Mansell, Prost, Senna e Piquet em dia de título da Williams | Boletim do Paddock

27 de Setembro – Mansell, Prost, Senna e Piquet em dia de título da Williams – Dia 129 dos 365 dias mais importantes da história do automobilismo – Segunda Temporada.

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Que a temporada de 1987 foi épica todos vocês sabem. Então cada vez que podemos falar dela, não dá pra escolher outro assunto. Hoje vamos falar de despedidas, vitória, recorde e brilho em Jerez de La Fronteira.

O Grande Prêmio da Espanha de 87 foi disputado no dia 27 de setembro, uma semana após a prova portuguesa no Estoril. Foi em terras lusitanas aquela famosa foto dos quatro pilotos que disputavam o título sentados no muro do pitlane, e com uma improvável e maiúscula vitória naquele dia Prost embolava ainda mais o campeonato. A tétrade famosa chegava em terras hispânicas com as seguintes pontuações: Piquet tinha 67 pontos, Senna um pouco atrás vinha com 49, tendo Mansell com 43 e Prost com 40 colados na tabela.

O qualifying provou a superioridade das Williams, com uma dobradinha na primeira fila. Mansell largava em segundo, enquanto Nelson Piquet se despedia sem saber da posição de honra, marcando sua 24ª e última pole position. Uma surpresa italiana os seguia: Berger e Alboreto reservavam a segunda fila para as Ferrari, restando à Senna alinhar sua Lotus na quinta posição, ao lado da Benetton de Teo Fabi. Prost teve que se contentar com o início da quarta fila.

Fonte: Grand Prix 247

Na largada Nelson mantém a dianteira e Senna, em bela manobra, faz um arco por dentro e ganha a posição dos dois pilotos de Maranello. No final da primeira volta, na última curva antes da reta principal Mansell mergulha por dentro e toma a dianteira. Piquet ainda tenta dar o troco, mas tem que se defender do compatriota no carro amarelo que queria se aproveitar e não consegue. Para quem só se interessa por vitória, o texto acaba aqui: Mansell disparou na frente, não perdeu a primeira posição nem quando parou para trocar pneus e venceu com folga.

Aos que continuaram, uma boa notícia: ainda teve muita corrida. Foram 72 voltas no total, e Senna sabia que seu carro, embora muito rápido nas retas, não era sequer razoável na parte mista do traçado, e que sua única chance de conseguir uma boa colocação seria não parar para trocar seus pneus. Era arriscado, mas valia a pena tentar. Assim, quando Piquet entrou nos boxes (e demorou muito para sair, pois a equipe não fez um bom trabalho), Ayrton herdou uma segunda posição que venderia muito caro a quem tentasse.

Fonte: Motorsport Images

O circuito de Jerez tinha muita areia em volta e, por causa do vento, dentro da pista. Então era difícil sair do trilho, pois a aderência ia embora junto. Dessa maneira, na metade final da corrida, quando um verdadeiro trenzinho se formou atrás da Lotus, Senna usou de todo seu talento (e de manobras que hoje seriam consideradas no mínimo indelicadas) para manter atrás de si Prost, Piquet, Boutsen, Alboreto, Johansson…

Fonte: Turnology

Faltando 10 voltas para o final da prova, o desgaste de correr no limite, tão perto tanto dos carros da frente quanto dos de trás, foi cobrando seu preço. Ambos os motores Ferrari fumaram, deixando a Scuderia zerada. Os calçados de Ayrton não eram mais capazes de manter um ritmo competitivo, e ele foi sendo superado pelo pessoal que vinha atrás. Piquet tenta forçar para alcançar o inglês, mas comete um erro, roda, sai da pista e perde posições para as McLaren – e ainda acaba se estranhando com Boutsen, que abandona.

Na hora da bandeirada Nigel, que já vinha administrando a vantagem há tempos cruza a linha com 22 segundos de vantagem, com um cerebral Prost na segunda posição (com isso, o francês superava Niki Lauda esse tornava então o piloto a mais vezes a fazer aulas de step para subir ao pódio, num total de 55 vezes) e a outra McLaren, de Johansson, que havia saído lááááá da 12ª posição garantindo um terceiro lugar. Piquet ficou em quarto, Senna ainda pontuou com uma quinta colocação e fechando a zona que paga veio a Lola de Philippe Alliot, amealhando seu primeiro pontinho da carreira (o francês ainda conseguiria outros seis até 1994). Provando que a gente chora de barriga cheia, Martin Brundle, que chegou em 11º lugar com sua Zakspeed, descreveu a prova como “o dia em que saí do carro pensando que nenhum humano poderia ter feito melhor”.

Fonte: Viktre

No campeonato as coisas embolavam. Prost mantinha a quarta posição, com 46 pontos e chances matemáticas de um título milagroso, Senna caía para terceiro com 51, e Mansell assumia a vice-liderança, a 18 pontos do líder Piquet (52 a 70), com 27 ainda a serem disputados.

A Williams, tranqüila e feliz, saía da Espanha há exatos 31 anos com o bicampeonato de construtores, o seu quarto título na história.

lll FORA DAS PISTAS

Dia 27 de setembro é aniversário daquele que é o repositório de toda sabedoria e ignorância da humanidade ao mesmo tempo. Parabéns, Google.

Também completam translações hoje a atriz Gwyneth Paltrow, o jogador de futebol Francesco Totti, a canadense e eterna adolescente Avril Lavigne (ela fez três anos no dia deste GP) e do goleiro Raul Plasmann.

E há 32 anos um acidente nos tirava aquele que talvez tenha sido o melhor de todos os baixistas da história do rock and roll. RIP Cliff Burton.

Carlos Eduardo Valesi

Velho demais para ter a pretensão de ser levado a sério, Valesi segue a Fórmula 1 desde 1987, mas sabe que isso não significa p* nenhuma pois desde meados da década de 90 vê as corridas acompanhado pelo seu amigo Jack Daniels. Ferrarista fanático, jura (embora não acredite) que isto não influencia na sua opinião de que Schumacher foi o melhor de todos, o que obviamente já o colocou em confusão. Encontrado facilmente no Setor A de Interlagos e na sua conta no Tweeter @cevalesi, mas não vai aceitar sua solicitação nas outras redes sociais porque também não é assim tão fácil. Paga no máximo 40 mangos numa foto do Button cometendo um crime.