Hill Batalha o Improvável e Bate na Trave • BP • Boletim do Paddock

Hill Batalha o Improvável e Bate na Trave – Dia 81 dos 365 dias mais importantes da história do automobilismo – Segunda Temporada

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A vitória heróica do veterano Gerhard Berger em Hockenheim não só trouxe um lampejo de esperança para a Benetton, como também colocou uma velha nova cara no lugar mais alto do pódio. Agora em Hungaroring, um britânico tentaria realizar o mesmo feito carregando outra equipe apagada, mas dessa vez a trajetória contava com alguns obstáculos adicionais.

Michael Schumacher começou a defender sua liderança no mundial de pilotos já no sábado, garantindo a pole position e dividindo a 1ª fila com seu rival em 1997, Jacques Villeneuve. Em contrapartida, a 3ª posição não era ocupada pelas ponteiras Ferrari e Williams, mas sim pela Arrows do então campeão mundial Damon Hill, que surpreendeu com uma classificação espetacular. O britânico era seguido por Mika Hakkinen e Eddie Irvine. Voltando a realidade normal, Berger era apenas o 7º e Coulthard teve que se contentar com a modesta 8ª posição no grid.

Foto de: LAT Images

O já conhecido lado sujo de Hungaroring se provou perverso mais uma vez quando Villeneuve e Hakkinen tiveram um salto terrível na largada de domingo. Hill e Irvine se aproveitaram para superar seus rivais e começarem a perseguição ao líder, Schumacher, que começou a prova de maneira tranquila. Com isso, Damon era agora o segundo colocado com sua Arrows, em um sanduíche de Ferraris com Michael em 1º e Eddie em 3º, Mika era o 4º e Jacques fechava o Top 5.

Foto de: LAT Images

Com 5 giros completados, Hill era o piloto mais rápido da pista e já começava a ensaiar um ataque em busca da liderança. Damon x Schumacher, Ferrari x Yamaha, Bridgestone x Goodyear, o duelo de opostos completos era inimaginável no início da temporada mas a humilde Arrows fazia pressão na gigante italiana e os campeões mundiais dividiam o mesmo segundo na batalha pela ponta. Mais atrás, Eddie perdia rendimento e já era o quinto colocado, entregando o pódio para Hakkinen e a 4ª colocação para Villeneuve. Com suspeitas de furo de pneu, o irlandês prontamente partiu para os boxes e fez sua primeira troca do dia.

Foto de: LAT Images

A batalha entre Damon e Michael desacelerou os dois e permitiu a aproximação dos outros cinco primeiros, que agora eram separados por cerca de 2 segundos. O britânico era claramente mais veloz enquanto Schumacher era valente e extraia tudo de sua Ferrari para defender a ponta. Todavia, o esforço do alemão foi capaz de sustentar apenas 10 voltas, sendo superado pela Arrows logo na primeira curva do 10º giro e se preocupando agora com um possível ataque imediato de Mika Hakkinen. Com apenas uma volta na liderança, Hill já tinha 2.6 segundos de vantagem para a Ferrari, expondo problemas sérios no bólido de Schumacher.

Foto de: LAT Images

Desastre para a McLaren na volta seguinte com o abandono inesperado de Mika Hakkinen após enfrentar problemas mecânicos. Jacques agradeceu a posição gratuita e partiu para o ataque contra a Ferrari problemática de Schumacher, prontamente superando o alemão e recuperando a 2ª colocação da prova. Michael partiu para o boxes no 14º giro e a Williams sorria novamente com seus dois bólidos momentaneamente no pódio. Villeneuve e Frentzen se aproximavam cada vez mais do líder, cortando a vantagem para menos de 3 segundos com 20 giros completados, enquanto Damon tentava se apoiar nos pneus mais duros para otimizar sua estratégia de paradas.

Foto de: LAT Images

Jacques e Coulthard partiram para os pits na volta 24, sendo seguidos pelo líder da prova no giro seguinte. Com todas as paradas dentro da normalidade, Frentzen, ainda sem uma passagem pelos pits, era agora o líder, Hill o 2º e Villeneuve fechava o Top 3. O alemão buscava esticar sua vantagem na ponta antes de fazer sua primeira parada, entretanto, o alemão se viu forçado a abandonar com vazamento de combustível e entregar a 3ª posição para Coulthard, seu 5º abandono em 11 corridas. Com isso, Hill era novamente o líder, mas agora sua diferença para Villeneuve era de 12 segundos, uma vantagem muito mais confortável para ser mantida.

