#MassaVeio

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| Por: Carlos Eduardo Valesi

lll Série 365: 25 de Abril – #Massaveio – 02ª Temporada: dia 338 de 365 dias.

Apesar do título da coluna, uma tentativa frustrada de chiste por parte deste que vos escreve, Felipe Massa não é velho. Nascido em 25 de abril de 1981, o piloto brasileiro com mais vitórias pela Scuderia Ferrari (todas as 11 de sua carreira) completa hoje 38 anos, tendo protagonizado momentos que serão lembrados na história da Fórmula 1 enquanto esta for contada.

Nascido na capital de São Paulo mudou-se logo com a família para o interior do estado, indo morar na Capital Nacional do Saci, Botucatu. Seu pai, Titônio, herdou do avô a companhia CAIO, que fabrica carrocerias de ônibus, e já era um cabeça de gasolina amador, competindo em campeonatos de Fórmula Uno. Logo o pequeno Felipe já andava de kart, que era colocado no porta-malas do carro da família e transportado até São Paulo para as competições onde Massa começou a se destacar.

Em 1998 começou a meteórica ascensão do menino do interior: estreou no meio da temporada da Fórmula Chevrolet nacional com 17 anos, e no ano seguinte sagrou-se campeão. Mirando alto e sem paciência, foram embora para a Europa, para participar da Fórmula Renault Italiana. A grana só era suficiente para duas etapas, então ele precisava mostrar serviço rápido, e fez melhor do que isso. A vitória na primeira prova lhe deu moral para arriscar uma rodada dupla na segunda (uma corrida pelo campeonato Italiano e uma pelo Europeu, em Monza). Felipe ganhou as duas, o patrocínio da equipe Cram para o resto do ano e foi campeão em ambas as categorias.

Isso o credenciava para a Fórmula 3, mas ele preferiu um contrato com a Draco Racing na F-3000 europeia. Das 8 etapas foi pole em 6 e venceu outras 6, um desempenho incontestável que o tornou conhecido no circuito europeu. O fato de ser de uma família oriunda da Bota chamou a atenção da Scuderia Ferrari, que fechou contrato com o garoto. Massa foi, portanto, o protótipo e primeiro integrante da Academia de Jovens Pilotos da Ferrari. E sua promoção para a categoria-mãe foi imediata.

lll 2002

Com a partida de Kimi Raikkonen para a McLaren, a Sauber precisava de um piloto para fazer par com Nck Heidfeld. Fornecedora de motores da equipe, a Ferrari acreditou que seria uma boa chance para o brasileiro de 20 anos estrear, mas o passo parece ter sido um pouco maior do que o desejável. Apesar de ter amealhado 4 pontinhos, Felipe foi batido constantemente pelo companheiro de equipe e cometeu muitos erros de principiante, com rodadas frequentes. A colisão com Pedro de la Rosa no GP da Itália lhe rendeu uma corrida de suspensão, e seu substituto na ocasião, Heinz-Harald Frentzen, acabou ficando com sua vaga para o ano seguinte.

lll 2003

O “sabático” de Massa foi o que de melhor poderia ter lhe acontecido. “Rebaixado” para o posto de piloto de testes de uma Ferrari que vinha ganhando tudo, ele passou a temporada inteira ao lado de Michael Schumacher e Rubens Barrichello e, como os testes eram liberados, ganhou uma quilometragem importante. Também estreitou os laços com Nicholas Todt, que seria seu empresário pelo resto da carreira.

lll 2004

Frentzen foi correr de DTM e Heidfeld trocou a Sauber pela Jordan. A equipe suíça trouxe Giancarl Fisichella da própria Jordan e olhou novamente para o brasileiro, que além de estar mais maduro conhecia o motor Ferrari como a palma da mão. Foi uma temporada de retorno, com um excelente 4º lugar em Spa e 12 pontos no campeonato.

lll 2005

Mais uma temporada na equipe de Peter Sauber, e um terceiro companheiro de equipe. Agora Massa dividia os boxes com Jacques Villeneuve. Desta vez Felipe terminou o campeonato à frente do companheiro de equipe (11×9) e, ao final do ano, as peças se encaixaram para lhe dar a grande chance: a Sauber firmou parceria com a BMW, e trouxe de volta Heidfeld, enquanto Barrichello saía da Ferrari. O assento livre ao lado de Schumacher já estava acostumado com a língua portuguesa, e Massa chegou àquela que seria para sempre a sua equipe.

