Sem aquele que foi o seu principal piloto, Roger apostou as fichas no galês John Watson para 1976. Inclusive, houve uma aposta que, em caso de o britânico vencer uma corrida pela escuderia estadunidense, o piloto iria arrancar seu bigode para sempre.

E não é que Watson teve que cumprir a aposta! E foi justamente no palco da grande tragédia do ano anterior, em Zeltweg. Com o mundo da F1 ainda abalado pelo acidente de Niki Lauda, o galês se aproveitou dos problemas com a McLaren de James Hunt para vencer a etapa austríaca.

Roger Penske e John Watson Fonte: Projeto Motor

A temporada de 1976 da Penske foi bem positiva. Com os 20 pontos somados por Watson, o galês terminou o ano em sétimo. Além disso, a escuderia americana foi a quinta melhor nos construtores, à frente de equipes como Ligier, March e Brabham. Contudo, o investimento na F1 era cada vez mais elevado e o Capitão optou por deixar de lado a categoria, focando mais no automobilismo americano.

No fim de 1976 Roger Penske desistiu da operação na F1 Foto Getty Image Fonte: Globo.com

A escolha não poderia ter sido melhor. Com foco total na Indy, a Pesnke tornou-se a equipe mais vitoriosa da história das provas de monoposto nos Estados Unidos. Entre 1977 e 1994, foram nada menos que nove campeonatos da Indy (entre USAC e CART), e mais nove vitórias de 500 milhas de Indianapolis apenas com a equipe oficial (não entra na conta os triunfos de Emerson Fittipaldi em 1989, pois o brasileiro corria na Patrick Racing, embora usasse chassi Penske).

Roger Penske com Emerson Fittipaldi tiveram muitas vitórias nos anos 1990 Foto: Getty Images Fonte: Globo.com

Tendo nomes consagrados do automobilismo norte-americano e mundial, como Rick Mears (que conquistou suas quatro Indy 500 pela Penske), Danny Sullivan, Emerson Fittipaldi e Al Unser Jr, a escuderia de Roger tornou-se a grande marca do esporte a motor na terra do Tio Sam.

Roger Penske e Emerson Fittipaldi, em 1993 Fonte: Projeto Motor

No entanto, a segunda metade da década de 1990 trouxe alguns dissabores. Primeiramente, a não classificação dos seus carros nas 500 milhas de 1995 foi um vexame histórico que marcou a trajetória da escuderia. Depois da cisão entre CART e IRL, a equipe teve desempenhos decepcionantes nos anos seguintes. O fraco desempenho, combinado às mortes de Gonzalo Rodriguez e de Greg Moore em 1999 (o canadense ainda corria pela Forsythe, mas tinha contrato assinado com a Penske para 2000), levaram a Penske a mudar a forma de encarar a categoria, tomando uma série de decisões, como deixar de fabricar os próprios chassis em meados de 99.

Com a chegada do novo milênio, a Penske se transformou de novo em uma grande escuderia. Com Gil de Ferran e Hélio Castroneves, a equipe voltou o rumo das vitórias, com dois títulos da CART e três vitórias seguidas em Indianapolis.

Sede da Equipe Penske Fonte: Penske

Desde então, a Penske segue consolidada como a grande equipe da Indy, tendo hoje em dia 15 títulos de Indy e 16 vitórias nas 500 milhas. Além do sucesso na categoria de monopostos, a escuderia do Capitão também tomou de assalto outras frentes no esporte a motor dos Estados Unidos e em outros países.

Na NASCAR, a Penske retornou a sua trajetória na década de 1990, mas passou a colher resultados mais relevantes já nos anos 2000, especialmente na década atual. Foram duas vitórias na Daytona 500 (Ryan Newman, em 2008, e Joey Logano, em 2015), e mais dois títulos na divisão principal dos Stock Cars. (Brad Keselowski, em 2012 e também com Logano em 2018).

Roger Penske com Will Power em 2018 equipe é a recordista de vitórias na Indy 500 Foto_ Getty Image Fonte: Globo.com

No endurance, a equipe ficou entre idas e vindas, com destaque para título da classe LMP2 da American Le Mans Series (ALMS) em 2007, com Romain Dumas e Timo Bernhard a bordo de um Porsche RS Spyder EVO. Recentemente, o Capitão também se envolveu com o Supercars Championship da Austrália, como um dos sócios da equipe DJR Team Penske, que conquistou o título de pilotos em 2018 com Scott McLaughin.

Além das muitas glórias e sucesso nas pistas, Roger se mostrou um grande nome de sucesso no ramo empresarial. A Penske Corporation é uma das maiores empresas do mundo no mercado automotivo, com mais de 5 mil funcionários e com companhias de renome, como uma das maiores empresas de logística do mundo, uma cadeia de concessionárias de veículos, a DAVCO Technology (manufatura de transporte de componentes), além da Ilmor (preparadora de motores esportivos), entre outras marcas importantes.

Roger Penske – Sonoma Raceway Wall of Fame – 2015 – Stierch Fonte: Wikipedia

Com tanto sucesso nos seus negócios e no automobilismo, Roger ainda teve a primazia de ser indicado para diversos hall da fama em vários segmentos do automobilismo mundial, especial nos Estados Unidos. Com uma vida longeva e a sede de vitória ainda inextinguível, o nome Penske ainda segue como uma das grandes referências do esporte a motor.

Consagrado nos Estados Unidos Roger Penske foi piloto e construtor na Fórmula 1 Fonte: Globo.com

Fonte: Projeto Motor e Wikipedia

lll A Série 365 Dias Mais Importantes do Automobilismo, recordaremos corridas inesquecíveis, títulos emocionantes, acidentes trágicos, recordes e feitos inéditos através dos 365 dias mais importantes do automobilismo.

Eduardo Casola

Sou formado em jornalismo pela Uniso, torcedor do Corinthians e adoro esportes, especialmente automobilismo!