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Com pré-temporada antecipada a F1 entra em 2026 sob mais pressão, menos descanso e maior cobrança

Com testes começando já em janeiro e a estreia marcada para o início de março, o preparo das equipes será colocado à prova em meio ao maior ciclo de mudança regulamentar

A temporada 2025 da Fórmula 1 terminou nessa semana, mas as equipes têm um desafio muito grande, pois o campeonato de 2026 começará mais cedo. O próximo ano não representa apenas o início de uma nova competição, mas o começo de um novo regulamento de motores e aerodinâmico. Apesar da primeira corrida acontecer entre os dias 6 e 8 de março, a categoria tem os testes de pré-temporada e poucos dias de descanso pela frente.

O próximo campeonato será formado novamente por 24 corridas, isso significa que ele começará muito cedo e terminará no início de dezembro – entre os dias 4 e 6 em Abu Dhabi.

Calendário da Temporada 2026 da Fórmula 1 – Foto: divulgação F1

Ficou acordado entre as equipes que a próxima pré-temporada será divida em nove dias, com três sessões de três dias cada. Isso significa que a primeira avaliação está marcada para ocorrer entre os dias 26 e 30 de janeiro – no Circuito de Barcelona-Catalunha.

A segunda atividade está programada para os dias 11 e 13 de fevereiro no Bahrein – local que tem recebido as últimas sessões de teste. O circuito do Sakhir também será palco da terceira avaliação, programada para os dias 18 e 20 de fevereiro, um pouco antes da estreia do campeonato em Melbourne.

Neste momento, apesar do desejo natural das equipes por uma pausa após um campeonato exaustivo, não há espaço para descanso. Os últimos ajustes antes da pré-temporada são cruciais. Além de validar a confiabilidade e o desempenho do motor, as equipes trabalham na preparação de diferentes configurações aerodinâmicas — os chamados “kits” — que serão testadas para otimizar o carro em retas ou curvas. O objetivo é identificar, desde os primeiros quilômetros, qual direção técnica vale a pena priorizar ao longo do ano.

Os três dias de testes exigem intensamente das equipes, que precisam analisar dados em tempo real e comparar as informações obtidas na pista com as simulações feitas no túnel de vento e no simulador. As decisões tomadas nessa fase inicial ajudam a definir o primeiro ciclo de performance do carro até a etapa de Barcelona — pista onde será possível fazer novamente uma comparação direta com tudo colhido na pré-temporada.

Embora, após um ano tão desgastante, todos estejam de olho nas merecidas férias de fim de ano, o chefe de equipe da Ferrari, Frédéric Vasseur, deixou claro que as próximas semanas serão especialmente intensas para toda a equipe.

“Isso significa que temos que liberar tudo um pouco mais cedo do que fizemos no ano passado. Com certeza, o fato de agora lidar com a paralisação obrigatória no Natal é bom para nós e para as famílias. Mas precisamos antecipar tudo em 10 dias. O exercício é mesmo”, falou Vasseur no Catar.

As equipes já estão liberando os dias de apresentação da pintura dos carros de 2026, esse também foi um dos motivos da Fórmula 1 não organizar um evento de lançamento conjunto, pois todos estão com cronogramas apertados. A apresentação das pinturas, mas principalmente a revelação dos patrocinadores, é algo essencial na categoria e sustenta toda a relação de marketing definida para o campeonato.

“É mais difícil para as operações de pista, porque não é depois da bandeirada final. Na semana seguinte à bandeirada final, ainda temos os testes em Abu Dhabi, o que significa que não são 36 dias, são sete dias a menos.”

“Mas não, quando digo isso, não estou falando de mim ou dos pilotos. Estou falando primeiramente dos mecânicos. É muito mais difícil para eles do que para todos os outros. Temos que pensar neles. É verdade, este exercício será complicado.”

A pausa menor exige muito dos mecânicos e engenheiros, sem falar que com a pré-temporada fragmentada em três e os 24 eventos, eles vão passar mais tempo longe de casa.

Esse é um dos motivos para pilotos como George Russell, tentarem a todo custo diminuir os seus dias de atividades comerciais ao estabelecer novos contratos com as equipes. No entanto, os pilotos têm mais “pausas” no ano, do que aqueles que trabalham diretamente com os carros. Logo depois de um evento, mecânicos e engenheiros retornam para a fábrica em busca de encontrar soluções e analisar dados para os próximos eventos. Alguns pilotos que tem mais “respeito” no grid, conseguem fugir de algumas atividades no simulador.

“Bem, é preciso planejar com antecedência. Como o Fred acabou de dizer, não dá para esperar a bandeirada final para decidir o que fazer. Então, temos analisado esse tipo de coisa — rodízio de pessoal e outras medidas — com meses de antecedência, para garantir que tenhamos a mão de obra disponível para construir os carros e realizar os testes”, falou Steve Nielsen, da Alpine, na coletiva do Catar.

“Estamos construindo o carro do ano que vem em dezembro. Nunca tinha visto isso antes. É uma perspectiva completamente diferente. Mas esse trabalho e planejamento começam meses antes.”

Vasseur ainda destacou, que ter a equipe definida para 2026 é ainda mais importante, pois eles precisam participar dos testes de pré-temporada para alinhar tudo que envolve o campeonato.

“Sim, é verdade que durante a temporada, podemos imaginar uma espécie de rodízio. Mas para os testes precisamos levar todos, pois provavelmente remos alguns turnos noturnos também. Isso significa que todos os mecânicos estarão em Barcelona e no Bahrein. Vamos pensar neles, o que podemos fazer para dar a eles algum tempo livre durante as sessões e assim por diante. E lembrem-se, estamos fazendo o melhor trabalho do mundo.”

O campeonato ainda conta com 6 eventos Sprint, dessa forma a carga emocional é ainda mais difícil, pois se um piloto bate entre as sessões, as equipes precisam trabalhar na reconstrução do carro. Não existe margem para erros, mas não é nenhuma novidade se alguns problemas surgirem em 2026, pelo nível de cobrança e desgaste que as pessoas envolvidas com o esporte terão que lidar.

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Debora Almeida

Jornalista, escrevo sobre automobilismo desde 2012. Como fotógrafa gosto de fazer fotos de corridas e explorar os detalhes deste mundo, dando uma outra abordagem nas minhas fotografias. Livros são a minha grande paixão, sempre estou com uma leitura em andamento. Devoro séries seja relacionada a velocidade ou ficção cientifica.

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