lll 2006

Não foi uma entrada triunfante. Apesar da corrida de recuperação na estreia, no Bahrein (de 21º para 5º), novamente a tendência às rodadas apareceu, bem como uma prova muito ruim na Austrália, com uma colisão na primeira curva. Apesar disso, a confiança não se abalou e ele finalmente sentiu o gosto da champanhe no pódio do GP da Europa em Nurburgring. Logo depois, sua primeira vitória, em um circuito que ele passaria a amar: Istanbul Park viu várias vezes Massa ser o primeiro a receber a quadriculada. Ao final do ano, outra alegria: vitória em Interlagos, a primeira de um piloto brasileiro desde 1993. Os 80 pontos lhe garantiram o terceiro lugar no campeonato, atrás apenas de Alonso e Schumacher.

lll 2007

Michael tinha ido embora, e agora Felipe era o veterano em Maranello. No outro carro vermelho, Kimi Raikkonen. Os dois jovens pilotos fizeram uma belíssima temporada, aproveitando todos os pontos possíveis deixados à mercê pela briga intestina de Alonso e Hamilton na McLaren. Massa conseguiu dez pódios e três vitórias, ganhando de vez o carinho dos tifosi ao deixar Kimi Raikkonen vencer a última prova, no Brasil, e sagrar-se campeão com um ponto de vantagem para Hamilton. A Ferrari foi campeã de construtores.

lll 2008

2008, um campeonato apertado.
Fonte: Reddit

Felipe novamente dividia a mesa do almoço com um campeão do mundo, porém não quis fazer o papel de segundo piloto. Novamente o início do ano foi complicado, com Felipe errando bastante no Bahrein (uma rodada na primeira curva, seguida de uma colisão com Coulthard e, quando não tinha mais expectativas, um abandono por problemas de motor). Na prova seguinte, na Malásia, largou da pole, perdeu a posição para Kimi nos pits e acabou abandonando após rodar sozinho na volta 31, quando estava em segundo lugar. Os rumores de que não conseguia dirigir sem o controle de tração, proibido para aquele ano, foram imediatamente substituídos com uma sequência de quatro pódios, incluindo as vitórias no Bahrein e na Turquia. O GP da Inglaterra também não foi seu melhor momento: em uma pista molhada, um recorde de cinco rodadas na mesma corrida e um humilde 13º lugar. Mas em pouco tempo o campeonato se resumiu à briga entre Massa e Hamilton, e Felipe não conseguia abrir vantagem por uma série de infortúnios alheios à sua vontade: uma falha de motor quando liderava com folga na Hungria e toda a situação de safety-car que se seguiu à infame batida de Nelsinho Piquet em Cingapura, onde para piorar a Ferrari lhe liberou com a mangueira de combustível ainda acoplada ao carro. O campeonato só terminou mesmo na molhada Interlagos, onde Felipe foi campeão por alguns segundos, até Hamilton passar Timo Glock na penúltima curva da última volta e conseguir o quinto lugar que lhe daria o título por um único ponto (em caso de empate, a coroa ficaria com Massa pelo maior número de vitórias, 6 a 5). Foi a decisão mais épica da história da categoria, e o desempenho de Massa durante o ano deu à Ferrari mais um título de construtores. Sua altivez ao enfrentar uma decepção que quebraria o espírito dos mais fortes lhe angariou a simpatia de todos os torcedores, e o chefão Luca di Montezemolo disse que “ele não é mais a próxima esperança. Felipe não é o número 2, é um competidor real, um grande campeão e um grande homem”.

Ao cruzar esta linha, Massa foi campeão do mundo. Pena que não durou.
Fonte: Reddit

lll 2009

O estrago.
Fonte: Reddit

Com toda essa moral, a expectativa era de mais um grande ano. Só que aquela maldição de início de temporada novamente atrapalhou os planos de Felipe. Uma corrida difícil que culminou com abandono na Austrália, um erro de cálculo no tempo de liberação dos boxes que o deixou no Q1 na Malásia, mais um abandono na China e um problema de KERS que o deixou longe dos pontos no Bahrein. A partir da Espanha, a zica deu uma trégua e as apresentações do brasileiro foram mais consistentes, porém não dava para encarar as mágicas Brawns. Seu único pódio veio na sua última participação no ano, um terceiro lugar na Alemanha. Na prova seguinte, durante os treinos livres para o GP da Hungria, o grande susto: uma mola de cerca de 800g se soltou da suspensão do carro de Rubens Barrichello e caprichosamente achou seu caminho até um ponto frágil do capacete de Massa, que vinha em seguida. O impacto, calculado em mais de 150 kg, se deu na junção da viseira com o capacete, próximo ao olho esquerdo do piloto, que apagou na hora. Levado ao hospital, constataram fraturas nos ossos do crânio e um pequeno hematoma cerebral, que obrigou os médicos a sedar o paciente para um melhor tratamento. Felizmente a recuperação de Massa foi rápida como sua ascensão na carreira, e nove dias depois ele já estava no Brasil, onde passaria o resto do ano recuperando-se do trauma. Como um belo presente de consolação, no final de 2009 seu filho nasceu.

