Para Pierre Gasly, a abertura da temporada tem todos os ingredientes para produzir uma cena “daquelas que todos vão lembrar”. Conforme os testes de pré-temporada avançam, os pilotos e equipes estão lidando com alguns problemas, que podem se tornar um desafio no início do campeonato – especialmente em termos de largada.
A apreensão encontra respaldo nas profundas alterações técnicas introduzidas para 2026. A Fórmula 1 inicia um novo ciclo regulatório que mexe simultaneamente com chassi e unidade de potência — e, na largada, esse casamento pode se revelar delicado.
No âmbito dos motores, a retirada do MGU-H altera de maneira sensível o comportamento do turbo. Agora, a responsabilidade de manter o conjunto na faixa ideal de funcionamento recai mais diretamente sobre o motor de combustão interna. Isso exige que os pilotos sustentem rotações elevadas por mais tempo antes do apagar das luzes, um procedimento complexo, sujeito a queimas de largada ou até à entrada do sistema anti-stoll.
Do lado aerodinâmico, também há inquietação. Oscar Piastri já levantou a hipótese de uso de aerodinâmica ativa antes da Curva 1, lembrando que um pelotão com 22 carros e significativa redução de downforce pode transformar os primeiros metros numa equação de alto risco.
Gasly, cauteloso, evita prever desfechos dramáticos, mas reconhece que o cenário é mais intrincado do que em anos anteriores. Segundo ele, as equipes devem encontrar soluções ao longo das próximas semanas ou meses, mas o curto período de testes, indica que Melbourne pode servir como laboratório em plena corrida.
“Aconselho você a ficar sentado com a TV ligada na Austrália, porque este pode ser um episódio que todos vão se lembrar”, falou Gasly. “Veremos, eu mesmo não tenho muita certeza. Mas sim, definitivamente será mais complicado do que costumava ser.”
Nos últimos dias se tornou popular um vídeo do teste de largada de Lewis Hamilton no Bahrein. O heptacampeão mundial estava posicionado ao final do pit-lane, enquanto o especialista técnico da Fórmula 1, Sam Collins, mencionava a possibilidade de a Ferrari ter encontrado um meio de “agilizar” o processo de largada.
Veremos, eu mesmo não tenho muita certeza. Mas sim, definitivamente será mais complicado do que costumava ser. Aparentemente, foi bloqueado por esta equipe. A Ferrari, que não precisa acelerar o carro por tanto tempo. Vamos dar uma olhada.”
PQP QUE VÍDEO BOM KKKKKKKKKKKKKKKKKKpic.twitter.com/fSnBunWv9O
— Estagiário da F1 (@EstagiariodaF1) February 15, 2026
Enquanto isso, a câmera focava na Ferrari, com Hamilton subindo o giro dos motores e levando cerca de 22 segundos, antes de conseguir largar. Pouco depois, Collins é flagrado fazendo uma careta e balançando a cabeça para o processo que não saiu como o esperado.
“Mas, pelo que podemos ver agora, após apenas duas semanas de testes, não vai ser fácil na Austrália”, alertou Gasly.
“Isso faz parte da lista, entre muitas outras situações, que podem não ser fáceis. É por isso que acho que na Austrália, a confiabilidade e a capacidade de chegar ao final da corrida serão o desafio número um e a prioridade número um. E por mais simples que pareça, porque não é algo que diríamos no passado com os carros anteriores, esses carros são extremamente complexos.”
A situação chama a atenção, pois está associada diretamente as questões de segurança. Além disso, isso pode se tornar um problema especialmente para os últimos colocados do grid, pois eles não terão o mesmo tempo de preparo daqueles que se posicionarão no grid – até a bandeira verde que indica a liberação para as luzes. Sem contar, que a demora também afeta a temperatura dos pneus e a aderência.
Questionado sobre a possibilidade de ajustes no procedimento de largada, Esteban Ocon, agora na Haas, defendeu a manutenção das regras como estão. Para ele, a adaptação faz parte do jogo.
“Acho que seria bom se mantivessem como está. Obviamente, estamos trabalhando nisso com a equipe. É claro que o atraso do turbo é um assunto muito importante, mas temos que nos adaptar às regras, e não seria bom para os três primeiros colocados esperarem cerca de 1 minuto e 30 segundos até que os carros parem e entrem na curva 1 com pneus frios.”
“Acho que veremos muito mais dificuldades nas largadas e muito mais diferenças em comparação com os anos anteriores, em que a pior largada era perder uma ou duas posições no grid – agora você pode perder tudo”, seguiu Ocon.
“Então, estamos melhorando aos poucos. Ainda é cedo e, infelizmente, [o Bahrein] não é a melhor pista para largadas, porque a aderência é muito baixa, o que ajuda o motor. Mas, sim, é interessante. Não é como os antigos carros de rali ou os carros antigos com turbos simples, onde você conseguia fazer o motor girar em alta rotação com facilidade. O que fazemos como pilotos não influencia muito nisso. É muito estranho. Mas acho que é igual para todos nós.”
Oscar Piastri também demonstrou a sua apreensão sobre os procedimentos de largada e como isso pode afetar o desenvolvimento das corridas: “A diferença entre uma boa e uma má largada no ano passado era que você tinha um pouco de patinagem das rodas ou um tempo de reação ruim.”
“Este ano, pode ser praticamente como uma corrida de Fórmula 2, onde você entra em modo anti-stall. Você não perde apenas cinco metros ou algo assim. Pode perder seis ou sete posições se as coisas não correrem bem.”
A Fórmula 1 conversará sobre os procedimentos de largada na Comissão da F1, podendo encontrar uma alternativa para alterar a sequência das luzes de largada, seja para ter um tempo mínimo ou para atrasar o tempo mínimo para o último carro se posicionar no grid. Durante a fase de testes no Bahrein, a FIA realizou alguns testes relacionados aos procedimentos de corrida.
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