Mark “Captain Nice” Donohue – Dia 301 dos 365 dias mais importantes da história do automobilismo.

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 Pin It Share 0 Filament.io 0 Flares ×

Mark Neary Donohue Junior resolveu ser um cabeça de gasolina diplomado. Nascido em um 18 de março de 1937 em Nova Jersey, ele só começou a correr com seu Corvette 57 quando já estava na faculdade de engenharia mecânica.

Marcão Sorrisão. Fonte: Pinterest

Dono de uma personalidade para lá de agradável, com um eterno sorriso no rosto (nada tão Joker quanto o Ricciardo, mas ao invés disso uma coisa mais Fofão do Balão Mágico), Mark logo conquistou o paddock inteiro, ganhando o apelido de Captain Nice, tirado de um seriado do final dos anos 60. Se fosse nos anos 80, o pessoal o chamaria de Peter Perfeito, aquele da Corrida Maluca.

Captain Kirk, mas pode chamar de Nice. Fonte: Pinterest

Ainda no campo das referências pop obscuras do tiozão aqui, podemos dizer que Donohue era um Brainiac dos boxes; graças à educação formal, ficou conhecido como um exímio acertador de carros, e olha que correu com alguns dos mais clássicos de todos os tempos: AMC Matador, Camaro, Ford GT 40, Ferrari 512, McLaren M16, Porsche 911, Mustang GT350R e Shelby Cobra.

Só que simpatia, diploma e disposição para sujar a mão de graxa não eram suficientes para se dar bem naquele tempo. Por sorte, Mark tinha outra habilidade: era rápido, vencendo a primeira prova oficial que disputou (e sem passar por toda aquela história de kart, papai levando o filhinho superdotado, o escambau). O braço acabou angariando amigos, e em 1966 a Ford o colocou em um assento na Holman e Moody para correr as 24h de Le Mans em um GT-40. Infelizmente o carro só durou 12 voltas, mas naquele mesmo ano Mark conseguiu um terceiro lugar em Daytona e um segundo em Sebring, além de conhecer um cidadão que iria se tornar seu BFF: Roger Penske, que o colocou para correr em Watkins Glen em junho.

Em 67 Donohue correu a Le Mans pela Ford novamente, dessa vez na Shelby American Racing e ao lado de Bruce McLaren, chegando numa boa quarta posição. Em 69 fez um sétimo lugar nas 500 milhas de Indianápolis na sua primeira corrida lá (e também a primeira da Penske), e ganhou o prêmio de estreante do ano. Nessa época também estava dando suas voltas na NASCAR. Ou seja, onde tinha cheiro de borracha queimando (EPA!), tinha a presença do tio Mark, com aquela cara de filho mais velho de sitcom americana.

Fonte: Motorsport

Estreou na Fórmula 1 no GP do Canadá de 1971, num chassi McLaren patrocinado por Penske. Ele subiu ao pódio em 3º lugar nesta corrida, atrás de Jackie Stewart e de Ronnie Peterson, e à frente de seu companheiro de equipe Denny Hulme e de nomes mais conhecidos, como François Cévert, Emerson Fittipaldi, John Surtees e Mario Andretti. Apesar de ser a penúltima corrida do ano (ele não conseguiu se classificar para o GP dos USA), a posição lhe deu o 16º lugar no campeonato de pilotos.

Sem lugar na categoria rainha no ano seguinte, continuou correndo em tudo que pudesse. No ano seguinte venceu a 56ª Indy 500 pela Penske, estabelecendo um recorde de velocidade média de quase 163 mph (mais de 206 km/h) que durou 12 anos. Em 73 ele ajudou os engenheiros da Porsche a criar um monstro. O 917-30 turbo 5.4 litros girava entre 1100 e 1500hp e, quando os alemães perguntaram para ele se o motor finalmente tinha potência suficiente, o cowboy respondeu que “ele nunca vai ter potência suficiente até que eu possa patinar as quatro rodas no final da reta em qualquer marcha”. Em 75 ele estabeleceu um recorde de 11 anos como maior velocidade média, fazendo 355 km/h no circuito de Talladega. Esse carro ficou conhecido como o Can-Am Killer, só perdendo uma corrida do campeonato de 1973 e sendo considerado um dos carros de corrida mais poderosos e dominantes já criados.

Mas a pressão estava grande, e o “Captain Nice” foi se transformando em “Dark Monohue”. Após a morte de seu amigo David “Swede” Savage nas 500 milhas de 1973, Mark decidiu se aposentar. Ma non troppo, como dizia meu avô.

Em 1974 seu velho chapa Roger o chamou para participar das duas últimas etapas da temporada de Fórmula 1 com um chassi próprio, o PC1. Donohue terminou o GP do Canadá em 12º, mas acabou abandonando o GP dos EUA.

O plano era arrebentar em 1975. Embora ainda não estivessem em condições de disputar com as grandes, a Penske conseguiu um 5º lugar nos GP da Suécia e da Inglaterra. O grande problema era a confiabilidade, uma vez que o carro abandonou 3 das primeiras 6 corridas.

No GP da Bélgica Penske abandonou o problemático PC1 e começou a usar o March 751. Poucos dias depois de bater aquele recorde em Talladega, Donohue chegou no Österreichring para a corrida. Durante os treinos um pneu furado o fez perder o controle do carro na Vöest Hügel (ainda bem que estou escrevendo e não falando estas coisas), matando um fiscal por conta dos destroços levantados no acidente. Milagrosamente, Donohue só quebrou uma perna. Só que ele tinha parado o carro usando sua cabeça contra um poste. A caminho do hospital, Mark começou a reclamar de dor de cabeça. Isso foi piorando, até o americano entrar em coma por uma hemorragia cerebral e morrer em 19 de agosto de 1975, com 38 anos e muitos e rápidos quilômetros rodados.

Muitos acham que sua mente analítica de engenheiro e a gasolina correndo em suas veias, além da tutela de Penske, o fariam o melhor chefe de equipe já visto. Já Bobby Allison, que correu com ele, achava que Mark Donohue foi o melhor piloto que os Estados Unidos já produziu e, se tivesse tempo suficiente – talvez mais um ano – ele poderia se tornar o primeiro campeão mundial nascido nos USA.

“Se você consegue deixar duas listras pretas da saída de uma curva até o ponto de freada da próxima, você tem potência suficiente”. Fonte: AZ Quotes

FORA DAS PISTAS

Nasceram em 18 de março Peter Graves, o Jim Phelps de Missão: Impossível (a série, não a franquia de filmes), o escritor americano John Updike, o piloto italiano Alex Caffi, Adam Levine do Marron 5 e do The Voice (esse eu coloquei aqui para fazer média com minha filha mais velha), Timo “Cadê o” Glock e Jerry Cantrell, o cérebro musical do Alice in Chains, conhecido como “Riff Lord”. Vamos ficar com uma dele.

Carlos Eduardo Valesi

Médico, marido, pai, atleticano, roqueiro, podcaster, jogador de poker e fã de F1. Nem sempre nessa ordem.. Nosso membro Ferrarista é frequentador assíduo do autódromo de Interlagos e para ele, Schumacher foi o maior de todos. Também baseado em Curitiba, é o comandante do notório podcast Edição Rápida, de literatura. Esta é sua conta no Twitter, notoriamente bloqueada por Barrichello, o que não chega a ser uma surpresa para quem ouve o programa.

%d blogueiros gostam disto: