Correndo de Pijama

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| Por: Carlos Eduardo Valesi

lll Série 365: 17 de Janeiro – Correndo de Pijama – 02ª Temporada: dia 240 de 365 dias.

O grande problema de um projeto no estilo “365 dias” baseado em fatos históricos é encontrar eventos relevantes em todas as datas. Em casos como o automobilismo, que geralmente é realizado por temporadas, deixa alguns períodos ainda mais complicados pois, tirando uma ou outra data de nascimento, não há muita ação nas pistas entre meados de dezembro e final de janeiro.

Isso se torna ainda mais complexo quando se emenda uma segunda temporada – afinal o mais relevante já foi contado. Em muitos casos temos várias histórias interessantes no mesmo dia, mas vejam o que minhas fontes encontraram para esse 17 de janeiro:

  • Nascimento de John Riseley-Prichard (?) – inglês que participou de um GP em 54, e abandonou a corrida;
  • Falecimentos – procuro não tratar deste tipo de efeméride aqui, mas vamos procurar ver se algum dá jogo: Zdenek Treybal, Carl Forberg, John James e Tony Dean. Também sem suco para espremer destes limões;
  • Eventos ligados ao automobilismo: 3º Automóvel Show dos EUA em 1903, Renault foi nacionalizada pelo governo francês por alegado colaboracionismo nazista em 1945, chegada do primeiro Fusca nos EUA em 1949, IPO da Ford em 1956, Andrew Craig contratado como CEO da CART em 1994. Apesar da história da Renault ter me chamado a atenção (separei para pesquisar), não é exatamente um dos momentos mais importantes do automobilismo;
  • GP da Argentina de 1954.

Oba! Contar uma história de GP é sempre legal! Mas esse é o segundo ano, e o mestre Cristiano Seixas já descreveu brilhantemente essa corrida, aqui. Além de ser uma época com menos fontes de pesquisa, o que dificulta encontrar um ângulo diferente, eu é que não me arrisco a ter um texto comparado com outro escrito por nossa enciclopédia do automobilismo.

Lendo novamente o que o Seixas escreveu, sentindo me mezzo animado por uma história tão bem contada e mezzo ferrado por não ter achado nada para esta coluna, eis que de repente brilha uma luzinha fora da caixa: quer dizer que este foi o primeiro GP da argentina vencido pelo hermano Fangio?? Hummmm, quem sabe se…

Eis que então, com vocês (se o editor deixar passar essa digressão), seguem alguns fatos interessantes sobre as primeiras vitórias dos campeões do mundo em sua terra natal! (nota mental: esse título é muito longo e desinteressante, melhor bolar alguma coisa melhor para a chamada do texto).

Tivemos nestes 69 anos de campeonato mundial 33 campeões. Destes, 5 não tiveram chance de disputar GPs nos países em que nasceram: o australiano Jack Brabham (o primeiro GP canguru aconteceu em 1985), o neozelandês Denny Hulme e os finlandeses Keke Rosberg, Mika Hakkinen e Kimi Raikkonen (aliás, por que diabos não existe um GP da Finlândia? Será que não cabe um circuito lá?).

Sobram 28. Vamos predefinir alguns conceitos: só contam GPs valendo pontos pelo campeonato, os GPs da Europa são contabilizados no país onde a pista se encontra, os dos EUA podem ter sido mais de um por ano e todos os nascidos na Grã-Bretanha correm “em casa” na Inglaterra. Combinado?

Tivemos 8 motoristas com taça que nunca conseguiram comemorar com a sua galera. Segue a lista:

  • Mike Hawthorn, Reino Unido, 7 tentativas;
  • Phil Hill, Estados Unidos, 6 tentativas;
  • Graham Hill, Reino Unido, 17(!) tentativas;
  • John Surtees, Reino Unido, 12 tentativas (mas ganhou de moto);
  • Jochen Rindt, Áustria, 2 tentativas;
  • Alan Jones, Austrália, 2 tentativas;
  • Jacques Villeneuve, Canadá, 10 tentativas;
  • Jenson Button, Reino Unido, 17 tentativas (hahahahahahahahahaha).

Os vinte campeões restantes venceram 48 vezes em casa. Para não ficar maçante, vamos a alguns gráficos:

O grande campeão do GP da Pantufa é o francês Alain Prost, com nada menos do que 6 vitórias na França. Em seguida vêm os ingleses Jim Clark e Lewis Hamilton, com 5 triunfos em casa cada um. A nossa santíssima trindade brazuca viu a quadriculada antes dos outros em terras tupiniquins 2 vezes cada um.

Por aproveitamento, o mito Fangio é o líder do ranking, com 4 vitórias em 6 corridas – coisa de louco. Logo atrás dele aparece novamente Jim Clark (esse cara era bom mesmo, viu?), ganhando 5 de 8.

