Fatos da vida real ofuscam vitória de Prost na Inglaterra | Boletim do Paddock

11 de Julho de 1993 – Fatos da vida real ofuscam vitória de Prost na Inglaterra – Dia 51 de 365 dias dos mais importantes da história do Automobilismo

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A temporada de 1993, foi a minha primeira temporada, que eu posso datar é lógico, bem como, que as minhas recordações dela são limitadas apenas a pequenos pacotes de lembranças, muito pelo fato de ser aos domingos que meu pai ficava em casa e podíamos ficar com ele, recebendo explicações sobre como foi, como era e como seria a Fórmula 1. Ele acompanhava a Fórmula 1 desde a era pré-Fittipaldi.

| Dos prolegômenos

Prost estava com 12 pontos de vantagens sobre Ayrton Senna, a diferença era pouca para um campeonato que estava até aquele momento entrando na sua segunda fase, mesmo assim 1993 não se mostrava uma ano fácil para Senna e para a McLaren, que com a saída da Honda e a entrada do defasado motor Ford, enfrentavam problemas, a equipe Williams vinha de um campeonato vencido por Nigel Mansell em 1992, o retorno de Prost e líder do campeonato. Senna e Prost haviam vencido em suas respectivas casas e Prost contava com 5 vitórias e Senna com 3 , e agora desembarcavam na Inglaterra onde os torcedores britânicos esperavam uma vitória do jovem Damon Hill, porém, outros atores roubaram a cena.

Com dito acima, o público britânico esperava um passeio do príncipe herdeiro da tríplice coroa, porém este já demonstrava que o sangue real não seria uma realidade em sua vida, Ayrton Senna era a estrela do final de semana não pelo que ele iria entregar na pista, e sim pelo contrato de 152 páginas, impresso em folha ofício, margens de 1,2cm, fonte Verdana, tamanho 16, com o timbrado da McLaren que tentava a todo custo manter a sua estrela, contudo, era notório o descontentamento dele com a sua equipe e já vinha de olhos grandes para o cockpit que seria vago com a aposentadoria definitiva de Alain Prost, era uma queda de braço difícil.

Damon Hill por pouco não conseguiu a pole, porém Prost fez o melhor tempo ao final do treino classificatório, ficando com a pole, seguido por Hill, confirmando a superioridade dos carros da Williams, em 3º a jovem sensação do automobilismo alemão, Michael Schumacher já mostrava as caras, em seguida veio Ayrton Senna, depois em 5º a segunda Benetton do italiano Ricardo Patrese, Martin Brundle era o 6º com a sua Ligier, depois Johnny Herbert a bordo da Lotus que já respirava por aparelhos, estes eram o Top Seven.

| Corrida

Silverstone, onde Trying Fish são servidos acompanhados de cerveja quente e cremosa, como toda boa arquibancada deve ser, ou seja, não gourmetizada.

Na largada Damon Hill ultrapassou Prost, e que logo via Senna superar Prost, após ter assumido o posto de Schumacher. Hill seguia liderando a prova enquanto Senna segurava Prost e os demais pilotos, porém na 7ª volta este perde a posição para Prost.

Neste momento da corrida Senna era visto segurando Michael Schumacher, mantendo-se a frente do alemão, porém Senna vendeu caro a posição e somente após muita briga e perdeu a 13ª posição, na ponta as Williams já começavam a ser vistas na mesma tela, mostrando que logo teríamos uma disputa doméstica pela liderança da prova.

“Curti muito a briga com Prost e depois contra Schumacher. Foram duelos limpos que alegraram o público”

Luca Badoer, quebrava e os comissários são obrigados a acionar o Safety Car, fazendo com que a diferença entre Hill e Prost chegasse a zero, porém após a saída do Safety Car Hill consegueiu se manter à frente até a 42ª quando Hill via o seu motor Renault quebrar abrindo caminho para Prost. Na 54ª volta o câmbio da Ligier de Martin Brundle facilitando a vida de Ricardo Patrese, que conseguiu sem muito esforço ultrapassar Ayrton Senna, que por sua vez seria superado ainda por Johnny Herbert, permanecendo na 5ª posição.

Assim, Prost seguido das Benettons de Schumacher e Patrese rumaram para o pódio, logo em seguida de Herbert e Senna e dos demais sobreviventes, que viram o francês da Williams alcançar a sua 50ª vitória na Fórmula 1.

Após a corrida ainda teríamos uma breve explicação da diminuição de ritmo de Ayrton Senna que o fez perder o pódio. Nas últimas voltas Senna foi informado pela equipe que deveria reduzir o ritmo alucinante que vinha imprimindo na corrida, ou seja, Senna buscava o pódio forçando a sua McLaren-Ford além do que era possível. Sua tática exigia um alto consumo de combustível, assim, a equipe o informou que ele iria terminar a prova com menos de 3 litros de combustível o que era insuficiente, fazendo os cálculos frios sobre as suas chances, Senna decide reduzir a velocidade e garantir os pontos da 5ª posição do que sofrer de pane seca.

Mesmo assim, Senna ficaria de cabeça quente ao voltar ao box da McLaren pois teria que encarar as 152 páginas do contrato de renovação com a equipe e ouvir os pedidos de desculpas dos engenheiros da Ford, pois estes haviam errado ao calcular o consumo de combustível do motor Ford da McLaren.

Em suma, as notícias sobre o GP da Inglaterra eram sobre o contrato do Senna e o bug na planilha de Excel da Ford, já a vitória de Prost foi nota de rodapé.

| Fora das pistas

Hoje, três figuras importantes fazem aniversário o primeiro é o nosso colunista o Mestre Cristiano Seixas, o qual segue em sua luta na catequização dos infiéis à Fórmula. O segundo é um piloto que é mito, Clive Puzey uma lenda mesmo, foi para a Fórmula 1, porém não participou do único GP do qual foi inscrito, porém ele é um mito, pois agora as minhas piadas sobre um piloto do Zimbábue possuem um representante, esse cara Clive Puzey, Q’ homem e o terceiro é um parente distante deste que redigiu este post com amor e carinho, Antônio Carlos Gomes, vulgo Carlos Gomes, maestro e compositor brasileiro a levar além do atlântico o calor da música canarinha aos palcos eruditos da Europa, América do Sul e quiçá do Zimbábue.

Rubens Gomes Passos Netto

“Netto”, popularmente conhecido entre os imigrantes Guaxupeanos que tocam a zueira no pequeno município de São Paulo, gosta de comprar livros e outras bugigangas que orbitam o universo da Fórmula 1, já semeava a discórdia ao aceitar o rótulo de “nerd”, quando em terras tropicais, tal rotulo era algo, um tanto quanto pejorativo aos descendentes de primatas residentes nas regiões montanhosas produtoras de café, o que julgava ser maravilhoso, ainda mais sendo um apaixonado pela Fórmula 1, fã da McLaren por paixão e pela Ferrari por criação, já que nasceu em uma família descente de italianos produtores de café e não fabricantes de macarrão, na sua pacata opinião a melhor temporada foi a 2008, já que por um infortúnio reprodutivo de seus pais não conseguiu assistir a temporada de 1986, admira e muito o Emerson Fittipaldi, tem como o carro dos sonhos o McLaren MP4/4 e sonha em um dia ou noite pilotar em Spa e provar que as teorias que não levam a humanidade a lugar algum dos quais ele defende são mais úteis que um relógio digital, salvo se for para comer um pastel de camarão acompanhado de um chopp escuro.