Dia 67 de 365 dias dos mais importantes da história do automobilismo – 27 de Julho de 2014, O Sorrisão Ataca Novamente

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 Filament.io 0 Flares ×

    A temporada de 2014 se aproximava das férias de verão e a Mercedes continuava aumentando sua diferença no campeonato de construtores. Entretanto, entre os pilotos, Rosberg ampliava cada vez mais sua vantagem em relação ao seu companheiro de equipe, Lewis Hamilton, que tentava se livrar de uma tremenda nuvem de azar. Budapeste era o cenário, e uma pista molhada aguardava os pilotos pela primeira vez no ano. 

  O sábado não foi nada simpático com Hamilton. Mesmo superando o Q1 sem acidentes, o inglês sofreu com um problema no motor e foi forçado a abandonar a classificação no Q2, posteriormente optando por largar do pit-lane no domingo. Nico ficou com a pole, seguido por Sebastian Vettel, Valtteri Bottas e o sempre oportunista Daniel Ricciardo. Na 5ª posição, Alonso tirava leite de pedra da jabiraca projetada pela Ferrari em 2014 e em 6º, como esperado, Felipe Massa. 

Fonte: YouTube

  O domingo amanheceu chuvoso. Na largada, pista molhada mesmo sem chuva, todavia, com a expectativa de mais pancadas dentro de instantes, o pelotão inteiro largou com os intermediários. Rosberg conseguiu um salto perfeito e viu Bottas superar Vettel em seus retrovisores. Alonso também ultrapassou o alemão em uma belíssima manobra por fora na curva 4, mas logo levou o troco antes do final da primeira volta. Ainda nos primeiros instantes, Hamilton rodou sozinho, aumentando ainda mais seu buraco após largar dos pits. A corrida permaneceu estável, até que na volta 9, Marcus Ericsson mudou a história da prova. O sueco perdeu o carro no segundo setor, batendo forte no muro e causando a entrada do carro de segurança. Entretanto, no momento em que o Safety Car foi para a pista, os quatro líderes já tinham passado pela entrada dos boxes. Todos calçaram slicks, com exceção da McLaren, e Daniel Ricciardo foi o maior beneficiário da confusão, saltando os líderes e assumindo a liderança da prova. Pouco antes da relargada, Romain Grosjean também abandonou a prova e forçou mais algumas voltas lentas. 

Fonte: F1 Fanatic

  Para contextualizar o caos, logo após a relargada Button liderava, seguido por Ricciardo, Massa, Magnussen, Vergne, Alonso e Rosberg. Enquanto isso, Hamilton já era oitavo. As McLarens logo abdicaram dos intermediários e foram para os boxes. Daniel era o novo líder, seguido pelo brasileiro. Já Nico continuava sofrendo para superar a Toro Rosso de Vergne. Nico Hulkenberg sofreu seu primeiro acidente do ano na volta 16, após colidir com Sergio Perez. Na volta 23 foi a vez do mexicano concluir o primeiro abandono duplo da Force India em 2014, no entanto de maneira cinematográfica na reta principal, causando o segundo carro de segurança do dia. Ricciardo parou com o safety car na pista, promovendo Alonso e sua carroça vermelha para a liderança da prova, algo inimaginável no começo do ano. Hamilton já era quinto. 

  A metade da corrida se aproximava e Vergne se segurava em 2º com unhas e dentes, assistindo duas Mercedes e duas Red Bulls espumando em seus retrovisores. Na ponta, Fernando ampliava sua vantagem na ponta de todas as formas, buscando criar gordura suficiente para segurar a primeira posição. Na volta 33, muita atividade na reta principal. Nico Rosberg fazia sua parada, abrindo caminho para seu companheiro de equipe. Na pista, Sebastian Vettel roda da mesma forma que Sergio Perez, mas miraculosamente evita o muro e volta para a prova, não obstante, também deixando pista livre para seu parceiro de Red Bull. Lewis logo pulou Vergne e partiu para a caça de Fernando Alonso. Duas voltas depois o francês foi para os pits, deixando Ricciardo com pneus frescos de cara para o vento na 3ª posição. Na 39ª volta foi a vez de Alonso parar, deixando o pit-lane livre para a passagem de Hamilton na volta seguinte. Surpreendentemente, após largar dos boxes e rodar na volta 1, Lewis agora estava na frente de Rosberg, após saltá-lo na janela de pit-stops. A movimentação promoveu Ricciardo novamente para a ponta, cada vez com mais chances de vitória. 

Fonte: F1 Zone

  Quis o destino que as duas Mercedes, embora com começos de prova completamente opostos, estivessem juntas na pista com poucas voltas para o final. Devido às estratégias diferentes, Hamilton recebeu ordens de equipe para deixar Rosberg ultrapassá-lo. O pedido foi prontamente ignorado e o clima na equipe piorava cada vez mais. Enquanto Rosberg aguardava a passagem, Lewis rebatia afirmando que seu companheiro teria que fazer a manobra na pista. Intrigas a parte, o líder da prova, Daniel Ricciardo, finalmente foi para os boxes na volta 54, entregando a liderança para Alonso. Na 56 foi a vez da Mercedes se arrumar para receber Rosberg. Tanto o australiano quanto o alemão tinham agora 13 voltas para acelerar o possível e o impossível para recuperar o tempo perdido. Na ponta, Alonso contava os segundos restantes, sentindo a ameaça da Red Bull e de Lewis Hamilton crescendo exponencialmente. 

  O palco estava montado para um final de corrida apoteótico. Na volta 62, os três primeiros colocados estavam separados por menos de um segundo. Alonso tentava extrair cada migalha de borracha de seus pneus acabados, arrastando sua jabiraca na primeira posição. Hamilton confiava na saúde da sua Mercedes para desafiar o espanhol pela ponta. Já Ricciardo vinha babando com pneus frescos, pronto para fatiar os dois campeões mundiais que o separavam de sua segunda vitória da carreira. Com cinco voltas para o final, Daniel ensaiou a primeira manobra por fora na curva 3, entretanto, foi forçado a recolher e continuar pressionando Lewis. Alonso buscava um triunfo heroico com um carro claramente inferior, já Hamilton, ser o primeiro piloto a vencer um GP largando dos boxes, e finalmente Ricciardo queria provar seu braço mais uma vez, agora vencendo sem depender de falhas mecânicas alheias.

  4 voltas restavam, finalmente a manobra do piloto da Red Bull foi efetiva, superando a Mercedes por fora em uma manobra espetacular, voltando sua atenção para a asa traseira da Ferrari, apenas mais um obstáculo entre ele e a vitória. Daniel precisou de dois setores para superar Alonso na reta e retomar a ponta com apenas 3 voltas para o final, estratégia perfeita, braço de campeão mundial.

Fonte: Red Bull

  70 voltas depois, Ricciardo garantiu uma vitória histórica, Alonso se segurou na 2ª posição inexplicavelmente, já Hamilton, com 19 posições conquistadas durante a prova, defendeu o último degrau do pódio e uma vitória moral contra seu companheiro de equipe, entregando a Fórmula 1 para as férias de verão com o coração na boca. 

Fernando Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Superlicense de vez nunca, além das redes sociais tupiniquins do Apex Race Manager.

You May Also Like

%d blogueiros gostam disto: