Dia 58 de 365 dias dos mais importantes da história do Automobilismo – 18 de Julho de 1982, O (Quase) Retorno do Reabastecimento

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  O ano era 1982, uma das temporadas mais atípicas e imprevisíveis da história da categoria. Novamente, a Fórmula 1 voltava para mítico circuito de Brands Hatch, e dessa vez com um aparato chamando a atenção de todos no paddock. Entretanto, não se tratava de uma atualização revolucionária ou um apêndice aerodinâmico, mas sim, uma mangueira de reabastecimento nos boxes de uma das equipes. 

  Para contextualizarmos e voltarmos para a última aparição do reabastecimento na Fórmula 1, temos que viajar até o longínquo ano de 1957. Na época, o mítico Juan Manuel Fangio foi piloto corajoso a se arriscar com a nova estratégia. O argentino partiu para o GP da Alemanha com o tanque mais vazio, fez um pit-stop no meio da prova e venceu com uma ultrapassagem pela liderança na última volta. Todavia, a passagem de Fangio pelos pits foi bem atribulada, e segundo registros, o argentino teria vencido facilmente a prova, não fosse a ousadia estratégica e a trapalhada nos pits. Esse fato afastou equipes e pilotos dessa alternativa durante 25 anos, mais precisamente até o dia 18 de Julho de 1982.

Fonte: DiecastXchange

  O monoposto da Brabham estava muito longe de ser um míssil, sequer se classificando para três dos quatro primeiros GPs do ano, além de pecar pela confiabilidade, sofrendo um abandono duplo em 7 das 9 corridas em que os dois carros largaram. Mesmo assim, o designer chefe da equipe, Gordon Murray, resolveu ousar na segunda metade da temporada, baseando-se nos cálculos que provavam que dois stints mais leves poderiam ser mais rápidos quando comparados ao resultado de encher o tanque por completo. Aliado a isso, o motor turbo utilizado pelo time consumia muito combustível, portanto, o pit-stop no meio da prova liberava os pilotos para não se preocuparem com o combustível durante a corrida inteira. No Qualifying, Patrese colocou sua Brabham na segunda posição, seguido por Nelson Piquet, seu companheiro de equipe. Já na largada, Keke Rosberg, o Pole Position, não conseguiu partir para a volta de apresentação, transformando o resultado da Brabham em uma dobradinha. Todavia, na largada de verdade foi a vez de Patrese não sair do lugar, sendo prontamente colhido por Renè Arnoux. Isso presentou a liderança para Piquet, que começava a tentar sumir no horizonte. 

Fonte: F1 Fanatic

  O palco parecia estar montado para a primeira demonstração de como o reabastecimento poderia ser uma grande ferramenta no conflito estratégico. O brasileiro, se valendo da carga reduzida em sua Brabham, começou a abrir uma grande diferença na ponta, rodando cada vez mais rápido em relação aos seus concorrentes, entretanto, a experiência da equipe durou ponto, uma vez que Nelson foi forçado a abandonar ainda na volta 9, ironicamente devido à uma falha no sistema de combustível do bólido. Mesmo assim, a simples iminência de um pit-stop no meio da prova deixou uma pulga atrás da orelha da maioria das equipes. Mais abandonos duplos adiaram a estréia da artimanha até a Áustria, três etapas depois. 

  Piquet liderava, seguido por Patrese. Pouco antes do meio da prova, o brasileiro entrou nos boxes para o primeiro pit-stop da era moderna. Carro levantado e 7 mecânicos com macacões à prova de fogo trabalhavam no carro. Os 4 pneus foram trocados e o tanque reabastecido em cerca de trinta segundos. Nelson voltou em 4º, mas agora com equipamento mais do que suficiente para partir para o ataque. Poucas voltas depois foi a vez de Patrese, que parou e voltou ainda na liderança, agora com Prost bem mais próximo. A confiabilidade da Brabham atacaria novamente e os dois abandonariam a prova mais uma vez. No final da temporada, o melhor resultado da equipe seria um sofrido 4º lugar na Suíça, contudo, mesmo a atuação modesta do time foi suficiente para provar a eficiência do reabastecimento na categoria. 

Fonte: Uol

  No ano seguinte, todas as equipes adotaram a tática, implementando o reabastecimento em sua corridas. No entanto, devido ao festival de lambanças e labaredas, a estratégia foi proibida em 1984, sendo retomada apenas 10 anos depois, sendo novamente banida em 2010 com o intuito de tornar a categoria mais sustentável e financeiramente amigável. De qualquer forma, a ousadia da Brabham certamente reescreveu a história da Fórmula 1 nas décadas seguintes. 

  Agradecimentos: Joshué Fusinato

Fernando Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Superlicense de vez nunca, além das redes sociais tupiniquins do Apex Race Manager.

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  • Joshué Nunes Fusinato

    Oi? Pq eu fui agradecido?

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