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Gestão de pneus, pit-stops e ordem de equipe marcam corrida em Monza

Corrida mais rápida da história da F1 teve duelo estratégico desde a largada, polêmica na McLaren e Ferrari fora do pódio em casa

O GP da Itália de 2025 contou com vitória de Max Verstappen, o piloto conseguiu uma performance segura ao longo da corrida, para conseguir manter os pilotos da McLaren atrás. O neerlandês conseguiu a terceira vitória do ano, mas esse foi um evento que ele elogiou o carro no sábado e no domingo, depois de uma sexta-feira mais complicada.

De modo geral, o carro da Red Bull responde melhor em pistas com downforce baixo a médio como é a configuração de Monza. As atualizações também responderam neste circuito, contribuindo para um bom resultado ser alcançado pelo time austríaco.

O duelo em Monza foi iniciado ainda na sexta-feira, quando os pilotos da McLaren não tinham certeza sobre a sua performance por conta da proximidade com o restante do grid.

Nas primeiras sessões foi possível observar uma Ferrari mais otimista, com Charles Leclerc terminando os três treinos livres como segundo colocado, enquanto Lewis Hamilton abriu o fim de semana na ponta.

Existia muita expectativa para esse evento, mas já estava claro desde o começo que independente de quem fosse o pole ou a disputa travada pelos líderes, essa seria uma corrida para apenas uma parada.

A Ferrari no ano passado provou que a estratégia de apenas uma troca de pneus era a mais rápida e foi dessa forma que Leclerc derrotou a dupla da McLaren – que optou por duas trocas de pneus.

Por falar nos donos da casa, Leclerc tentou levar ao menos o pódio, porém, ao ultrapassar Piastri na largada, o competidor fez um grande esforço para se manter na 3ª posição e isso cobrou muito dos seus pneus, antecipando a parada do monegasco, enquanto outros conseguiram permanecer mais tempo na pista.

Lewis Hamilton também foi rápido no início da prova, galgando posições depois da punição recebida na Holanda, que fez o piloto iniciar a prova do 10° lugar. Se não fosse essa questão, talvez Hamilton também tivesse chance de brigar por esse pódio. O piloto foi o 6° colocado com o término da prova.

É importante lembrar que a corrida foi mais disputada em seu início, com duelos que resultaram na devolução de posição de Verstappen para Norris, quando o neerlandês cortou a primeira curva do circuito e ganhou vantagem. No entanto, o primeiro lugar foi recuperado com um duelo justo com Norris. O começo da prova contou com algumas trocas de posição, mas depois do décimo giro os ponteiros tiveram uma abordagem mais cautelosa para poupar os pneus, enquanto do meio para o final do grid, eles ficaram presos no DRS sem chance de evoluir as suas provas.

Estratégias do GP da Itália – F1 2025 – Foto: Pirelli divulgação

Mesmo com as temperaturas do asfalto um pouco altas durante os treinos livres, os pilotos conseguiram melhorar as suas voltas mesmo em stints mais longos, com pneus mais desgastados. Os compostos médios eram velozes, George Russell até iniciou o Q1 com eles e pediu para contar com esse composto em um novo momento da classificação – mas a equipe optou pela preservação para a corrida.

Pneus disponíveis para cada um dos pilotos no GP da Itália – Foto: Pirelli divulgação

Assim como era previsto, a maior parte dos pilotos iniciou o GP da Itália com os pneus médios, enquanto cinco deles optaram pelos pneus duros para a largada, foram eles: Alexander Albon, Esteban Ocon, Lance Stroll, Pierre Gasly e Isack Hadjar – esses dois últimos por começar do pit-lane.

Os pneus C5 e o mais macio dessa corrida, foi usado por Liam Lawson no começo, mas rapidamente substituído durante a nona volta. Esse mesmo composto só foi aparecer no final da prova, escolhido pela dupla da McLaren para cumprir a regra obrigatória de utilização de dois tipos de pneus, já que Lando Norris e Oscar Piastri fizeram 46 e 45 voltas com os pneus médios, respectivamente.

O raciocínio da Haas com Ocon, da Alpine com Gasly e da Aston Martin com Lance Stroll foi a mesma, mas os pilotos figuraram no final do pelotão, sem conseguir nenhum benefício por largar com os pneus duros ou deixar a parada obrigatória para o final.

Os únicos competidores que se deram bem usando os pneus duros na largada foram Alexander Albon – piloto que largou da 14ª posição e fechou a prova em 7° e Hadjar, pois faturou 8 posições ao começar a corrida dos boxes e ficou com o 10° lugar no final da corrida.

A McLaren consegui ir bem longe com os pneus médios, mas foi Ocon que fez o stint mais longo – fechando 51 voltas com os pneus duros, enquanto Norris conseguiu 46 com os médios e Lawson 9 com os macios.

Uso de cada um dos pneus do GP da Itália – F1 – Foto: Pirelli divulgação

Ainda sobre a estratégia tivemos dois momentos nesta prova, acreditava-se inicialmente que as paradas para aqueles que largaram com os médios começariam na volta 22. Mas alguns pilotos como Oliver Bearman e Yuki Tsunoda pararam mais cedo, em torno da volta 18.

