Lucas Di Grassi conversa com o Boletim do Paddock

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O automobilismo brasileiro é promissor. Só no ano de 2019, brasileiros obtiveram vitórias em Le Mans e em campeonatos de Fórmula, como a Fórmula 2 e Fórmula 3, que são umas das portas de entrada para a Fórmula 1. O campeão da temporada 2016/17 da Fórmula E pela Equipe Audi Sport ABT Schaeffler, Lucas Di Grassi, conversou com o Boletim do Paddock sobre o atual cenário e o futuro do automobilismo nacional. Além da Fórmula E, Di Grassi teve uma breve passagem na Fórmula 1 em 2010 competindo pela Equipe Virgin Racing, e, em 2016, foi vice-campeão do World Endurance Championship pela Equipe Audi Sport Team Joest. Confira a entrevista na íntegra:

Boletim do Paddock: Lucas, como você enxerga o presente e o futuro do automobilismo brasileiro?

Lucas Di Grassi: Hoje em dia estamos numa situação um pouco crítica pois o investimento em infraestrutura é limitado… O foco do Brasil, obviamente, não é investir em infraestrutura de automobilismo. Precisamos de investimento privado e investimento pra base. Eu creio que o mais importante é apoiar este pilar. Tendo uma base forte, vamos ter mais jovens começando e isto vai gerar mais interesse. Isto vai gerar uma melhoria a longo prazo. Eu espero  que aumente a Bolsa Atleta e a Lei de incentivo ao esporte pra base. Hoje em dia há uma concentração de renda. Você paga o imposto e o incentivo vai para alguém que não precisa mais. O cara que está na Fórmula 3 e Fórmula 2 não precisa do incentivo do Estado. 

B.P.: Qual é a mensagem que você pretende passar para as futuras gerações?

L.C: É uma pergunta muito interessante. Eu vivo para o meu legado. O que a gente tem feito através  da Fórmula E, um automobilismo elétrico e sustentável, terá um impacto muito grande no mundo e no Brasil. Esse é um dos meus legados. Ter sido um dos primeiros pilotos a acreditar na Fórmula E e ter sido o primeiro piloto a vencer uma corrida de Fórmula E da História… Ter ganhado um campeonato, enfim… Eu também luto pelos sistemas autônomos em competições amadoras para proteger os pilotos. Por exemplo, com sistemas autônomos, o que aconteceu com o Dirani lá em Estoril, não aconteceria. O sistema conseguiria salvar o carro de alguma outra forma. Quando a gente, no futuro, olhar para trás, nos perguntaremos como não havia sistema autônomo para pilotos amadores. Eu quero tentar melhorar o automobilismo, fazendo-o mais sustentável, de baixo custo, com mais gente praticando. Tentar direcionar o investimento do Estado pra base, na minha visão política. É necessário transferir este investimento pra base, por kart… Se eu conseguir fazer um pouco disso, melhorar o esporte que eu tanto gosto, já estarei feliz.