lll 2010

Era hora de voltar ao trabalho, e com gente nova no pedaço. O novo companheiro de equipe de Massa seria o bicampeão espanhol Fernando Alonso, que logo dominou a equipe e a moldou de forma a conseguir o que queria. Massa terminou em um impressionante segundo lugar na primeira prova, no Bahrein, e com um terceiro posto na Austrália, foi o primeiro a comentar que não estava acostumado a um início de campeonato tão bom. Uma sétima posição (partindo de 21º) na Malásia lhe deu a liderança do campeonato, mas provas complicadas e decisões erradas lhe negaram pódios até a 11ª etapa da temporada, na Alemanha. Já bem atrás no campeonato de construtores, quando se viu à frente do pelotão chega pelo rádio a fatídica notícia: “Felipe, Fernando is faster than you”. Rob Smedley desculpou-se logo em seguida por ser o detentor de más notícias, mas o código era claro, e a Ferrari queria maximizar os pontos do piloto com mais chances. Massa viu-se obrigado a dar passagem ao espanhol, em um evento que causou uma rachadura na esperança de todos que torciam para ele. Foi um campeonato sem vitórias.

lll 2011

Se o ano anterior lhe negou o degrau mais alto do pódio, em 2011 Massa sequer participou da festa após as provas. Um monte de quintos e sextos lugares o colocaram como o segundo piloto da terceira equipe do campeonato.

lll 2012

Depois de um ano para esquecer, outro. Felipe começou 2012 como sempre – um abandono após colisão com Bruno Senna na Austrália, seguido de duas corridas fora dos pontos. Mas infelizmente a situação não melhorou com o passar do campeonato, e um pódio só veio a aparecer na segunda metade do ano, com um vice no Japão. Mais um degrau inferior do pódio no Brasil, e foi isso. Apesar de ter feito 122 pontos, Felipe só conseguiu a sétima posição do campeonato.

lll 2013

No que seria seu último ano na Ferrari, Felipe fez o possível para levar o carro mais à frente, porém seu ciclo tinha terminado. Ele terminava as provas quase sempre nos pontos, mas não ameaçava os líderes em nenhum momento. No GP da Espanha, um terceiro lugar marcou seu último pódio com a Scuderia. Ao final do ano seria anunciado que Massa estava de partida para a Williams, e que seu antigo companheiro Kimi Raikkonen seria seu substituto.

lll 2014

Mudando de rumo na carreira.
Fonte: Reddit

Casa nova, período de adaptação. Felipe Massa ocuparia o lugar de Pastor Maldonado na Williams, pela primeira vez correndo com um motor que não era Ferrari. Seu companheiro de equipe era o finlandês Valtteri Bottas. E, mais uma vez, um início devastador (para o ano dele): obliterado por Kobayashi na estreia, teve que acatar ordens do time e dar passagem ao companheiro de equipe na Malásia, e seguiram-se um pit stop demorado na China, uma colisão com Perez no Canadá. No GP da Áustria uma pausa para respirar, com uma pole position que não vinha desde Brasil 2008, mas na sequência mais dois abandonos por acidentes na Inglaterra e na Alemanha. Tudo parecia assustador, mas no final do ano as coisas começaram a encaixar. O primeiro pódio veio no GP da Itália, um terceiro lugar no mesmo dia em que sua renovação de contrato foi anunciada. Outro pódio veio no Brasil e, para fechar o ano, um segundo lugar em Abu Dhabi.

lll 2015

Sem a desculpa de estar se adaptando ao carro, Massa sabia que precisava começar bem o ano. O esforço deu resultado, e a asa negra de março e abril não se abateu sobre ele. Uma quarta colocação na Austrália, um sexto lugar na Malásia e um quinto na China deram esperança de um ano melhor, mas o carro não passaria muito disso. No final ele conseguiu duas terceiras colocações (Bottas também subiu ao pódio nesta posição duas vezes), e a sexta posição do campeonato, um posto atrás do companheiro de equipe.

