Copa F1 do Mundo (Parte 1) – Dia 31 de 365 dias mais importantes da história do automobilismo – Segunda Temporada.

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O GP da Holanda de 1970 aconteceu no dia 21 de junho e foi vencido pelo austríaco Jochen Rindt da Lotus, seguido de Jackie Stewart da March e de Jacky Ickx da Ferrari, e teve a triste nota do falecimento de Piers Courage, mas no Brasil poucos se importaram com isso. Afinal, na mesma data, o Brasil chinelou a Itália por 4 a 1 na final da Copa do Mundo.

Perguntei no Twitter se o Mundial de Fórmula 1 deveria parar durante a Copa do Mundo. Quatro de cada cinco respostas foram que não. Alguns sugeriram que a Copa deveria acontecer nas férias da F1 e nos grupos de whatsapp a maioria da galera preferiu ver corridas do que futebol.

“Então você não vai ficar falando de futebol aqui, né? Se for fazer isso, vou parar de ler agora!”. Calma, pequeno gafanhoto. Apague a tocha e abaixe o forcado. Vamos aproveitar este espaço e relembrar as provas da categoria mãe que aconteceram concomitantemente (prometo que essa será a única palavra difícil do post) a jogos da Copa do Mundo. Vamos lá, você não vai ficar entediado.

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Começamos do início, no primeiro ano do campeonato de Fórmula 1 como conhecemos hoje. E foi logo na temporada inaugural que essa mistura de F1 com futebol se deu, justamente na copa realizada no Brasil. No dia 02 de junho, tivemos três partidas pela primeira fase do infame mundial que perdemos em casa: o Chile humilhou os Estados Unidos por 5×0, o Uruguai massacrou a Bolívia (8×0, duvido que alguém tenha acertado essa no bolão) e a Espanha ganhou pelo placar mínimo da Inglaterra. Os jogos aconteceram em Recife, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, respectivamente, e os latinos (vamos colocar a Espanha nesse bolo) estavam com tudo.

GP da França de 1950 World Copyright: LAT Photographic

Assim como o Hermano Juan Manuel Fangio, que na mesma data largou da pole e venceu o GP da França em Reims a bordo de seu Alfa Romeo. Foi a sexta e penúltima prova daquele ano e Fangio assumiu a ponta da tabela com dois pontos de vantagem para Luigi Fagioli e quatro para Nino Farina, que viria ser o campeão ao vencer o GP da Itália em setembro.

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GP da França de 1954. Fonte: F1 History

A Copa agora era na Suíça e em 20 de junho tivemos quatro partidas: Hungria 8 x 3 Alemanha Ocidental (a Hungria de 54 foi um dos melhores e mais injustiçados times de futebol de todos os tempos. Vamos falar de outro logo mais), em Basel, Turquia 7 x 0 Coreia do Sul, em Genebra, Itália 4 x 1 Belgica em Lugano e Inglaterra 2 x 0 Suíça em Berna. Enquanto isso, ali perto, em Spa, Fangio mostrava sua predileção por vencer corridas em dia de jogos de Copa do Mundo. Saindo da frente, agora a bordo de um Maserati, venceu sem problemas o GP da Bélgica daquele ano.

E duas semanas depois, enquanto a Alemanha dava o troco e vencia a Hungria em Berna por 3 x 2, sagrando-se pela primeira vez campeã do mundo, acontecia o GP da França em Reims. Sem novidades: pole e vitória de Fangio, dessa vez a bordo de um Mercedes, como que para coroar o título alemão. Foi a quarta de nove corridas de 1954 e a terceira vitória do argentino, que ganharia mais três e seria bicampeão naquele ano.

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A data era 15 de junho, e a terceira partida da fase de grupos acontecia na Copa da Suécia. Segue o listão:

Alemanha Ocidental 2 x 2 Irlanda do Norte em Malmö;

Checoslováquia 6 x 1 Argentina em Haelsingborg

França 2 x 1 Escócia em Orebro

Paraguai 3 x 3 Iugoslávia em Eskilstuna

Suécia 0 x 0 País de Gales em Estocolmo

Hungria 4 x 0 México em Sandviken

Inglaterra 2 x 2 Áustria em Boras

Brasil 2 x 0 União Soviética em Gotenburgo, com Pelé e Garrincha no time, rumo ao primeiro título nacional.

Tony Brooks no GP da Bélgica de 1958. World Copyright – LAT Photographic.

E em dia de derrota Argentina e vitória Canarinho, não deu Fangio. Quem saiu na frente no GP da Bélgica, em Spa, nesta data recheada de futebol foi o inglês Mike Hawthorn, de Ferrari, mas quem levou foi seu conterrâneo Tony Brooks, da Vanwall, com mais de 20 segundos de vantagem. A segunda colocação de Hawthorn o levou a 14 pontos, fazendo-o subir para a vice liderança do campeonato, atrás apenas de Stirling Moss que tinha 17. Ao final da temporada Mike seria o grande campeão.

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Dessa vez foi o GP mais charmoso da temporada, o de Mônaco, acontecendo em um domingo em que a fase de grupos da Copa estava rolando no Chile. Foram quatro partidas: um impressionante empate entre União Soviética e Colômbia por 4 a 4, em Arica, vitórias simples da Alemanha Ocidental sobre a Suíça por 2×1 em Santiago, da Espanha contra o México, 1×0 em Viña del Mar, e uma goleada acachapante da Hungria sobre a Bulgária por 6 a 1 em Rancagua. Enquanto isso, nas ruas do principado, lendas da F1 se encontravam e, se Jim Clark saiu na frente naquele dia, a vitória ficou com Bruce McLaren, ainda correndo com a Cooper, antes de ter uma equipe para chamar de sua.

