AutomobilismoColunistasDestaquesFórmula EPost
Tendência

Di Grassi protagoniza escalada histórica na Fórmula E em Jedá, mas incidente final frustra resultado

Brasileiro salta do 15º ao 4º lugar com uso estratégico do modo ataque, porém termina fora da zona de pontos após toque na última volta

Sob o céu árido de Jedá, onde o asfalto parece respirar calor e velocidade, Lucas Di Grassi escreveu, ainda que por instantes, um dos capítulos mais vibrantes da quinta etapa do Campeonato Mundial de Fórmula E. O brasileiro transformou estratégia em arte ao acionar o modo ataque na 11ª das 30 voltas e, em um giro vertiginoso, saltar do 15º para o 4º lugar, a manobra mais impactante do fim de semana saudita.

A façanha, porém, carregava a fragilidade de um carro ainda em evolução. Largando da 20ª posição após dificuldades no classificatório, Di Grassi já havia sinalizado combatividade ao ganhar quatro postos nos primeiros metros. O auge veio na primeira metade da corrida, quando o ritmo competitivo permitiu sonhar com a zona de pontuação.

Mas a Fórmula E cobra o preço da energia como poucos campeonatos. Forçado a poupar nas 15 voltas finais e enfrentando adversários com modo ataque disponível, o brasileiro viu sua performance minguar. O desfecho foi cruel: um toque na última chicane, quando ocupava o 12º lugar, selou a queda para a 15ª posição, resultado que não traduziu a intensidade de sua atuação.

“Evoluímos em ritmo, mas ainda estamos distantes das equipes da frente. Fomos fortes na primeira metade, depois precisei economizar energia e o carro perdeu desempenho”, analisou o piloto da Lola Yamaha Abt, ressaltando que o objetivo da temporada é pontuar com regularidade e buscar oportunidades de pódio.

A vitória em Jedá ficou com o português Antonio Félix da Costa, da Jaguar TCS Racing, tornando-se o quinto vencedor diferente no campeonato — sinal de um grid imprevisível. O pódio teve ainda o suíço Sébastien Buemi, da Envision Racing, e o britânico Oliver Rowland, da Nissan Formula E Team.

O Mundial agora atravessa o Mediterrâneo para sua fase europeia, com etapas na Espanha, Alemanha e Mônaco. O próximo encontro será em 21 de março, no tradicional circuito de Jarama, em San Sebastián de los Reyes, onde a regularidade energética e a precisão tática prometem voltar a ditar o destino dos elétricos.

Se o resultado não premiou o brasileiro, sua arrancada permanece como metáfora perfeita da Fórmula E: um campeonato em que, por uma volta, o impossível ganha forma — e depois cobra seu preço.


Descubra mais sobre Boletim do Paddock

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Rubens Gomes Passos Netto

Editor chefe do Boletim do Paddock, me interessei por automobilismo cedo e ao criar este site meu compromisso foi abordar diversas categorias, resgatando a visão nerd que tanto gosto. Como amante de podcasts e audiolivros, passei a comandar o BPCast desde 2017, dando uma visão diferente e não ficando na superfície dos acontecimentos no mundo da velocidade. Nas horas vagas gosto de assistir a filmes e séries de ação, ficção científica e comédia. Atuando como advogado, também gosto de fazer análises e me aprofundar na parte técnica.

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

Botão Voltar ao topo

Descubra mais sobre Boletim do Paddock

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading