O fim de uma era: o adeus de Prost e a última glória de Senna – Dia 170 dos 365 dias mais importantes da história do automobilismo

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A década de 1980 foi uma das mais marcantes da história da Fórmula 1. A categoria viu nomes importantes se consagrarem mundialmente, elevando o esporte a um patamar midiático jamais imaginado. Nomes como Ayrton Senna, Alain Prost, Nelson Piquet, Nigel Mansell, entre outros, tornaram-se ícones do esporte a motor. Mas, em se tratando da Fórmula 1, este período não acabou exatamente no fim dos anos 80, mas sim em 7 de novembro de 1993.

Ayrton Senna, (BRA) (Lotus), Alain Prost (FRA) (McLaren), Nigel Mansell (GBR) (Williams), Nelson Piquet (BRA) (Williams), GP de `Portugal de 1986. Fonte: @deviantart

A última etapa daquele campeonato foi realizada nas ruas de Adelaide, na Austrália. O título já estava nas mãos de Prost, sacramentado após o GP de Portugal. Em disputa, havia o vice, disputado entre Senna e Damon Hill, os dois futuros companheiros de Williams, já que o brasileiro substituiria o seu rival francês na equipe de Grove para 1994.

Sim, aquela corrida era o capítulo final da história de Prost na Fórmula 1, além do Professor, outros veteranos davam adeus à categoria, como Derek Warwick, inglês que defendeu equipes como Lotus e Brabham em tempos mais difíceis dessas escuderias; e Riccardo Patrese. O italiano fez em Adelaide a sua corrida de número 256, o recorde na história da Fórmula 1 até então e marca só superada em 2008 por Rubens Barrichello.

Com os carros na pista. Senna entrou bastante motivado naquele fim de semana em solo australiano. O brasileiro garantiu a sua única pole naquele ano, sendo a única vez em que a posição de honra não pertenceu a um carro da Williams.

Após duas largadas abortadas, Senna segurou bem os ímpetos de Prost e manteve a ponta na largada. O brasileiro sempre manteve a ponta sem muita ameaça do francês. Hill e Michael Schumacher comboiavam o tetracampeão no começo da prova, na esperança de conseguir um resultado melhor. Para o alemão, a perseguição não durou muito, pois seu motor Ford quebrou na volta 19. Naquele momento, era cedo demais para o início do seu reinado.

Senna seguido das Williams de Prost e Hill. Fonte: @Tumblr

Prost ainda sentiu o gostinho da liderança por algumas voltas, após a primeira parada nos boxes de Senna, mas o francês também precisava parar e voltou ao segundo lugar. O francês não teve um bom rendimento para brigar pela vitória, sendo perseguido por Hill quase toda a prova, até um erro do inglês, que rodou e perdeu tempo, para alívio do Professor.

Ao final das 79 voltas, Senna cruzava a bandeira quadriculada na ponta pela 41ª vez. Em sua despedida da McLaren, o brasileiro erguia o punho e ostentava a bandeira brasileira sob o som do Tema da Vitória pela última vez na vida. Prost se despedia da Fórmula 1 no segundo posto com Hill fechando o pódio.

Senna comemora a sua ultima vitória na F1. Fonte: @Tumblr

Ao chegar nos boxes, a grande surpresa: Senna cumprimentou Prost de forma cortez, diante das câmeras. As homenagens se seguiram na cerimônia de premiação da etapa australiana, com o brasileiro puxando o francês para o alto do pódio, erguendo o seu braço, demonstrando o respeito pelo oponente. Desta forma, chegava ao fim o período de grande animosidade entre os dois, alimentadas pelas confusões nas disputas pelos títulos de 1989 e 1990.

Mal sabiam o que o futuro lhes reservaria naquele momento, no entanto, o abraço entre Senna e Prost encerrava definitivamente uma das eras mais notórias da história do automobilismo.

Como última efeméride, Senna acompanhou naquele fim de semana um show da cantora Tina Turner, que aproveitou para lhe fazer uma homenagem, como deixa para entoar um de seus hits: The Best. Independente dos pensamentos sobre o tema, a música traz a eloquência adequada para simbolizar o que representou os grandes nomes da Fórmula 1 daquela época.

Fontes: Stats F1, Continental Circus e Grande Prêmio

Eduardo Casola

Sou formado em jornalismo pela Uniso, torcedor do Corinthians e adoro esportes, especialmente automobilismo!