Contos das Arábias: o melhor e o pior de Al Diriyah

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A emocionante primeira etapa da nova temporada da Fórmula E nos brindou com momentos intensos e personagens que foram de um extremo a outro em questão de horas. Os vencedores Sam Bird e Alex Sims são os maiores exemplos disso, mas além dos dois britânicos, alguns pilotos transitaram pelos altos e baixos na histórica cidade árabe, outros vivenciaram apenas um dos lados, na maior parte das vezes, o ruim.

Nio

Quem acompanha a Fórmula E há mais tempo, sabe o quão delicada é a situação da Nio. Faz algumas temporadas que a equipe vem amargurando a última posição no campeonato e, julgando pela pré-temporada, a história tinha tudo para se repetir.

No entanto, Oliver Turvey conseguiu um incrível 10º lugar no quali de sexta e um 18º no de sábado. Se na sexta Turvey caiu de 10º para 17º, no sábado o piloto cruzou a linha de chegada em 7o, mas foi desclassificado por excesso que velocidade durante o Safety Car.

O chinês Ma Qing Hua não teve um desempenho tão forte quanto o do companheiro, chegou em último nas duas corridas e a Nio é a única equipe que não pontuou na etapa de abertura.

Mas olhando para a performance de Turvey, seria o começo da reação da Nio?

Dragon

Outra equipe que deve ter um ano bem complicado é a Dragon, o time americano renovou a dupla de pilotos para essa temporada, mas aparentemente, eles não terão vida fácil.

Enquanto Brendon Hartley largou em 18º para chegar em 19º na sexta-feira, Nico Muller nem mesmo disputou a primeira corrida. O holandês bateu no TL1 e a equipe não conseguiu consertar o carro a tempo. A sina de Nico continuou no sábado quando teve que abandonar a corrida por causa de um pneu furado.

Hartley teve melhor sorte na segunda prova, conseguiu chegar em 9º, assegurando os dois pontinhos que a Dragon somou.

Mahindra

Mais um ano de promessas do time indiano. A equipe iniciou a temporada passada com um segundo lugar na primeira etapa e uma vitória de Jerome D’Ambrosio na segunda. Pascal Wehrlein perdeu a vitória certa nos últimos 10 metros no México porque ficou sem bateria.

Esse ano as coisas parecem menos animadoras. D’Ambrosio até conseguiu o 9º lugar na corrida um, mas se quer largou no sábado, o carro nem mesmo chegou a ligar. Já Wehrlein teve que se contentar com a 12ª posição na sexta e a 15ª no sábado. Dois pontos na tabela é o que tem pra hoje, né Mahindra?

Techeetah

De todas as equipes do Grid, a Techeetah foi aquela que menos ganhou dentro do que se esperava dela. Atual campeã entre os construtores, o time chinês teve que engolir a alta expectativa criada para esse ano. O resultado da corrida 1 foi amargo: abandono para Jean Eric Vergne e 11º lugar para Antonio Félix da Costa.

No sábado, sensações mistas: da Costa foi o melhor do TL3 e mais rápido da fase grupos no quali, conseguindo o 5º lugar na Super Pole. Já Vergne bateu no TL3 e teve que trocar a bateria do carro 25. Punido com um drive through e um stop and go de 10 segundos, o francês largou da 11ª posição e chegou em 8o. Enquanto da Costa vinha em um bom 3º lugar quando se envolveu em um acidente com Buemi, foi punido com um drive through e chegou em 10º. Além do ponto pela posição de chegada e do outro por ser o mais rápido da fase de grupos no quali, Antonio também conseguiu um ponto extra pela volta mais rápida, 1:12.481.

Sete pontos no campeonato, esse foi o prêmio de consolação da Techeetah.

Jaguar

Uma das equipes para se ficar olho esse ano, a Jaguar continua com a sua evolução clara. Mitch Evans teve uma performance regular durante todo o fim de semana e conseguiu ser o 10o na corrida de sexta, além de ter feito a volta mais rápida entre os 10 primeiros colocados (1:13.947) e ter conseguido um ponto por isso. O novato James Calado ainda passa pelo período de adaptação ao carro e largou do fundão nos dois dias. No entanto, Calado mostrou ter um excelente ritmo de corrida para escalar o pelotão a sua frente, principalmente no sábado quando saiu de 21º para chegar 7º.

Liberados os trocadilhos com o sobrenome de James, calado, calado, ele vai surpreender. No total, foram 8 pontos conquistados pela equipe.

