19 de Abril 2009, O Começo de uma Era – Dia 333 dos 365 dias mais importantes da história do automobilismo.

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Fonte: PitPass.com

Após fortes emoções na Austrália, o segundo GP de 2009, na Malásia, foi ainda mais imprevisível. Muita água e diversos acidentes bagunçaram completamente a ordem do pelotão na pista e a pontuação dos pilotos no campeonato mundial, uma vez que a metade dos pontos recebida devido à suspensão da prova deixou alguns com algarismo decimais no bolso. Button saiu de Sepang com duas vitórias em duas etapas e a liderança do campeonato, entretanto, Shanghai prometia ainda mais surpresas para a 3ª etapa do ano.

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A água castigou o circuito já no sábado, gerando diversas mudanças na ordem do grid. Kubica ficou pelo caminho ainda no Q1 e Massa no Q2. Hamilton enfim conseguiu entrar na briga pela pole, entretanto, a 1ª posição dessa vez ficou com Sebastian Vettel, sua segunda pole da carreira e a primeira da história da Red Bull. O alemão foi seguido pela também surpreendente Renault de Fernando Alonso e seu companheiro de equipe, Mark Webber, em 3º. Mesmo com o começo de temporada meteórico, as Brawns tiveram que se contentar com modestos 4º e 5º lugares.

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Mais uma tempestade no domingo, suficiente para forçar uma largada atrás do Safety Car. Com um sábado frustrante, Kubica e Glock decidiram começar a corrida do pit-lane, já Sutil, Rosberg e o 2º colocado Alonso fizeram suas primeiras paradas ainda com o carro de segurança na pista em busca de mais combustível, começando a prova no Fim do Grid. Depois de oito voltas e muita pressão dos pilotos, a prova finalmente recebeu bandeira verde e batalha enfim começou. As duas Red Bulls lideravam a prova e traziam as duas Brawns logo atrás, já Hamilton partiu logo para o ataque e superou Kimi Raikkonen na briga pela 6ª posição. Imediatamente sendo atacado pela Toro Rosso de Buemi, o finlandês reclamou de problemas no motor, iniciando mais um GP complicado para a Ferrari. Enquanto diversos pilotos sofriam com a quantidade de água acumulada na pista, Lewis fazia sua segunda vítima e subia para a 5ª posição. Dois giros depois, Buemi enfim superou Raikkonen, que seria ultrapassado também por Felipe Massa na sequência. Em meio às brigas, o trio teve que evitar a McLaren lenta de Hamilton, que havia rodado na curva 10. O show do suíço no começo da prova não parou nas Ferraris, roubando a 5ª posição da Toyota de Jarno Trulli na 12ª volta.

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O primeiro ponteiro a passar pelos pits foi o 2º colocado Mark Webber, fazendo sua parada na volta 14. O australiano voltou logo à frente da dura batalha entre Trulli, Kimi e Hamilton pela sétima posição e um pouco de estabilidade no piso molhado. Vettel entrou na volta seguinte, ainda calçando pneus de chuva extrema. As duas Brawns agora lideravam a prova e tinham pista livre para tentar buscar o Overcut na Red Bull. Dois giros depois, Kubica foi surpreendido pela Toyota de Trulli que vinha a frente e abalroou completamente a traseira do italiano na última curva. A colisão deixou muitos detritos pelo caminho e forçou o retorno do carro de segurança. Nick Heidfeld e as Brawns se aproveitaram das circunstâncias para realizar seus primeiros pit-stops, Button conseguiu saltar Webber, mas Barrichello permaneceu em 4º. Enquanto isso, Buemi também foi desprevenido e acabou acertando a traseira de Vettel, despedaçando sua própria asa dianteira e estragando um desempenho incrível até o incidente. Ainda antes da saída do Safety Car, Felipe Massa sofreu problemas elétricos e foi forçado a abandonar em plena reta.

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Bandeira verde novamente e Lewis mais uma vez tentando ultrapassar Kimi Raikkonen, agora na briga pela 4ª posição. Hamilton completou a manobra e Barrichello caiu para 7º no mesmo setor. Ao invés de Button aproveitar a 2ª posição para pressionar Vettel, o britânico parecia estar se encaminhando para uma briga com Webber, que vinha em 3º. Tal qual sua vitória em Monza com uma Toro Rosso, Sebastian parecia dominar a prova de maneira inabalável apesar das condições extremas, a chuva simplesmente não amenizava, mas o alemão continuava supremo na ponta. Piquet Jr. e Nakajima passearam pelas áreas de escape na mesma volta, provando que muita água ainda se acumulava no asfalto. A Red Bull de Webber crescia cada vez mais nos espelhos de Jenson Button e a restauração da dobradinha da RBR parecia iminente. O australiano nem precisou tentar uma manobra após ver a Brawn passar reto na penúltima curva no circuito. Com apenas 25 voltas para o final, a equipe austríaca parecia estar muito perto de sua primeira vitória e dobradinha.

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Na volta 37, o líder isolado da prova fez sua última parada nos boxes, voltando em 3º. Enquanto Vettel começava a pressionar Button, Webber entrou nos pits, transformando essa batalha em uma briga pela ponta mais uma vez. Com 16 voltas para o final, o piloto da Red Bull recuperou a ponta, reacendendo as chances da 1ª vitória do time. O britânico parou dois giros depois, restaurando novamente a dobradinha da Red Bull e voltando para a prova em 4º. Rubens repetiu o processo na volta seguinte e entregou o último degrau do pódio para seu companheiro de equipe. Com apenas 13 voltas para o final, o destino parecia sorrir para a RBR pela primeira vez.

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Com apenas 6 voltas para o final do GP, Sutil perdeu o controle de sua Force India e carimbou o muro na curva 5, perdendo uma chance clara de marcar os primeiros pontos da equipe. Todavia, esse podia não ser o dia da Force India, mas certamente era o da Red Bull. A equipe austríaca estava diante não só de sua primeira vitória, como também de sua primeira dobradinha. Vettel se mantinha intocável na ponta, simplesmente imbatível e inabalado pela chuva extrema.

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O alemão venceu de maneira incontestável, o mesmo piloto que havia conquistado o primeiro triunfo da Toro Rosso em 2008 inaugurou a sala de troféus da RBR em 2009. Webber completou a dobradinha e reafirmou o domínio que seria presença constante nos próximos 4 anos. Indiscutivelmente o começo de uma era para uma equipe e um piloto e o primeiro passo de uma jornada de inúmeros recordes e sucessos.

Fernando Brandão Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Formula Legend e no Superlicense de vez nunca.

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