lll 2016

Em 2016 a Williams entrou em declínio, e nada que Massa fizesse parecia dar resultado. Um início mediano (5º-8º-6º-5º) foi seguido por apresentações fracas do conjunto carro-piloto, e terminar nas últimas posições que pagavam alguns pontos era considerado vitória. Em setembro, durante o GP da Itália e diante dos tifosi que ainda o adoravam (seu pódio lá no ano anterior seria o último da carreira), ele anunciou a aposentadoria ao final do ano. No Brasil, debaixo de chuva, Felipe fez o que todos pensavam ser a sua última corrida em casa. Nem mesmo a batida que o fez abandonar foi capaz de minar a admiração de milhares de torcedores por ele, e a sua caminhada enrolado numa bandeira nacional enquanto era ovacionado pela torcida foi de fazer marmanjo chorar. Confesso que este escriba estava lá e fez cosplay de Roy Batty, derramando lágrimas na chuva. Massa, que tinha sido diretor da Associação de Pilotos, e querido por onde passou, foi cumprimentado por todos ao caminhar em frente aos boxes das outras equipes.

Felipe Massa, do Brasil.
Fonte: Reddit

Só que Nico Rosberg tinha outros planos para eles.

lll 2017

Após conquistar o título no ano anterior, o alemão da Mercedes surpreendeu a todos avisando que iria parar de correr. A montadora germânica olhou para o grid e achou que Bottas era a melhor opção, e o finlandês que de bobo não tinha nada aceitou rapidamente. Claire Williams se viu com um piloto pagante estreante (Lance Stroll) e um assento vazio, e provavelmente numa madrugada de bebedeira resolveu ligar para o ex. Massa aceitou servir de Obi-Wan para o canadense e convenceu a galera de casa que só mais um ano não faria mal. Correndo sem pressão de resultados, tirou o que podia de um carro que era consideravelmente mais lento do que os líderes. No Azerbaijão, com ritmo forte e belas ultrapassagens, estava em uma segunda posição confortável e teria vencido a corrida se mantivesse a performance, mas uma suspensão quebrada o tirou da prova. Terminou sua carreira na Fórmula 1 com sensação de dever cumprido, à frente do companheiro de equipe, e deixando centenas de amigos e admiradores.

Agora sim, a despedida.
Fonte: Reddit

Há um ano Massa anunciou que estava partindo para uma nova aventura, fechando com a monegasca Venturi para a temporada 2018/2019 da Fórmula E. Após sete das 13 datas, uma quinta posição foi o máximo que conseguiu, depois de um início de ano difícil, como de costume. Só que o costume também é de passar o período de adaptação e mostrar talento e velocidade, então eu não me espantaria se voltasse a encontra-lo com frequência no seu lugar de direito, na turma da frente do pelotão.

lll FORA DAS PISTAS

Em 25 de abril de 1953 Francis Crick e James Watson publicavam seu artigo demonstrando a estrutura do DNA, e mudavam a biologia para sempre. Nosso herói Felipe Massa divide o aniversário com Guglielmo Marconi, que nos deu o rádio e, por consequência, o podcast, o bluesman Albert King, Michael Corleone, ou melhor, o diabo, quer dizer, Al Pacino, um dos melhores jogadores de futebol de todos os tempos, o holandês Johan Cruijff e diva Ella Jane Fitzgerald, a Rainha do Jazz e Primeira Dama da Música. Fiquem com Ella.

lll A Série 365 Dias Mais Importantes do Automobilismo, recordaremos corridas inesquecíveis, títulos emocionantes, acidentes trágicos, recordes e feitos inéditos através dos 365 dias mais importantes do automobilismo.

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Carlos Eduardo Valesi

Velho demais para ter a pretensão de ser levado a sério, Valesi segue a Fórmula 1 desde 1987, mas sabe que isso não significa p* nenhuma pois desde meados da década de 90 vê as corridas acompanhado pelo seu amigo Jack Daniels. Ferrarista fanático, jura (embora não acredite) que isto não influencia na sua opinião de que Schumacher foi o melhor de todos, o que obviamente já o colocou em confusão. Encontrado facilmente no Setor A de Interlagos e na sua conta no Tweeter @cevalesi, mas não vai aceitar sua solicitação nas outras redes sociais porque também não é assim tão fácil. Paga no máximo 40 mangos numa foto do Button cometendo um crime.