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Giovanna Amati, sua passagem na Fórmula 1 com a Brabham

A última mulher que foi para a Fórmula 1, Giovanna Amati foi convidada para disputar a temporada 1992 com a Brabham

29 anos desde que a última mulher tentou se classificar para uma corrida de Fórmula 1 – 5 de abril de 1992 em Interlagos para o GP do Brasil. O ano é 2021 e a gente ainda não sabe quando outra mulher terá a chance de participar de uma prova, mas vocês conhecem a italiana Giovanna Amati?

Nascida no dia 20 de julho de 1959, desde muito nova começou a gostar de motores, ela aprendeu a guiar os tratores da família. Em entrevista dada para a BBC em 2015 Amati falou sobre o início desta paixão: “Desde que tinha 8 ou 9 anos, eu adorava dirigir qualquer coisa que podia, até mesmo os tratores da nossa casa no campo. Era uma paixão. Quando eu estava praticando para o meu teste de direção, terinava com o meu amigo Elio de Angelis. Ele me levou até lá”, disse.

Sobre De Angelis era outro piloto italiano que disputou a Fórmula 1 de 1979 até 1985, ele passou pela Brabham (equipe que Amati guiaria em 1992), Shadow e Lotus.

Voltando para Giovanna Amati, ela se tornou pilota passando pela Fórmula Fiat, Fórmula Ford, Fórmula 3 e depois pela Fórmula 3000. Em 1992 faltando dois meses para o início da temporada, a pilota recebeu um convite direto de Bernie Ecclestone.

Antes do convite a italiana estava pensando em ir para os Estados Unidos correr na Indy, passou a tentar levantar o dinheiro para correr na Fórmula 1. Um amigo do pai de Amati se tornou o primeiro-ministro da Itália – Giulio Andreotti – ele levantou o valor necessário para que ela conseguisse correr pela Brabham.

A equipe que já estava mal das pernas, não teria condições de brigar por vitórias naquele ano, o modelo BT60B foi o último carro projetado pelo time. Com um grid que contava com mais de 30 pilotos e 16 equipes, os pilotos precisavam se classificar para participar das provas.

Giovanna Amati, guiando pela BT60B – Foto: reprodução

Na época a Brabham ganhou muito destaque ao contratar uma mulher antes do GP da África do Sul, algo que o time precisava naquele início de temporada.

No entanto, inexperiência de Amati com os carros de F1 tornou a sua passagem bem difícil na categoria, ela acabou rodando algumas vezes durante as sessões classificatórias e não obteve uma vaga para disputar a corrida. Naquela prova Nigel Mansell foi o pole com 1m15s486, Giovanna Amati anotou 1m24s405, a zona de corte era estabelecida após o vigésimo sexto colocado, ela foi a trigésima. Eric van de Poele, companheiro da italiana passou no limite, com 1m20s448.

A diferença para o pole se repetiu nas outras duas provas que Amati tentou se classificar, mas nas provas que seriam disputadas no México e no Brasil, o companheiro de equipe de Amati também não se classificou. A última prova que ela tentou disputar na F1 foi o GP do Brasil em Interlagos, já no GP da Espanha ela não estava mais no grid e foi substituída por Damon Hill – que se tornaria campeão da F1 em 1996 com a Williams.

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A Brabham não terminou a temporada 1992, sua última participação foi no GP da Hungria, a décima primeira etapa do calendário.

Uma mulher competindo naquela época acabava atraindo vários olhares, mas dentro das pistas ou fora dela Amati lidava com algo muito além das críticas: “Existe sexismo o tempo todo, especialmente da mídia. A mídia não gosta de mim, eu nunca entendi o porquê. Também existia sexismo dos pilotos e chefes de equipe. É algo difícil de mudar, mas eu não ligava para eles naquela época e não ligo agora”

Em entrevista retirada da Amazonas Atual, uma frase chama a atenção: “Se você não é bom piloto, eles não se importam. Mas se você é mulher, eles ficam loucos”. Na pista ela acabava se tornando alvo, os adversários acabavam batendo em seu carro. Desde a passagem de Amati, nenhuma outra mulher chegou tão perto de disputar uma Fórmula 1, algumas atuaram como piloto de testes e desenvolvimento, mas não tiveram a oportunidade de participar de uma classificação.

Depois da Fórmula 1, a italiana disputou a Porsche SuperCup, ganhando o campeonato europeu feminino. Ela também competiu no Ferrari Challenge de 1994 a 1996 e participou das 12 horas de Sebring de 1998 com o BMW M3. Amati também escreveu algumas colunas na Itália, falando sobre o automobilismo.

O sequestro

No dia 12 de fevereiro de 1978 ela foi sequestrada, com 18 anos ela foi levada, passou mais de 70 dias com os sequestradores, sendo abusada física e mentalmente. Amati só foi liberado após o pagamento do resgate que passava de 800 milhões de liras. Na época a mídia afirmava que ela havia se apaixonado pelo seu sequestrador e algumas pessoas que conhecem a história de Giovanna Amati hoje, só se lembram dela por este episódio que ocorreu antes da F1.

“Todas as histórias que você lê nos jornais são falsas, completamente falsas. Quando eu saí eu só queria voltar para a minha família e vê-los todos presos.”

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Debora Almeida

Meus olhos brilharam quando eu vi o estilo de pilotagem do Vettel ele despertou o meu interesse pelo esporte e cada vez mais eu queria entender sobre o assunto. Hoje gosto de tirar fotos e escrever textos!

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