ePrix de Al Diriyah: um show dentro da pista, alguns erros fora dela

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A chuva no deserto provocou uma confusão no sábado elétrico da Arábia Saudita. O primeiro treino livre foi cancelado e o segundo, levemente estendido de 30 para 35 minutos de duração. Mas, na verdade, os pilotos só tiveram mesmo cerca de 15 minutos de bandeira verde, pois o treino ficou paralisado porque Edoardo Mortara bateu seu Venturi nas barreiras de proteção devido a um problema de freios. A sessão foi liderada por Stoffel Vandoorne com o tempo de 1:18.868.

O Quali também teve que ser alterado. Originalmente, nessa temporada, ele seria disputado com os pilotos divididos em 4 grupos, sendo que os 6 melhores iriam para a Super Pole. Por causa do mau tempo, os pilotos foram divididos em dois grupos de 11:

GRUPO AGRUPO B

#25 Jean Eric Vergne

#11 Lucas di Grassi

#2 Sam Bird

#23 Sebastien Buemi

#66 Daniel Abt

#48 Edoardo Mortara

#64 Jerome d’Ambrosio

#28 Antonio F. da Costa

#7 Jose M Lopez

#8 Tom Dillman

#4 Robin Frijns

#94 Felix Rosenqvist

#20 Mitch Evans

#36 Andre Lotterer

#3 Nelson Piquet Jr

#16 Oliver Turvey

#5 Stoffel Vandoorne

#6 Max Gunther

#17 Gary Paffett

#19 Felipe Massa

#22 Oliver Rowland

#27 Alexander Sims

Cada grupo teve 15 minutos para marcar tempos e o pole foi o piloto com a melhor volta dos dois grupos combinados. Os pilotos tiveram, cada um, direito a uma volta de preparação mais uma volta lançada. Aparentemente, a Nio não entendeu isso muito bem e mandou o francês Tom Dillman para a pista por muito mais tempo do que o permitido, o piloto marcou o segundo tempo do grupo A (1:17.893), mas foi punido por não respeitar as regras do Quali.

O português Antonio Felix da Costa foi o primeiro Pole Position da temporada 5 da Fórmula E. Com um tempo de 1:17.728, o piloto da BMW largou na frente em Diriyah e começou o campeonato com 3 pontos de vantagem.

A sessão classificatória foi realizada com cautela por parte dos pilotos. Agora eles só têm um carro disponível e, caso aconteça alguma coisa com ele, pode não dar tempo de fazer os ajustes necessários para a corrida. Dois pilotos, porém, não completaram o Quali: Max Gunther, da Dragon, que teve problemas no carro, abandonou e causou uma bandeira vermelha faltando pouco mais de 3 minutos para o fim da sessão; e Felix Rosenqvist, que substitui Pascal Werhlein (o alemão tem contrato com a Mercedes até o fim desse ano), o piloto da Mahindra bateu na última curva da última volta do treino. Ambos, no entanto conseguiram marcar tempos, mas a bandeira vermelha causada por Gunther atrapalhou Sims, Massa, Lotterer, Evans e o próprio Rosenqvist, já que eles precisaram se preparar novamente para lançarem suas voltas e perderam tempo com isso. Esse era um problema de pista, que pode acontecer em qualquer categoria. O problema maior aqui foi a falta de comunicação resultante da alteração de última hora do formato da classificação. Assistindo à transmissão oficial, é possível ver que Jack Nicholls e Dario Franchitti estavam confusos em relação ao que estava acontecendo. Aqui no Brasil as coisas foram explicadas com mais clareza, já que a Fox exibiu apenas um compacto do Quali.

Para quem ainda não está habituado, todos os eventos da Fórmula E acontecem no sábado, com exceção do Shakedown – que é um mini treino de cerca de 10 minutos na sexta-feira em que os pilotos apenas checam se os carros e a pista estão ok. O grid de largada ficou assim:

Fonte: ABB FIA Fórmula E

Após o treino, Tom Dillman foi punido, como previsto, mas também tivemos penalizações para Lucas di Grassi, Sam Bird, Robin Frijns e Oliver Turvey, todos tiveram suas voltas canceladas e foram para o fim do grid, junto com Dillman.

