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Fórmula 1 2026: a revolução técnica que redesenha os carros da categoria

Aerodinâmica ativa, motores eletrificados e redução drástica de tamanho e peso inauguram a maior mudança técnica em meio século

Em março, a Fórmula 1 dará início a mais uma temporada em meio ao auge de seu prestígio global e solidez financeira. Contudo, o horizonte já aponta para 2026, ano que marcará uma inflexão histórica na categoria. Mais do que a chegada de novas equipes, o que se anuncia é um novo regulamento técnico capaz de redefinir a essência dos carros, mudança descrita por dirigentes como “a maior revolução dos últimos 50 anos”.

A amplitude das alterações obrigou equipes e fabricantes a começarem do zero: novos projetos de chassi, novas soluções aerodinâmicas e unidades de potência completamente redesenhadas. Trata-se de um salto conceitual que promete transformar não apenas a estética dos carros, mas também como competem em pista.

Mas, afinal, o que muda nos carros da Fórmula 1 a partir de 2026?

Chassi: carros menores, mais leves e mais eficientes

A primeira grande transformação está nas dimensões. Os carros passam a ser cerca de 30 quilos mais leves, com peso mínimo fixado em 770 kg. A largura máxima será reduzida de 200 cm para 190 cm, enquanto o comprimento também diminui, acompanhado por uma redução de 200 mm na distância entre eixos — que passa de 3.600 mm para 3.400 mm.

O assoalho também encolhe: perde 150 mm de largura, contribuindo para uma filosofia aerodinâmica mais contida. O objetivo é claro — reduzir o efeito do ar sujo e permitir que os carros consigam seguir uns aos outros de forma mais próxima. Estima-se uma queda de downforce entre 15% e 30% e uma redução de aproximadamente 40% no arrasto aerodinâmico, favorecendo veículos mais ágeis e eficientes.

Outra ruptura simbólica é o fim do DRS como se conhece hoje. Em seu lugar, a Fórmula 1 adota asas dianteira e traseira ajustáveis, capazes de alterar sua configuração conforme o trecho da pista, seja para maximizar desempenho em curvas ou eficiência nas retas.

Os pneus mantêm as rodas de 18 polegadas (aprox. 46 cm), mas com mudanças importantes: os dianteiros ficam 25 mm mais estreitos, e os traseiros, 30 mm. A redução contribui para menor arrasto aerodinâmico e diminuição de massa, alinhando-se à nova filosofia técnica.

Motor: eletrificação no centro do projeto

Se o chassi encolhe, a ambição tecnológica cresce nas unidades de potência. A partir de 2026, cerca de 50% da potência total será elétrica. O sistema híbrido fornecerá aproximadamente 350 kW, um salto expressivo em relação aos atuais 120 kW, enquanto o motor a combustão passa a entregar cerca de 400 kW, abaixo dos 550 kW atuais.

Uma das mudanças mais significativas é a eliminação do MGU-H, o sistema de recuperação de energia térmica. Sua retirada simplifica o conjunto mecânico, reduz custos e complexidade, além de tornar a Fórmula 1 mais atrativa para novos fabricantes.

No lugar do DRS tradicional, surge um novo sistema de ultrapassagem baseado em energia elétrica. Um boost será liberado quando um carro estiver a menos de um segundo do adversário à frente, obedecendo regras específicas de gestão energética, reforçando o papel estratégico do piloto e da equipe.

O combustível também entra na era da sustentabilidade. A categoria passará a utilizar e-fuels sintéticos e biocombustíveis de segunda geração, produzidos a partir de resíduos agrícolas e urbanos, consolidando o compromisso da Fórmula 1 com a neutralidade de carbono.

O conjunto dessas mudanças não apenas redefine o carro, mas reposiciona a própria categoria. Em 2026, a Fórmula 1 não buscará apenas ser a mais rápida, quer ser também a mais inteligente, eficiente e relevante para o futuro do automobilismo.


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Rubens Gomes Passos Netto

Editor chefe do Boletim do Paddock, me interessei por automobilismo cedo e ao criar este site meu compromisso foi abordar diversas categorias, resgatando a visão nerd que tanto gosto. Como amante de podcasts e audiolivros, passei a comandar o BPCast desde 2017, dando uma visão diferente e não ficando na superfície dos acontecimentos no mundo da velocidade. Nas horas vagas gosto de assistir a filmes e séries de ação, ficção científica e comédia. Atuando como advogado, também gosto de fazer análises e me aprofundar na parte técnica.

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