Jim Clark, GP da Bélgica de 1962 World Copyright: LAT Photographic.

E outra vez tivemos Brasil na Copa e carros nas pistas. Em 17 de junho, em Santiago, a Seleção Canarinho metia 3 x 1 na Checoslováquia, gols de Amarildo, Zito e Vavá, e conquistava o bicampeonato mundial, no mesmo dia em que, em Spa, Jim Clark se recuperava da derrota de Mônaco e, mesmo saindo bem atrás do pole Graham Hill (problemas na classificação lhe deram apenas o 12º lugar no grid) levava a sua Lotus para a vitória no GP da Bélgica. Infelizmente Clark nunca conseguiu um título, mas o velho Hill naquela temporada levaria o seu primeiro e seis anos depois seria bicampeão como o Brasil era no futebol.

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Copa na terra dos inventores do futebol e, podemos dizer, da Fórmula 1. Em 1966 a Inglaterra recebia o Mundial e no dia 16 de julho aconteciam quatro partidas: um empate sem gols entre Alemanha Ocidental e Argentina, em Birmingham, uma vitória de Portugal por 3 x 1 sobre a Bulgária em Manchester, uma derrota da Itália para a União Soviética pelo placar mínimo em Sunderland e o jogo mais importante do dia, em Londres, onde a Inglaterra bateu o México por 2 x 0.

A apenas 75 km do estádio de Wembley, no não menos mítico circuito de Brands Hatch, muitos cabeças de gasolina deixaram o jogo da seleção para lá e foram assistir ao GP inglês, onde o anglófono porém australiano Jack Brabham fez barba, cabelo e bigode em sua própria barbearia, ou melhor, conseguiu a pole, a volta mais rápida e a vitória, dirigindo uma Brabham. Jack levou o título naquele ano, e os ingleses ficaram com a Jules Rimet, antes de entrega-la ao seu dono definitivo.

Jack Brabham no GP da Inglaterra de 1966. Fonte: Classic Car Magazine

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Abrimos o texto com o link da data da final da Copa do México e do GP da Holanda, que aconteceram exatamente há 48 anos, porém tivemos outro domingo de bola e motor, no dia 07 de junho, quando jogaram Suécia e Israel (1 x 1) em Toluca, Alemanha Ocidental e Bulgária (5 x 2) em León, México e El Salvador (4 x 0) na capital e Brasil 1 x 0 Inglaterra em Guadalajara, no início do caminho do tricampeonato. Neste mesmo dia acontecia o GP da Bélgica, em Spa, com vitória de Pedro Rodriguez, conforme contamos AQUI.

Jochen Rindt, GP da Holanda de 1970. Fonte: Pinterest

ll1974

Copa na Alemanha, e em 23 de junho tivemos quatro partidas pela primeira fase:

Em Dusseldorf, a Suécia fez 3 x 0 no Uruguai;

Em Munique, a Argentina goleou o Haiti por 4 x 1;

Em Stuttgart, a Polônia passou pela Itália, 2 x 1;

E em Dortmund, tivemos Bulgária 1 x 4 Holanda.

Acabou sendo um dia de festa para os holandeses: o carrossel de Cruyff venceu e o país sediou o GP em Zandvoort, mas quem fez a festa foi um austríaco: Niki Lauda fez a pole e ganhou a prova, dando ao menos uma alegria automobilística aos italianos, que comemoraram uma dobradinha da Ferrari.

Ferrari que também ficou esperançosa no dia 07 de julho, quando fez a pole novamente com Lauda no GP da França em Dijon. Mas o melhor piloto e a melhor equipe não levaram aquela: Ronnie Peterson e a Lotus foram os campeões do dia e Lauda acabou vendo Emerson Fittipaldi ser campeão mundial, assim como, na mesma data daquela corrida na França outro golpe na justiça futebolística foi desferido quando a Alemanha Ocidental fez 2 x 1 na Holanda, tirando o título da Laranja Mecânica, uma dos melhores times de todos os tempos.

Em 1978 e 1982, mesmo havendo Copa e Fórmula 1, não tivemos jogos em dia de corrida ou vice-versa. Vamos aproveitar esse fôlego para descansar, e semana que vem volto com mais futebol e velocidade a partir de 1986, no México, Canadá e Estados Unidos (o trio de países que vai sediar a Copa de 2026; adoro quando consigo terminar um texto com um gancho maroto desses).

llFORA DAS PISTAS

Hoje é o dia em que nasceram Joey Kramer, o baterista do Aerosmith, Michel Platini, craque do futebol francês, Manu Chao, que apesar do nome é tão baguette quanto Platini, o mestre Machado de Assis, Chris “Starlord” Pratt e Brandon Flowers do The Killers (inclusão obrigatória segundo a chefe Débora).

Ou seja, eu poderia facilmente terminar o dia com Killers, Manu Chao ou Aerosmith (seria provavelmente a melhor escolha), mas vamos manter o clima, afinal amanhã tem jogo da Seleção na Copa:

Carlos Eduardo Valesi

Velho demais para ter a pretensão de ser levado a sério, Valesi segue a Fórmula 1 desde 1987, mas sabe que isso não significa p* nenhuma pois desde meados da década de 90 vê as corridas acompanhado pelo seu amigo Jack Daniels. Ferrarista fanático, jura (embora não acredite) que isto não influencia na sua opinião de que Schumacher foi o melhor de todos, o que obviamente já o colocou em confusão. Encontrado facilmente no Setor A de Interlagos e na sua conta no Tweeter @cevalesi, mas não vai aceitar sua solicitação nas outras redes sociais porque também não é assim tão fácil. Paga no máximo 40 mangos numa foto do Button cometendo um crime.