Felipe Massa ficou em 12º e Nelson Piquet Jr, em 15º.

A corrida

A largada foi tranquila, mesmo com o pole largando com o carro mal posicionado e tendo Pechito Lopez a seu lado, Da Costa conseguiu manter a primeira posição e não houve acidentes na primeira curva. Buemi ganhou a posição de Lopez e Vergne ultrapassou Bird e Vandoorne. Massa se deu super bem conseguindo duas posições em única ultrapassagem e escalando o pelotão rapidamente, na segunda volta já era o 10º colocado. Entretanto, ainda no primeiro giro, seu companheiro de equipe, Edoardo Mortara, passou reto na curva, causando uma bandeira amarela local.

O Modo Attack foi ativado aos 5 minutos de prova (3ª volta). Em Diriyah, ele ficou localizado no início da reta de largada, cada piloto teve direito a dois acionamentos com duração de dois minutos cada um. Os primeiros a utilizarem o novo recurso foram Oliver Turvey e Tom Dillman, ambos da Nio (volta 7, T-33min), eles estavam respectivamente em 20º e 21º lugares. Os problemas da transmissão continuaram aqui, os espectadores demoraram a ver o tão falado Modo Attack em ação, isso porque as câmeras só conseguiram mostrar os carros passando pela zona de ativação na metade da prova, ou seja, toda a propaganda pré-corrida mais os grafismos incríveis na TV geraram uma expectativa que acabou sendo um pouco frustrada.

YouTube Fórmula E

Na volta seguinte, Rosenqvist tem problema com sua Mahindra e abandona, o sueco era o 13º e agora segue para a Indy.

Vergne ganha a segunda posição de Buemi e Lotterer faz a volta mais rápida, marcando 1:14.538 na volta 13 (T-27min).

JEV ultrapassa da Costa numa bela manobra e assume a liderança da prova (T-26min, volta 14). O português ainda é atacado por Lotterer, mas consegue manter a segunda posição.

Na metade da prova, os 10 primeiros eram: Vergne, da Costa, Lotterer, Buemi, Lopez, d’Ambrosio, Evans, Sims, Massa e Abt. E os pilotos que receberam o Fanboost foram anunciados: Stoffel Vandoorne (HWA), Felipe Massa (Venturi), Antonio F da Costa (BMW), Daniel Abt (Audi) e Lucas di Grassi (Audi).

Oliver Rowland força uma ultrapassagem, mas Daniel Abt segura sua 10ª posição. Vandoorne é o primeiro a utilizar seu Fanboost, o belga tanta passar Piquet, mas a estratégia não dá certo, ele não ultrapassa Nelsinho e ainda perde a posição para Di Grassi e Turvey. Lopez em 5º parte para cima de Buemi, frita pneu, mas permanece na posição. Na volta seguinte, o argentino refaz a manobra, dessa vez com sucesso. Buemi tem um prejuízo ainda maior, pois d’Ambrosio também o ultrapassa e o suíço cai de 4º para 6º (T-18min).

Vergne é punido com um drive throught por infrigências técnicas (T-18min).

Usando o Modo Attack, Lotterer passa Da Costa e assume a vice-liderança (T-17min). Junto com Lotterer, também usam o MA Sims (9º), Rowland 11º, di Grassi 12º, Piquet 13º, Turvey 14º, Bird 15º e Gunther (19º).

Punições também são aplicadas Massa, Sims, Lotterer e Paffett, além de Vergne, claro. O termo usado para justificar as punições de todos esses pilotos foi o genérico “infrigências técnicas”, todos ficaram aguardando uma definição do que seria isso, mas até o final da prova tivemos que nos contentar com o havia sido informado.

