Fernando Alonso contra a Muralha Russa

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Fernando Alonso. Bicampeão de Fórmula 1 (2005-2006). Sujeito marrento, com muitas intrigas à sua volta e considerado por muitos um piloto que quer vencer a qualquer preço, até mesmo aceitando que seu companheiro de equipe se jogue no muro.

Essa é uma visão grosseira do que pode definir Fernando Alonso como ele é, mas você imagina o quão frustrante é ser considerado um dos melhores pilotos da atual Formula 1 e ser o mais prejudicado por suas escolhas? Antes de seguir, você pode ter um gosto dessa maré de azar pela visão do nosso colunista Cristiano Seixas aqui O penta perdido de Fernando Alonso.

Com tantas desventuras, saliento um episódio que até hoje me intriga por Alonso ter ‘o caneco’ muito próximo das mãos e mesmo assim ter perdido o título de 2010.

Yas Marina, Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos. A atmosfera de uma final de campeonato após 18 corridas. Fernando Alonso imponente em sua Ferrari largava na terceira posição bem atrás de Sebastian “Sem Título” Vettel que conquistou o direito de estar à frente dos 24 carros do grid (como era divertido ver a sofrência das nanicas lá no fundão).

Entre eles, na segunda posição, estava um desacreditado Lewis Hamilton em sua McLaren. Os seis primeiros a largar estavam em posições bem definidas para segundos pilotos com Jenson Button da McLaren em quarto, Mark Webber da RedBull em quinto e Felipe Massa da Ferrari em sexto.

Era difícil, mas matematicamente Mark Webber com 238 pontos e Sebastian Vettel com 231 pontos poderiam seguramente azedar o champagne de Alonso que chegava para a final com 246 pontos.

Na largada, Michael Schumacher da Mercedes se envolve em um acidente plasticamente terrível com a Force India de Vitantonio Liuzzi subindo no carro do alemão após toque com seu companheiro Nico Rosberg. Tudo bem para Fernando Alonso que perdeu uma posição na largada por patinar na saída, mas ainda manteve um quarto lugar durante o Safety Car (mas com Vettel em primeiro).

A corrida se segue e entre os principais pit stops, Alonso fica à frente de Webber e tem um problema a menos na volta 16. Mas já na volta 20, Alonso encontra a asa traseira de Vitaly Petrov em sua bela Renault amarela e preta.

Na volta 22, o engenheiro do Alonso incentiva o piloto a partir para cima do russo. Me pergunto agora se a falta do DRS influenciou na “não ultrapassagem” de Alonso sobre Petrov e se essa corrida não fez parte dos exemplos definitivos para a implementação do sistema de redução de arrasto. Imagine a tensão na mente do rookie russo que estava concluindo sua primeira temporada com o poderoso Fernando Alonso rugindo em seus retrovisores como um touro furioso para cima do toureiro.

Volta 23, Petrov não alivia no final da reta e deixa Alonso espalhar para fora. Alí o mundo vê que ele não está para brincadeira e a ultrapassagem não será de graça.

Interessante que outro postulante ao título, Lewis Hamilton, ficou muitas voltas atrás de outra Renault, esta conduzida pelo idolatrado Robert Kubica que, naquele momento, estava em ótima forma. Teriam vindo as Renaults a Abu Dhabi só para ver o circo da F1 pegar fogo? Infelizmente aquela seria a última corrida oficial de Kubica após o acidente de rally em 2011 que dificultou os movimentos de um dos seus braços. Há quem acredite que ele volte em 2018 na Williams. No momento desse texto, o piloto polonês está definido como reserva da equipe inglesa.

Pouco a pouco, os postulantes ao título iam caindo. Mark Webber foi um que ficou atrás de Alonso desde o primeiro pit stop. Ambos travados pela Muralha Petrov. Já Vettel retoma a liderança na volta 40 após pit stop de Jenson Button da McLaren. Button era o atual campeão pela Brawn GP. Nesse momento, matematicamente Vettel está campeão enquanto Alonso e Webber cheiram óleo russo. Para ser mais trágico para os dois veteranos, Kubica faz seu pit stop na volta 47, deixa caminho aberto para Lewis Hamiton (que precisava praticamente que todos os demais quebrassem para ele ser campeão) e volta à frente de Petrov.

Webber > Alonso > Petrov: o Trem da Agonia

Fonte: Reddit.com

E Vitaly Petrov durante praticamente todo o GP colocava mais vodka no champagne de Alonso. O espanhol esbravejou no rádio como nunca. Dizendo ser um absurdo que alguém impedir a passagem de um postulante a título.

Uma das falhas que a Ferrari alega ter feito foi marcar Mark Webber que tinha mais chances de título. E assim, um improvável Sebastian Vettel se sagra campeão mundial pela primeira vez, sem ter liderado o campeonato em nenhuma etapa e obtendo o título de campeão mais novo da Fórmula 1. Em um choro quase infantil pelo rádio, fez com que seu carisma (e títulos) aumentassem muito mais a partir dali.

Já Alonso, o Samurai Espanhol, ainda está no seu caminho em busca de mais um título. Já é uma fila de 12 anos. Muito triste para um piloto com gabarito enorme, técnica indefectível estar a tanto tempo sem a chance de um título e quando esteve perto, parece que sempre a zica do nosso colunista Fernando Campos está em seu bolso.

É difícil expressar a sensação de tensão daquela corrida. A cena de Alonso sendo consolado por sua equipe ao fundo da garagem da Ferrari foi desolador.

Essa corrida é altamente recomendada ao Amigo Cabeça de Gasolina ver ou rever. Não existem muitas ultrapassagens, mas a tensão da disputa dá todo o tempero do GP.

Fonte: tfgridiron.com

Eu vim aqui para lutar e não para deixar alguém passar.

Vitaly Petrov

Ricardo Bunnyman estreando no BP com essa matéria, curtiu a vitória do Vettel mas no fundo queria mesmo que Mark Webber tivesse levado o título. Agradece ao Boletim do Paddock e em especial ao Rubens GP Netto pela oportunidade de estar em um dos melhores canais de divulgação do automobilismo do país.

Ricardo Bunnyman

Ricardo Bunnyman tinha o sonho de ter uma loja de discos que também vendesse HQ's mas virou profissional de TI mesmo tendo cursado psicologia. Como ser músico e/ou DJ não foi possível, se diverte como host do AutoRadio Podcast e fundou o OsKarteiro para que pudesse andar de kart mensalmente com os camaradas.

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