Com essas trocas cedo, os pilotos ficaram presos no trânsito, não conseguindo progredir no grid, pois não é tão simples assim ultrapassar em Monza – dada a configuração aerodinâmica dos carros. Tsunoda ainda sofreu danos no assoalho por conta da batida com Liam Lawson, algo que estragou ainda mais o seu desenvolvimento na prova.

O outro momento aconteceu quando a dupla da Mercedes decidiu parar no giro 27 com Russell e 28 com Andrea Kimi Antonelli. De se certa forma deveria ter desencadeado mais trocas de pneus no grid, mas esse não foi o caso, Leclerc foi chamado apenas no giro 33 – o que para o monegasco foi cedo, já que os líderes esperaram mais tempo para fazer as substituições.

Para o italiano o GP em casa foi mais um episódio complicado em seu ano de estreia, Antonelli ainda foi punido por um incidente com Albon. O competidor, que já tinha pedido terreno depois da largada, prejudicou ainda mais o seu resultado com a punição que custou o 8° lugar.

Com Verstappen substituindo os compostos na volta 37, o neerlandês perdeu a liderança. A McLaren então deixou os seus pilotos em pista esperando um momento melhor para a troca de pneus, pois poderia surgir um Safety Car na pista e eles ganharem uma ida aos boxes gratuita, mas isso também não aconteceu.

O time então se envolveu em uma polêmica, optaram por levar Piastri aos boxes, antes que Norris, para evitar uma troca de posições entre eles. A McLaren foi extremamente competente com o australiano, mas a pistola falhou justamente na troca do britânico, atrasando completamente a sua devolução para a pista.

Piastri então passou pelo companheiro de equipe, mas com uma ordem vinda do pit-wall eles precisaram inverter as posições. O australiano acatou ao pedido da equipe, depois de ser alertado sobre o GP da Hungria de 2024. Mesmo com uma parte da torcida nada satisfeita com a atitude, as “regras Papaya” são superiores às vontades dos pilotos – sendo o justo pelo justo.

Gabriel Bortoleto, nosso representante brasileiro no grid trouxe mais alguns pontos para casa. Fazendo um bom trabalho e com uma corrida sólida, ele representou bem a sua equipe no grid, após o abandono de Nico Hülkenberg antes da largada.

O pit-stop de Bortoleto não foi eficiente como o esperado, pois a demora um pouco além do normal, custou a posição que o competidor tinha lutado com Fernando Alonso no início da prova. Depois de conseguir levar o carro da Sauber ao Q3 e iniciar a prova como o 7° colocado, o máximo foi o 8° lugar neste domingo.

A Sauber não é a melhor referência em termos estratégicos e nem mesmo um dos times mais eficientes nos boxes, mas ao menos o que aconteceu no domingo não foi capaz de tirar Bortoleto do top-10.

“Neste Grande Prêmio, toda a emoção se concentrou nas voltas iniciais, com os pilotos ultrapassando e repassando uns aos outros com manobras emocionantes. Então, uma vez que a situação se estabilizou, a corrida se tornou muito linear, com todos os pilotos tentando estender seus primeiros turnos o máximo possível, dependendo dos compostos que haviam escolhido para a largada”, comentou Mario Isola, diretor de automobilismo da Pirelli na Fórmula 1.

“Ao contrário do ano passado, praticamente não houve granulação hoje e, nesta superfície de pista muito lisa, a degradação do desempenho foi praticamente nula. Isso significava que todos os pilotos podiam escolher mais ou menos o momento de parar nos boxes com base em sua posição na pista, enquanto outros arriscavam ir muito mais longe do que a janela prevista com base em como os treinos livres haviam sido, na esperança de um possível Safety Car, sem ter mais nada a perder.”

“Observamos alguns casos de formação de bolhas no eixo dianteiro, mas não o suficiente para impactar significativamente o desempenho do carro. Em termos de desgaste, fica claro que os pilotos que ultrapassaram a marca de 40 voltas no primeiro turno chegaram muito perto ou, em alguns casos, até ultrapassaram o limite de desgaste, mas sem perda de desempenho.”

A prova mais rápida da história da F1

O GP da Itália de 2025 também entrou para a história como a prova mais rápida já disputada na Fórmula 1. Com velocidade média de 250,706 km/h, Verstappen superou o recorde anterior estabelecido por Michael Schumacher em 2003, que havia marcado 247,586 km/h também em Monza. Vale destacar que do segundo ao 7° colocado, todos cruzaram a linha de chegada em tempos inferiores ao registrado por Schumacher na ocasião.

A McLaren, assim como em 2024, voltou a colocar seus dois pilotos no pódio: Lando Norris ficou em segundo e Oscar Piastri em terceiro. Além disso, Norris ainda registrou a volta mais rápida da prova na última passagem, com 1m20s901, atingindo velocidade média de 257,781 km/h – novo recorde absoluto do circuito.

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Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

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