O dia de Gunnar Nilsson | Boletim do Paddock

O dia de Gunnar Nilsson – Dia 15 dos 365 dias mais importantes da história do automobilismo – Segunda Temporada

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A Suécia teve um período de grande tradição na história da Fórmula 1. Se hoje em dia só lembramos das peripécias de Marcus Ericcson nos últimos anos, e a geração dos anos 80 e 90 ainda se lembra do nome de Stefan Johansson, o país escandinavo teve sua era de ouro na década de 1970. Muito pela ousadia de Ronnie Peterson, mas também houve outro grande nome a defender a bandeira auriazul nas pistas da categoria: Gunnar Nilsson.

Uma vida breve, mas dedicada ao automobilismo (Blog Pilotos Esquecidos)

Nilsson teve um início de carreira tardio, mas meteórico, começando a correr aos 23 anos, em 1972. No entanto, precisou de apenas quatro anos para chegar à F1. Curiosamente, a oportunidade surgiu após a saída do seu compatriota da Lotus.

Peterson havia se desentendido com Colin Chapman após o GP do Brasil de 1976, prova de abertura da temporada. Para suceder Ronnie, o engenhoso chefe de equipe apostou suas fichas na promessa escandinava. A primeira temporada de Nilsson foi bem regular, terminando em décimo, com 11 pontos.

Para 1977, a Lotus não era a melhor equipe do grid, mas tinha um carro competitivo. Tanto Nilsson como Mario Andretti pontuavam com regularidade e brigavam pelas primeiras posições, geralmente com vantagem para o ítalo-americano.

A chuva embaralhou as cartas em Zolder (GP Expert)

Então, na chuvosa tarde de 5 de junho de 1977, a Fórmula 1 chegava ao autódromo de Zolder para o GP da Bélgica, sétima etapa da temporada. A Lotus mostrou muita força com Andretti na pole e Nilsson em terceiro. Entre eles, a Brabham de John Watson. Pilotos consagrados, como James Hunt e Niki Lauda partiam mais atrás.

Na largada, Watson pulou melhor e assumiu a ponta. Andretti seguia de perto, mas ao chegarem em uma chincane, o ítalo-americano retardou demais a freada, abalroando o piloto da Brabham, assim ambos ficavam fora. Jody Scheckter, então líder do campeonato pela surpreendente Wolf, passou Nilsson e assumiu a ponta.

A chuva parou e a pista foi secando, mas ainda serviu de armadilha para alguns pilotos, caso de Carlos Reutemann, da Ferrari. Logo, os pilotos trocaram os pneus para slick. O primeiro a fazer isso, foi Lauda, que aproveitou a vantagem para assumir a ponta na volta 23.

Nilsson chegou a despencar para oitavo, mas iniciou uma reação incrível, passando a Ligier de Jacques Laffite, a Tyrrell do seu compatriota Peterson, a Shadow de Alan Jones e a March de Vittorio Brambilla. Além disso, contou com o abandono da McLaren de Jochen Mass e o erro de estratégia da Wolf, que trocou os pneus de Scheckter duas vezes devido a uma ameaça de chuva que não rolou. (Posteriormente, o sul-africano abandonaria com problemas de motor).

Com a pista seca, veio o show sueco (GP Expert)

O sueco da Lotus passou a se aproximar volta a volta de Lauda. Por três giros, o austríaco se defendeu enquanto pôde, mas na volta 50, Nilsson se aproximou na chincane e fez a ultrapassagem para assumir a ponta.

Bastou ao escandinavo segurar o ritmo e administrar a vantagem até o final (com direito a volta mais rápida da prova, inclusive) para vencer pela primeira e única vez na carreira, com Lauda em segundo e Peterson em terceiro. Esta também foi a única vez que dois pilotos da Suécia subiram ao pódio juntos na mesma corrida.

Infelizmente, o restante da história de Nilsson não foi nada feliz: o desempenho caiu na reta final do campeonato. Além disso, o piloto se queixava direto de dores de cabeça. Ao fim do ano, o sueco chegou a se acertar com a equipe Arrows, que estrearia em 1978, mas nem sequer chegou a entrar no carro durante aquele ano.

Ao realizar um exame médico, ainda no fim de 1977, Nilsson descobriu que tinha câncer nos testículos em estado avançado. Com a previsão de poucos meses de vida, o piloto partiu para um tratamento à base de quimioterapia para se recuperar. Apesar da situação piorar com o tempo, escandinavo ainda ajudava as crianças internadas no hospital onde fazia seu tratamento.

O baque maior viria em setembro, com a morte Ronnie Peterson. O seu compatriota, que o substituíra na Lotus, sofreu um grave acidente em Monza e, após uma série de erros no resgate e no procedimento médico, não resistiu a uma embolia pulmonar. No enterro, Nilsson estava completamente abatido. Sem os cabelos devido ao tratamento, o seu semblante parecia indicar o desfecho sem esperança. Pouco mais de um mês depois, a doença o venceria, e a Suécia perdia seu segundo grande piloto.

Um ano após a morte de Nilsson, a sua família criou uma fundação com o nome do sueco para incentivar as pesquisas sobre tratamentos contra o câncer nos testículos. A organização é até hoje uma referência na medicina e foi fundamental para a evolução nos procedimentos médicos, elevando o índice de cura nos casos de 10% para 90% no intervalo de 30 anos.

O dia de maior sucesso para a Suécia na F1 (GP Expert)

Apesar de uma breve carreira, Gunnar Nilsson deixou um legado no automobilismo e na sociedade, além de ajudar a Ronnie Peterson a colocar Suécia em lugar de destaque na Fórmula 1.

Fonte: Continental Circus (link 1 e link 2), GP Expert, Stats F1

Eduardo Casola

Sou formado em jornalismo pela Uniso, torcedor do Corinthians e adoro esportes, especialmente automobilismo!