Venturi

Mais uma situação de sentimentos antagônicos aqui. A Venturi foi uma das gratas surpresas desta etapa. Edoardo Mortara foi quem liderou a reação da equipe monegasca em Diriyah. O suíço ficou no top 10 nos dois qualis, chegando a almejar um pódio na corrida 1.

Felipe Massa não teve a mesma sorte, foi de 17º a 12º na sexta e no sábado foi punido por largar do lugar errado grid. Ao cumprir a punição, foi punido novamente por exceder a velocidade nos boxes. Com dois drive through na conta, o 17º lugar foi o que teve pro dia.

A Venturi sempre foi uma equipe mediana, só no ano passado conseguiu pódio e vitória, mas esse ano conta com um aporte enorme da Mercedes e um patrocínio da Rookit (a mesma da Williams na F1), será que eles terão mais chances esse ano? Dezoito pontos já é um começo bem legal, né?

Porsche

Incógnita. Essa era a palavra que descrevia a Porsche até as corridas em Diriyah. Na pré-temporada em Valência, o desempenho dos alemães foi bem questionável, mas o pódio de André Lotterer na sexta (2º lugar), dá fortes indícios de que a estreante chega com muita sede de vitória.

Lotterer, como já era de se esperar, vai ser o líder da caminhada da Porsche em seu ano de estreia. Neel Jani teve pouco a acrescentar ao time nessa primeira etapa, um 17º lugar na corrida um e um 13º na corrida, são certamente resultados bem questionáveis. Tudo bem que a 14ª posição de Lotterer na segunda corrida também não é lá grande coisa.

Será que a boa performance de Andre foi apenas fogo de palha alemã? O segundo lugar de Lotterer deu 18 pontos para a Porsche, vamos ver quanta lenha eles ainda têm para queimar.

Nissan

Sempre figurando entre as grandes da Fórmula E, a Nissan reinou absoluta nas três primeiras temporadas da categoria conquistando três títulos seguidos de campeã dos construtores (quando ainda era Renault). Os últimos dois anos não têm sido muito fáceis, os carros volta e meia apresentam problemas, mas algo que não se pode questionar da equipe nipo-francesa é a qualidade de seus pilotos.

Sebastien Buemi teve uma crescente impressionante no ano passado e chegou em NYC brigando pelo título. Em Diriyah, não pontuou. Abandonou a primeira corrida com problemas no carro e chegou em 12º no sábado, após se envolver em um acidente com Antonio Félix da Costa. Buemi foi tocado na parte traseira do carro, rodou e quase atingiu 3 outros pilotos ao tentar voltar para a pista, entre eles, seu companheiro de equipe. Ele era o 2º colocado nesse momento.

Oliver Rowland conseguiu se safar desse acidente e abocanhou um bom 5º lugar na corrida. O melhor estreante do ano passado (na minha modestíssima opinião), ainda chegou em 4º na sexta-feira. Um belo início de temporada para o inglês e 22 pontinhos na conta da Nissan.

Audi

Na minha máxima dentro da Fórmula E “se não começa dando tudo errado, não é a Audi”. A equipe alemã deve mais uma vez seguir meu provérbio cearense à risca. Com o 13º lugar de Lucas di Grassi e o abandono de Daniel Abt na sexta-feira, o time comandado pelo simpatissíssimo Allan McNish parece gostar de iniciar campeonatos no modo hard. Para completar a tragédia, Abt foi quem fez a real volta mais rápida da corrida, mas o tempo de 1:13.742 de nada valeu porque o alemão não terminou a prova entre os 10 primeiros.

No sábado, os sinais de melhora começaram a chegar. Daniel Abt fez uma ótima corrida de recuperação saindo de 14º para chegar em 8º, enquanto Lucas di Grassi conseguiu ser o 3º no grid de largada e o segundo na chegada. O ótimo resultado puxado pelo brasileiro deixou a tradicional equipe alemã em quarto lugar no campeonato com 26 pontos.

Será que a Audi consegue ser mais constante esse ano ou vai ter mais uma temporada de altos e baixos?

BMW

“Expectativas foram criadas”. Se reduzíssemos a BMW iAndretti a um meme, certamente seria esse. Mais uma vez, a equipe teve um começo impressionante com Alexander Sims cravando sua terceira pole seguida (considerando a da última corrida de NYC na temporada passada) e uma dobradinha na corrida de sábado.

Sabe a história dos altos e baixos? Então, o  primeiro tropeço da BMW veio ainda na sexta-feira, Sims se manteve na liderança durante boa parte da prova, mas acabou cedendo às investidas de Stoffel Vandoorne e Sam Bird em duas curvas seguidas. Poucas voltas depois, a ativação do Modo Ataque na hora errada, custou mais 4 posições ao piloto britânico que terminou apenas em 8º. O estreante na equipe, Max Gunther, caiu de 9º para 18º, melhor não comentar muito sobre isso.