Fernando Alonso é piloto que mais correu no seu país natal, 22 vezes – ajudado pelo fato de que à época tínhamos, além do Grande Prêmio da Espanha, o GP da Europa disputado em Valência. Em seguida Mario Andretti, com 18 provas em solo americano, contando os GP do leste e do oeste, os longevos Michael Schumacher, Graham Hill e Jenson Buton, com 17 GPs caseiros – o alemão pelo menos levou quatro.

Nosso campeão da insistência é Niki Lauda, que só conseguiu vencer na Áustria na sua 11ª tentativa, uma a mais do que custou a Nico Rosberg finalmente ganhar na Alemanha. Os únicos que acertaram de primeira foram Giuseppe Farina, na temporada inaugural, e Emerson Fittipaldi, que venceu não só o primeiro mas também o segundo GP do Brasil.

A grande maioria dos pilotos precisaram de um ano de reconhecimento da pista para vencerem sob solo natal – foram 17 vitórias na segunda tentativa.

Os britânicos levam vantagem por estar em maioria: 18 vezes um súdito da coroa triunfou na ilha. Seguem empatados (e, na soma, com o mesmo número do que os ingleses) a França, a Alemanha e o Brasil.

TABELA 1
Lewis Hamilton23 anos, 5 meses.
Fernando Alonso24 anos, 9 meses.
Jody Scheckter25 anos, 1 mês.
Sebastian Vettel26 anos, 0 meses.
Emerson Fittipaldi26 anos, 1 mês.
Alain Prost26 anos, 4 meses.
Jim Clark26 anos, 4 meses.
Michael Schumacher26 anos, 6 meses.
Nico Rosberg29 anos, 0 meses.
James Hunt29 anos, 10 meses.
Jackie Stewart30 anos, 1 mês.
Nelson Piquet30 anos, 6 meses.
Ayrton Senna31 anos, 0 meses.
Nigel Mansell32 anos, 11 meses.
Alberto Ascari33 anos, 1 mês.
Damon Hill33 anos, 9 meses.
Niki Lauda35 anos, 5 meses.
Mario Andretti37 anos, 1 mês.
Juan Manuel Fangio42 anos, 6 meses.
Giuseppe Farina43 anos, 10 meses.

O atual melhor do mundo, Lewis Hamilton, foi quem comemorou com a torcida mais jovem – pouco mais de 23 anos. O seguem Alonso, Jody Scheckter, Sebastian Vettel e Fittipaldi.

Giuseppe Farina foi o vencedor com a idade mais provecta: 43 anos e 10 meses, exatamente a idade atual deste que vos escreve. Os outros velhinhos são Fangio, Andretti, Lauda e Damon Hill.

Por fim, algumas curiosidades:

  • Jochen Rindt correu duas vezes na Áustria: sua prova de estréia, em 1964, e a última de sua vida, em 1970.
  • Nelson Piquet venceu no Brasil em 1982, mas foi desclassificado por estar com o carro abaixo do peso mínimo regulamentado. No ano seguinte, ganhou novamente, desta vez contando como sua primeira vitória em casa.
  • Apesar da Alonsomania na segunda metade da década de 90, o asturiano foi um dos que tiveram o pior aproveitamento entre os que conseguiram ganhar junto à torcida: foram apenas 2 vitórias em 22 tentativas.
  • Button teve sete pódios seguidos nas sete primeiras provas de 2009. A primeira vez que não tomou champagne foi em Silverstone, onde nunca venceu. Apesar disso, a única foto de um campeão de Fórmula 1 de pijamas encontrada foi a dele.

lll FORA DAS PISTAS

Quem sempre ganhava em casa era o marinheiro Popeye, que apareceu pela primeira vez em 1929 na data de hoje. Também nasceram em 17 de janeiro o maluco da pipa na tempestade Benjamin Franklin, o chefão Al Capone, Darth Vader, digo, James Earl Jones, o boxeador Muhammad Ali, o único Stone morto Mick Taylor (caraca, matei o Mick Taylor, sempre o confundo com o Brian Jones…), o ator Jim Carey e Susanna Hoffs, a vocalista das Bangles, que já serviram de comemoração a Sebastian Vettel.

lll A Série 365 Dias Mais Importantes do Automobilismo, recordaremos corridas inesquecíveis, títulos emocionantes, acidentes trágicos, recordes e feitos inéditos através dos 365 dias mais importantes do automobilismo.

Carlos Eduardo Valesi

Velho demais para ter a pretensão de ser levado a sério, Valesi segue a Fórmula 1 desde 1987, mas sabe que isso não significa p* nenhuma pois desde meados da década de 90 vê as corridas acompanhado pelo seu amigo Jack Daniels. Ferrarista fanático, jura (embora não acredite) que isto não influencia na sua opinião de que Schumacher foi o melhor de todos, o que obviamente já o colocou em confusão. Encontrado facilmente no Setor A de Interlagos e na sua conta no Tweeter @cevalesi, mas não vai aceitar sua solicitação nas outras redes sociais porque também não é assim tão fácil. Paga no máximo 40 mangos numa foto do Button cometendo um crime.