Dia Internacional da Mulher: Conheça Regina Calderoni, primeira pilota de uma categoria Stock no Brasil

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Toda História tem um começo. As Histórias no mundo do automobilismo não são diferentes. Em 1986, escrevia-se uma página importante na nossa categoria tão aclamada, que é a Stock Car. O Opala com numeral #64 dava a partida em uma corrida. Era o início de novos tempos. Regina Calderoni se consagrava como a primeira mulher a pilotar em uma categoria Stock no Brasil. A piloto ainda compete com Opalas Old Stock e concedeu uma entrevista para o Boletim do Paddock em mais uma matéria sobre o Dia Internacional da Mulher. Confira na íntegra:

BOLETIM DO PADDOCK: Regina, como é saber que você é a primeira piloto do sexo feminino em uma categoria Stock no Brasil?

REGINA CALDERONI: Ser a primeira mulher a correr com um Stock nos anos 80, mais precisamente em 1986, foi um grande desafio da minha vida. Mas só  consegui porque tive um grande professor, o Expedito Marazzi. A maior dificuldade foi enfrentar o preconceito dos homens, pois alguns diziam que lugar de mulher era pilotando fogão. Lembro que na época  saiu várias matérias no Jornal O Estado de São Paulo.

Regina Calderoni na década de 1980.

B.P: O que você acha que falta para as mulheres apontarem no automobilismo brasileiro?

REGINA: Falta força  de vontade e incentivo por parte de patrocinadores, clubes de automobilismo, e imprensa… Durante quantos anos as mulheres do futebol lutaram e lutam para terem um jogo televisionado? Pense em quantos campeonatos temos por aí sem que saibamos. A mídia não divulga. Também falta união  e aceitação das equipes de automobilismo.

B.P: Como tudo começou?

REGINA: Tudo começou  com o meu pai, o Sr. Rino Caldironi, que era um amante por carros clássicos. Eu cresci vendo-o  cuidar de seus carros. Ia a Interlagos ver as corridas de Stock , e um dia eu vi um anúncio sobre o recrutamento de uma cronometrista para a equipe do então  piloto Fausto Resende, da cidade de Araxá,  e lá  fui eu. Comecei assim e me apaixonei de tal forma, que fui fazer o curso de Pilotagem com o lendário  Professor Marazzi. Quando eu fui fazer o curso, ele mesmo não  acreditou, mas me recebeu como filha, e me ensinou tudo e mais um pouco. Ele me fez entender de mecânica, e os treinos em Interlagos foram em um Chevette, que era o carro que ele próprio  corria. Me sinto privilegiada por ter sido tão bem acolhida pela família e seu filho, Gabriel Marazzi. Todos eles foram responsáveis por estar e ser a primeira piloto brasileira da Stock.

B.P: Quais são as diferenças de um Opala Old Stock usado nos dias de hoje para os Opalas Stock da década de 1980?

REGINA: A diferença do carro de 1986 pra hoje está na segurança, principalmente em freios. Hoje é utilizado  freios a disco nas 4 rodas, pistões  originais e trabalhados em oficinas profissionais. Temos bons preparadores e os pistões e bielas são  forjados, e assim por diante. O meu carro é  o mais simples da Old Stock. Ele tem comando 278, um carburador Server 44 Italiana, diferencial Dana, e o câmbio é um Clark da C20. Ele também tem marchas mais curtas e mais resistentes. Eu demorei dois anos pra montar o carro, e só  consegui com a ajuda do Fabio Franzoni, preparador de mão e coração.  Cada pessoa que ajudou com alguma peça,  tem um adesivo no meu carro. É a Minha maneira de dizer o meu muito Obrigado.

Atual Opala Old Stock da Regina Calderoni. Desta vez, com o numeral #46

B.P: Qual é o seu sonho dentro do esporte?

REGINA: O meu maior sonho é  ver mulheres correndo em todas as categorias existentes. Quero que o público saiba que Interlagos é nosso. A entrada para assistir a Old Stock é gratuita no Domingo. Hoje sou convidada para ir em vários eventos, e também para ser a madrinha em várias categorias da LIGA, e juntamente abrir as portas da 46 Penélope.  Eu mostro para as crianças  que elas são  capazes de fazer e realizar qualquer sonho, desde que tenha, foco, fé  e perseverança,  e que nós não podemos desistir de nenhum de nossos sonhos, que talvez os guardemos em uma gaveta por um tempo, mas que no momento certo, podemos retornar, mas não devemos desistir. E junto de tudo isso, restauro e customizo brinquedos para doar para as crianças em Interlagos, principalmente em eventos com os pequeninos com câncer, paralisia, Síndrome de Down… Eu faço doações para todas as que chegam até meu carro.

B.P: Qual é a mensagem que você quer passar para as meninas que tem o mesmo sonho que o seu?

REGINA: A mensagem, pra todas as meninas é a seguinte: não importa o tamanho do seu sonho, desistir nunca pode ser uma opção.

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