Pechito Lopez, sendo Pechito Lopez, erra ao tentar atingir a zona de ataque e perde a posição para d’Ambrosio que tinha acabado de conquistar, bate na volta 26 e causa uma bandeira amarela em todo o circuito. Acidente bem leve, mas o suficiente para ativar o Safety Car (T-12min).

Da Costa, de volta à liderança da corrida após as Techeetas terem cumprido suas punições, havia acabado de ativar seu Modo Attack, mas teve que usá-lo sob bandeira amarela e com Safety Car na pista (T-9min).

Nesse momento, os 10 primeiros colocados são da Costa, d’Ambrosio, Vergne, Buemi, Evans, Lotterer, Rowland, Abt, di Grassi e Piquet.

Vandoorne arrisca e ativa seu último Modo Attack sob o Safety Car. O belga perde um pouco da vantagem, já que o SC só sai da pista na volta seguinte. Quem teve o timing perfeito foi Antonio F da Costa, que ativou o MA pela segunda vez para abrir vantagem para d’Ambrosio que estava em 2º. Outros pilotos que ativaram o Modo Attack na volta da bandeira verde foram ver, eva, lot, abt, piq, sims, mas, van e mor

Vergne passa d’Ambrosio e na mesma curva Evans ganha o 4º lugar de Buemi.

Restando dois minutos + 1 volta para o fim da prova, as disputas ficaram intensas, Lotterer bate roda com Buemi e consegue a 5ª posição.

Di Grassi e Piquet botam mais um tempero em sua antiga rivalidade, tocam pneus e Lucas se mantém à frente em 9º.

Da Costa abre 1.9 para Vergne com d’Ambrosio em 3º. O cronômetro zera e o português usa seu Fanboost para ampliar a vantagem. JEV não desiste e ainda tenta uma ultrapassagem nas últimas curvas, mas não consegue e da Costa vence o primeiro ePrix da nova Fórmula E – o segundo da sua carreira.

Para os brasileiros, o final foi o seguinte: di Grassi em 9º, Piquet 10º e Massa como o 14º. A volta mais rápida foi de Andre Lotterer com 1:12.591, com isso, o alemão que chegou em 5º soma um ponto aos 10 da sua posição.

Mesmo com uma corrida cheia de emoções e muitas disputas, a Fórmula E mostrou que ainda não sabe lidar muito bem com imprevistos e precisa melhorar um bocado a transmissão para valorizar o Modo Attack, sua principal novidade e não deixar o público, equipes e pilotos sem entender as punições que são aplicadas. Outro problema que aconteceu foi a execução do hino errado durante o pódio. Ao invés de tocar o hino alemão para a BMW (ou o dos EUA), a organização botou o hino inglês para tocar!! Pois é… Felizmente, os problemas ocorridos fora da pista não tiraram o brilho de tudo o que aconteceu dentro dela, graças ao alto nível dos pilotos dessa temporada. E se ainda existia dúvidas sobre a duração da bateria do Gen2, elas foram sanadas. Ninguém ficou sem energia antes da bandeirada!

Meu destaque negativo foi Stoffel Vandoorne que largou em 5º e chegou em 17º devido a problemas no carro (o cara sai da McLaren, mas a McLaren não sai dele) e o destaque positivo é JEV que mesmo punido conseguiu se mostrar competitivo até a bandeirada e vai defender o título com muita força.

A Fórmula E volta à ação em Marraquexe, Marrocos no dia 12 de janeiro. Ah! Faça um favor a si mesmo e veja o pódio espetacular dessa corrida, mas tenha perdido o ePrix, ou queira vê-lo novamente, já está tudo no YouTube:

Cinthia Maria

Cinthia Venâncio comenta zoeiramente a Fórmula 1 desde os sete anos de idade e nas horas vagas é profissional de marketing, fotógrafa, doceira, redatora e revisora. Como todo bom cearense, nunca diz não a um baião de dois com queijo coalho e carne de sol. Aprecia rock do bom, não tem vergonha de dizer que não é fã do Tarantino e sempre é a motorista da rodada. Geralmente esquece o que não deveria