Se a primeira corrida foi desastrosa para o time bavariano (que na verdade é americano), a segunda foi redentora. Alex Sims venceu de ponta a ponta com direito ao timing perfeito na segunda ativação do Modo Ataque que lhe custou tão caro no dia anterior. O britânico aproveitou a saída do Safety Car para passar pela zona de ativação, que estava posicionada antes da linha que permitia as ultrapassagens após a relargada, e conseguiu se manter à frente de Antonio Félix da Costa. Foi assim até o fim da prova. Exibição de gala de Alex Sims em sua primeira vitória. Max Gunther até chegou em segundo, mas foi punido com o acréscimo 24 segundos ao seu tempo final por ter ultrapassado Lucas di Grassi enquanto o brasileiro fazia a mesma manobra que deu a vitória a Alex Sims. Ao final de tudo, Gunther, que participou da cerimônia do pódio, ficou sem troféu e sem pontos em 11º lugar.

Sims deixa a Arábia como líder do campeonato, são 35 pontos que dão o terceiro lugar entre os construtores para a BMW. Você consegue definir o fim de semana dessa equipe? Eu não…

Virgin

Talvez a equipe que tenha ido mais rapidamente do céu ao inferno em Diriyah. A Virgin foi a dona da bola na sexta-feira, com uma performance arrasadora do vencedor Sam Bird e uma excelente corrida de recuperação de Robin Frijns (largou em 12º e chegou em 5º), o time comandado por Sylvain Filippi terminou o primeiro dia de competição em primeiro lugar na tabela.

Mas nada como um dia depois do outro e uma noite no meio. Os dois pilotos estavam prontos para mais uma corrida de recuperação na Arábia que até vinha dando certo, até Bird disputar uma posição com Mitch Evans e ir parar no muro. Abandono para Sam e a primeira baixa para a Virgin. A segunda veio com Frijns que rodou sozinho e acertou o muro também.

Zero pontos na corrida de sábado e 36 no campeonato, saiu até no lucro, eu diria.

Mercedes

A Mercedes surpreendeu em Diriyah, conseguiu colocar os dois carros entre os três primeiros no grid de largada da primeira corrida, com Stoffel Vandoorne conquistando um belo terceiro lugar. O belga brigou forte pelas primeiras posições, no final a experiência de Sam Bird e Andre Lotterer se sobressaíram, mas nada que apague o brilho do desempenho de Stoffel. Nyck de Vries também participou de disputas fortes e acabou chegando em 6º, nada mal para uma estreia!

No sábado, de Vries já não teve a mesma sorte, fim do grid na largada e chegada em 16º apenas. Já Vandoorne teve uma ótima corrida de superação, largou em 11º para chegar em 4º, mas com a desclassificação de Gunther, o piloto da Mercedes foi promovido para o 3º lugar. Não teve festa pódio faraônico – não teve champanhe mesmo – mas os pontos estão valendo e no fim das contas, a Mercedes sai como a grande vencedora da rodada dupla: 38 pontos.

Vandoorne é certamente o piloto responsável por encabeçar a tentativa da Mercedes de ser campeã na Fórmula E. A estreia do piloto na temporada certamente agradou ao chefe Ian James e ao todo-poderoso Toto Wolff. Mas a categoria é totalmente imprevisível e não vai ser fácil para a Mercedes se sobressair como em outras competições. Você acha que eles vão dominar geral? Lembrando que a autora desse texto é 100% contra a dominação da Mercedes na Fórmula E (sem clubismo).

E você, o que acho da etapa de abertura dessa temporada? Quem mais ganhou e quem mais perdeu? Será que teremos mais surpresas?

A próxima etapa da Fórmula E está programada para o dia 18 de janeiro em Santiago, no Chile, mas devido a toda situação sócio-política e aos protestos promovidos pelos chilenos, a realização da prova ainda será confirmada.

Cinthia Maria

Cinthia Venâncio comenta zoeiramente a Fórmula 1 desde os sete anos de idade e nas horas vagas é profissional de marketing, fotógrafa, doceira, redatora e revisora. Como todo bom cearense, nunca diz não a um baião de dois com queijo coalho e carne de sol. Aprecia rock do bom, não tem vergonha de dizer que não é fã do Tarantino e sempre é a motorista da rodada. Geralmente esquece o que não deveria