Foto de: LAT Images

Com a aproximação de David, Villeneuve deixou de ser caçador e passou a ser caça, vendo a McLaren do escocês crescer cada vez mais em seus retrovisores. 40 voltas depois da largada, Hill era o líder com extrema tranquilidade e 18 segundos de vantagem para a batalha entre Jacques e Coulthard pela segunda posição, Johnny Herbert era surpreendentemente o 4º colocado com sua Sauber e Michael Schumacher vinha em 5º, sofrendo ataques da Jordan de Giancarlo Fisichella. O italiano eventualmente forçou uma tentativa de ultrapassagem na 1ª curva, rodou sozinho e deixou a prova após deixar o motor apagar, um lapso de inexperiência para o jovem piloto.

Foto de: LAT Images

Preso atrás da Williams, David foi o primeiro entre os ponteiros a partir para a segunda parada, fazendo sua parada na volta 51. Hill e Villeneuve entraram no giro seguinte e enquanto o britânico manteve sua liderança dominante com incríveis 26 segundos de vantagem, o piloto da Williams voltou colado com Coulthard e dependeu de uma espalhada do escocês para recuperar a 2ª posição do GP. Enquanto os dois perdiam tempo brigando entre si, a Arrows de Damon simplesmente sumia na ponta, abrindo uma diferença tão grande que restava ao britânico apenas administrar as voltas restantes para vencer com tranquilidade, ainda que de maneira improvável. Para dar uma perspectiva da raridade da ocasião, o então campeão mundial tinha apenas um ponto somado em 11º etapas enquanto seu companheiro de equipe, Pedro Paulo Diniz, ainda estava zerado e contava com oito abandonos no ano. O caráter inédito de sequer somar pontos tornava esse resultado essencial para a equipe.

Foto de: LAT Images

Com apenas 12 voltas restando, a McLaren de Coulthard também apagou e forçou o abandono do escocês, jogando fora um pódio praticamente garantido e pontos preciosos. A saída de David promoveu Johnny Herbert e sua Sauber para a terceira posição, um resultado espetacular para o britânico. Menos de 10 giros restavam e Hill mantinha agora 30 segundos de vantagem para os rivais mais próximos, tudo estava sob controle e a Arrows estava destinada a sua primeira vitória na categoria com uma verdadeira atuação de gala de Damon. Em segundo, Villeneuve se reabilitava no campeonato e era seguido pela sensação Johnny Herbert, que trazia sua Sauber para um pódio espetacular.

Foto de: LAT Images

Hill liderou 65 voltas de forma dominante, entretanto, com apenas três giros restando o britânico começou a sofrer com problemas no acelerador. Se por um lado a falha não acabava com sua corrida, ela certamente comprometia seu ritmo significativamente e mesmo com uma vantagem tão grande na ponta, esses últimos quilômetros seriam extremamente tensos nos boxes da Arrows. Damon perdeu 8 segundos na volta 75, mais 15 na 76 e ainda abriu a última volta da prova se arrastando pela longa reta de Hungaroring.

Foto de: LAT Images

Apenas 3.2 quilômetros estavam entre Hill e a vitória, contudo, a larga vantagem construía durante a prova não foi suficiente. Ainda no 1º setor do último giro do GP, Jacques Villeneuve alcançou a Arrows e assumiu a ponta, roubando um triunfo que parecia perdido e quebrando corações britânicos ao redor do mundo. Em segundo, Damon terminou a corrida se arrastando e com a certeza de que deveria ser ele no degrau mais alto do pódio e em terceiro, Johnny Herbert capitalizava no caos que dominou a etapa para beber Champagne também.

Foto de: LAT Images

Em mais um GP protagonizado por heróis improváveis, Villeneuve se recuperou no mundial de pilotos e estava agora apenas 3 pontos atrás do líder, Michael Schumacher. A Williams também aproveitou seu 100º GP na Fórmula 1 para somar pontos importantíssimos nos construtores, estando agora apenas a 2 pontos da Ferrari. Com 6 corridas para o final da temporada, 1997 estava completamente aberto.

Foto de: LAT Images

Fernando Brandão Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Formula Legend e no Superlicense de vez nunca.