O Brasileiro e a F1

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Por que o brasileiro gosta mais de futebol?

Mas que raio de pergunta é essa? O BP não é um site de automobilismo?

Foto: Equipe do Corinthians na extinta Formula SuperLeague. Fonte pt.dreamstime.com

Correto, mas porque os outros esportes não ‘vingam’ por tanto tempo quanto o futebol em terras tupiniquins? Nós vamos chegar logo às 4 rodas.

Houveram tantos esportes que passaram pelo gosto brasileiro e se perderam… você lembra da onda dos boxeadores? Tínhamos Eder Jofre, Maguila e lá fora Muhamed Ali, George Foreman, Mike Tyson e claro um baita impulso do Rocky Balboa!

lll Mas isso foi para a lona…

Um grande momento do vôlei iniciado nos anos 80 impulsionados pelas Olimpíadas foi o saque Jornada nas Estrelas de Bernard. Nos 90’s e 2000 estava em alta e talvez seja o único esporte que rivalizou em tempo de mainstream com o futebol.

Temos o MMA. Uma arena de combate moderna que aqui não cabe colocar minha opinião, mas agita muito o mundo das lutas corporais.

Entre outros tivemos o Tênis com Guga, o Surf com o Gabriel Medina, o Basquete com Oscar Schimidt (este que vos escreve largou o futebol pelo basquete durante os Jogos Panamericanos de 1987), tendo sua contraparte feminina com `Magic` Paula e a `Rainha` Hortência, entre outras ondas.

É claro que estamos falando de momentos altos de brasileiros no mundo dos esportes. Isso atrai os olhares do público para o esporte em questão e os jovens se espelham nesses heróis e em muitos casos buscam praticar, mas também em muitos casos os largam no decorrer dos anos, ou até em poucos meses porque seu ídolo não está mais no topo.

É um fato que a Formula 1 teve muita projeção com Ayrton Senna. A semente foi plantada por Chico Landi nos anos 50, mas as vitórias e títulos de Emerson Fittipaldi nos anos 70 somados inclusão do Brasil no calendário tornaram a categoria um esporte onde o brasileiro poderia se orgulhar. Nos 80’s, Nelson Piquet e Ayrton Senna tornaram o esporte mais popular ainda tendo este último o título de Melhor Piloto de Todos Os Tempos por muitas das listas que rolam por aí até hoje. Se não foi o melhor, certamente é o mais reverenciado.

Um esporte dinâmico! Que lindo ver Piquet e Senna dividirem pódios! Uma época onde a Formula 1 não era chata! OPS! Não era mesmo? Não era chata para quem?

lll Alguns fatos

Em 1984 no GP do Canadá, Nelson Piquet venceu por menos de 2 segundos de Niki Lauda. Alan Prost terminou em terceiro com 1m28s o quarto lugar ficou uma volta atrás (Elio de Angelis). Do quinto ao nono lugares, os pilotos terminaram duas voltas atrás. Corridão para o Brasil né?

Em 1985, Além de Ayrton Senna vencer seu primeiro GP em Portugal, meteu logo mais de 1 minuto em Michele Aboreto e sua Ferrari e o pobre Patrick Tambay da Renault terminou em terceiro só que uma volta atrás. Mais um corridão para o Brasil né?

Em 1994, Ayrton rodou em Interlagos na curva da junção abandonando a corrida, enquanto o ‘novinho’ Michael Schumacher vencia o GP tendo colocado uma volta em Damon Hill que estava em segundo. Logo que Ayrton abandona, centenas de ‘fãs’ saem do autódromo pois ali já não havia mais nada de interessante para se ver. Nesse momento surge uma das conclusões conhecidas de quem gosta do automobilismo: o brasileiro não gosta de ver a competição, mas sim ver o brasileiro detonando os oponentes.

Fonte: Senna-MatjesWorld

Depois disso, tivemos Rubens Barrichello ridicularizado por não ter os resultados de Ayrton. Isso se agrava mais por ter como companheiro o mito de 7 títulos Michael Schumacher, como se Rubinho não tivesse talento algum.

Felipe Massa, foi campeão por poucos segundos em 2008. Manteve um pouco da chama acesa, mas ainda não estava à altura do que o povo brasileiro estava acostumado.

Nas últimas décadas, mesmo com a explosão de pistas de kart nos anos 90, as categorias de base não conseguiram projetar seus pilotos por diversos motivos, sejam financeiros ou má gestão, enquanto escolinhas de futebol e bolas nas ruas das periferias se multiplicam.

Isso nos leva a situação de hoje. Sem brasileiros na Formula 1, muito menos tempo na TV aberta. VT’s de GP’s em horários alternativos como Canadá e EUA em favor do futebol.

Muito disso, o Amigo Cabeça de Gasolina já está careca de saber, mas você já parou para pensar no lado bom do suposto declínio da Formula 1 no Brasil? A Qualidade!

A qualidade daquele cara que passa a noite na fila em Interlagos, hoje sem necessidade alguma de o fazer, mas que o faz para manter a tradição.

A farra nos setores mais animados quando os motores rugem (bem mais baixos hoje, é verdade) e você olha para o lado com a sensação de que aqueles que ali estão também amam esse esporte que criticam pelo seu bem.

Foto: Visão a partir do setor G, 2016.

O fato de que nós temos o privilégio de estarmos juntos e misturados na torcida pelos 10 times (para citar apenas a F1) sem brigas de torcida.

Vibrar pela ultrapassagem em cima de algum dos nossos ídolos favorecendo arte do ‘gol automobilístico’ independente da camisa que se veste.

Buscar as mídias em busca do melhor das categorias como podcasts, sites como o BP, canais no YouTube entre outros.

Caro Amigo Cabeça de Gasolina, é um prazer imenso saber que você faz parte dessa turma do bem e que está sempre correndo no sentido positivo da coisa. Você é diferenciado e sabe que o automobilismo tem muita gasolina para queimar. Basta a gente mostrar ao mundo que a F1 e o automobilismo não morreram em primeiro de maio de 1994.

Vamos honrar o legado dos que lutaram tanto para fazer o automobilismo grande em nosso país.

Ricardo Bunnyman é um dos defensores de aulas de automobilismo na grade de Educação Física nas escolas e tenta manter a alma da disputa pura organizando campeonato de kart desde 2004, além de host do AutoRadio Podcast.

Ricardo Bunnyman

Ricardo Bunnyman tinha o sonho de ter uma loja de discos que também vendesse HQ's mas virou profissional de TI mesmo tendo cursado psicologia. Como ser músico e/ou DJ não foi possível, se diverte como host do AutoRadio Podcast e fundou o OsKarteiro para que pudesse andar de kart mensalmente com os camaradas.

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