A Confederação Brasileira de Futebol oficializou, nesta semana, a instalação da Anresf, entidade criada para acompanhar e fiscalizar o cumprimento das normas de Fair Play Financeiro estabelecidas pela própria CBF. Com funcionamento autônomo, a nova agência integra o Sistema de Sustentabilidade do Futebol no Brasil e amplia o controle institucional sobre a gestão econômica das agremiações.
Para conduzir essa nova fase, o economista Caio Resende foi nomeado presidente da Anresf. Ele esteve à frente do grupo responsável pela formulação das regras do sistema e lançou, em novembro de 2025, uma obra dedicada ao tema, consolidando sua atuação no processo de estruturação do modelo regulatório.
Dotada de independência operacional, a Anresf terá como atribuições a análise das contas dos clubes, a verificação do cumprimento das exigências regulatórias e a aplicação de medidas corretivas em casos de descumprimento. Embora o sistema esteja oficialmente em vigor desde o início de 2026, a implementação das regras ocorrerá de forma progressiva, permitindo que os clubes realizem ajustes graduais às novas obrigações.
A criação da agência foi precedida por estudos comparativos de experiências adotadas em ligas internacionais, que serviram de base para o desenho do modelo brasileiro. Indicado em 2025 como um dos sete diretores do colegiado, Caio Resende assumiu, posteriormente, a liderança do processo de implementação do novo sistema.
Além do presidente, compõem a Anresf os economistas Cesar Grafietti e José Fausto Moreira Filho; os advogados Igor Mauler Santiago, Marcelo Doval Mendes e Vantuil Gonçalves Junior; e o empresário Pedro Henrique Martins de Araújo Filho.
A estrutura decisória da agência será organizada em duas instâncias. A fase inicial contará com duas Turmas, formadas por três diretores cada, enquanto a instância final ficará sob responsabilidade do Plenário, encarregado das deliberações definitivas. O mandato do presidente será de quatro anos, com possibilidade de recondução, e a estrutura contará ainda com uma equipe técnica dedicada ao suporte das atividades de fiscalização.
A reunião inaugural foi conduzida pelo Diretor Executivo da CBF, Helder Melillo, que ressaltou a relevância institucional da iniciativa para o futebol nacional.
“Este é, sem dúvida, um momento histórico para o futebol brasileiro. A instalação da ANRESF representa um divisor de águas na forma como encaramos a gestão esportiva. Estamos entregando ao ecossistema do futebol um mecanismo robusto de integridade financeira que trará mais segurança jurídica, credibilidade e capacidade de investimento aos nossos clubes. É o início de uma nova era de responsabilidade e profissionalismo”, afirmou.
Durante o encontro, também foi informado que estão em desenvolvimento o portal digital e o sistema de gestão da agência, que centralizarão o envio e a análise dos dados financeiros dos clubes. O Regulamento do Sistema de Sustentabilidade do Futebol já definiu o calendário de obrigações ao longo do ano.
Até 31 de março, os clubes deverão apresentar a declaração de adimplemento referente ao período encerrado em 28 de fevereiro. Em 30 de abril, será exigido o envio das demonstrações financeiras completas do exercício anterior, além de informações sobre controle societário e partes relacionadas. Novas etapas de verificação da solvência ocorrerão em 31 de julho e 30 de novembro, enquanto a apresentação dos orçamentos para o ano seguinte deverá ser feita até 15 de dezembro.
Com o objetivo de padronizar procedimentos e assegurar uniformidade na interpretação das informações econômicas, a Anresf trabalha na elaboração de um Manual de Práticas Contábeis e de um regime interno, alinhando a linguagem financeira adotada por todas as equipes participantes do sistema.
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