Meu piloto favorito aposentou, e agora?

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| Erika Prado – publicado em 03 de janeiro de 2016, às 14:24

Este ano terminou de forma muito peculiar, com três aposentadorias de grandes pilotos: Jenson Button, Felipe Massa uma totalmente repentina (e a que mais me afetou), Nico Rosberg.

Eu sou fã do Nico Rosberg. No dia 27 de novembro de 2016, eu assisti as 6 últimas voltas em pé, com um vestido no sofá (porque é a minha roupa da sorte). Desde a ultrapassagem de Nico em Verstappen, eu estava tremendo. Quando a corrida acabou, eu chorei, gritei, pulei…ele foi campeão!

Cinco dias depois: Nico Rosberg se aposenta.

Até alguns dias atrás, parecia um sonho. Mas é a realidade. O que fazer quando o seu piloto favorito se aposenta?
Você fica órfão de um ídolo.

“Será que se eu torcer pra outro, é traição?”
“Pra quem eu vou torcer agora?”
“E se eu começar a torcer pra alguém que tem potencial pra ganhar, vão me chamar de bandeirinha? Modinha? Maria vai-com-as-outras?
“Será que ele vai pra outra categoria?”
Essas e mais uma dezena de perguntas se passam pela sua cabeça.

Eu entendo o grande time de viúvas do Senna agora.
Embora Fórmula 1 nunca perderá a graça pra quem é fã do esporte, perde um pouco da emoção.
Rola uma crise existencial. Até de identidade, porque quem torce por um piloto, se identifica com ele… a gente perde uma referência.
Você não torce mais pro seu favorito. De agora em diante, você torce pro menos pior.

Para mim, Brasileira, foi um gancho de direita e um de esquerda: aposentadoria emocionante de Massa no BR (último papel de trouxa de 2016, aparentemente) Nasr sem vaga e Rosberg aposentado.
Quem vai fazer meus olhinhos brilharem a cada curva? Qual podium vai me emocionar?
Ficam várias lacunas, várias perguntas.

Claramente, como fãs, temos que enxergar também o lado humano.
Será que está cansado? Que quer se dedicar a família? Que perdeu o gosto pela carreira?
Ser fã é ter aquelas dúvidas que nunca serão respondidas se um jornalista não perguntar. E geralmente eles não perguntam.
A todos que estão órfãos de seus ídolos, desejo sorte para encontrar pelo menos um novo “crush” pra torcer e pra se alegrar.
Que o brilho em nossos olhos ao ver os carros passando nunca se acabe, amém.
E cá estou eu, a menos de 100 dias do início da temporada 2017, sem saber o que fazer quando chegar a primeira corrida.
Torcer pra quem tem mais chance de ganhar?  Torcer pro piloto que mais me identifico depois de Rosberg?
Analisar em planilhas de prós e contras quem é o mais legal pra torcer?
Reforçar uma torcida pequena?

Dias difíceis virão. Mas prometo sentir o coração quase parar ao sinal verde em cada corrida, mesmo órfã do meu favorito. Mesmo viuvinha do meu favorito. Mesmo sem um favorito

Erika Prado

Erika Prado, Ericoke, São Paulo - SP Nascida e criada na zona Lost, tornou-se podcaster devido a Bruno Shinosaki, e colunista devido a Rubens GP Netto. Estudante de engenharia mecânica, e apaixonada por qualquer máquina que precise de um coração (motor). Além de fã de automobilismo, é cinéfila e ama música de quase todos os gêneros (principalmente as que dão pra fazer coreografia), gosta de escrever textos como se estivesse contando algo pra alguém ou defendendo alguém em uma conversa, com memes, desenhos e até gráficos. Também ama auto-conhecimento, saúde mental e principalmente: a causa feminista. E não sabe ser breve...