Calor, punições confusas e umas pitadas de sorte: Sam Bird brilha em Santiago

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 Pin It Share 0 Filament.io 0 Flares ×

A cidade de Santiago recebeu calorosamente, em sentido literal, a 3ª etapa da 5ª temporada da Fórmula E, após o ePrix de Marraquexe, muita expectativa foi gerada em todos os que acompanham a categoria de carros elétricos. Na pista, uma corrida emocionante com muitos abandonos e um resultado final bem diferente do que se desenhava durante todo o dia.

lll 1º Treino Livre

O primeiro treino livre foi liderado por Lucas di Grassi, o brasileiro trouxe a Audi de volta às primeiras posições, após resultados discretos nas duas primeiras etapas. Lucas marcou 1:08.630 e esteve entre os primeiros durante todo o treino. O segundo melhor tempo foi de Pascal Wehrlein, 1:08.776, seguido por Sam Bird, 1:08.988. A sessão foi marcada pelos problemas no carro de Max Gunther ainda nos minutos iniciais e pelo acidente de Sebastien Buemi, que errou a freada com seu carro 23, atropelou uma chicane e bateu no muro de proteção da curva 7. Bandeiras vermelhas foram acionadas em todo o circuito e a o treino foi paralisado durante 17 minutos e teve um acréscimo de 10, para compensar o tempo que ficou parado. Felipe Massa terminou em 14º (1:09.780) e Nelsinho Piquet, em 16º (1:09.991).

lll 2º Treino Livre

Uma hora e meia depois, o segundo treino livre se iniciava em solo chileno. Dessa vez, Jose Maria Lopez surpreendeu e colocou sua Dragon na posição #1 do grid, com o tempo de 1:08.194, o argentino ficou à frente de Robin Frijns (1:08.260) e Lucas di Grassi (1:08.299), que foram os três primeiros. Ao contrário da primeira sessão, o TL2 fluiu sem grandes problemas, os principais incidentes foram passeios nas áreas de escape e leves toques no muro de Andre Lotterer e Mitch Evans. A Nissan trabalhou rápido e conseguiu colocar Buemi na pista. Entre os brasileiros, Massa terminou em 16º marcando 1:08.896 e Piquet veio logo em seguida com o tempo de 1:08.921.

lll Quali

No treino classificatório, Lucas di Grassi mostrou que a Audi estava com tudo em Santiago ao cravar 1:08.290 e superar o companheiro de equipe e até então líder do quali, Daniel Abt. Também disputaram a Super Pole Wehrlein, Buemi, Bird e Vandoorne. Estar entre os 6 primeiros, dava a entender que a HWA começava a acertar a mão, depois de duas etapas com tempos ruins no Quali, Vandoorne iniciava sua recuperação. Após o fim da sessão, di Grassi foi punido por errar a configuração dos freios na volta de retorno aos boxes. A regra que foi mudada para esse ePrix foi chamada de “a mais estúpida da história do automobilismo” por Lucas, ao vivo, em entrevista à repórter oficial da F-E, Nicki Shields. A punição do brasileiro foi dura, até demais, ele largou do último lugar. Como bem falou o jornalista Flávio Gomes (Fox Sports/Grande Prêmio), o erro foi cometido num momento em que não seria possível levar qualquer tipo de vantagem, então a punição poderia ter sido bem mais leve.

Com isso, todos os demais pilotos subiram uma posição e a pole position ficou com Sebastien Buemi, que somou 3 pontinhos no campeonato. Outro piloto punido foi Stoffel Vandoorne, o belga que tinha conseguido seu melhor resultado em qualis, desrespeitou o tempo de saída dos boxes já no final do treino classificatório e perdeu o tempo registrado na Super Pole. Vandoorne largou em 5º atrás de Sam Bird. O grid de largada ficou assim:

  1. Sébastien Buemi (Nissan) 1:08.816s
  2. Pascal Wehrlein (Mahindra) 1:08.925s
  3. Daniel Abt (Audi) 1:08.958s
  4. Sam Bird (Virgin) 1:09.253s
  5. Stoffel Vandoorne (HWA) 1:09.235s
  6. Edoardo Mortara (Venturi) 1:09.042s
  7. Max Günther (Dragon) 1:09.143s
  8. Alexander Sims (BMW) 1:09.147s
  9. Felipe Massa (Venturi) 1:09.168s
  10. José M. López (Dragon) 1:09.201s
  11. Mitch Evans (Jaguar) 1:09.235s
  12. Jean-Eric Vergne (Techeetah) 1:09.307s
  13. Oliver Rowland (Nissan) 1:09.365s
  14. André Lotterer (Techeetah) 1:09.485s
  15. Robin Frijns (Virgin) 1:09.505s
  16. Gary Paffett (HWA) 1:09.505s
  17. Antonio F. da Costa (BMW) 1:09.551s
  18. Oliver Turvey (NIO) 1:09.645s
  19. Nelson Piquet Jr. (Jaguar) 1:09.705s
  20. Jerome d’Ambrosio (Mahindra) 1:10.083s
  21. Tom Dillmann (NIO) 1:10.258s
  22. Lucas di Grassi (Audi) não classificado

Dia não muito bom para os líderes do campeonato. Com Jerome d’Ambrosio, Antonio Felix da Costa e Jean-Eric Vergne largando do meio para o fim do Grid, Sebastien Buemi parecia estar com uma vitória certa nas mãos. E um ótimo trabalho de Stoffel Vandoorne e Edoardo Mortara, que colocaram a HWA e a Venturi na frente do grid.

lll Corrida

A largada em Santiago foi limpa, os primeiros colocados conseguiram manter suas posições. A briga ficou mais intensa no pelotão de trás, Lucas di Grassi precisou furar a chicane para evitar batidas. Na parte mais estreita do traçado do Parque O’Higgins, Lopez e Evans tiveram um leve toque ainda na primeira volta.

Poucas curvas depois, Sam Bird passou Daniel Abt em bela ultrapassagem.

(t-42min) Tom Dillman teve problemas no carro e parou na pista, por causa disso, bandeiras amarelas locais foram acionadas. Demorou um pouco, mas o francês conseguiu trazer sua Nio de volta à corrida.

Di Grassi já tinha ganhado duas posições e Max Günther perdeu a posição para Alexander Sims.

(t-39min) A média de nível de bateria restante já era de 86%. Sem o segundo carro, surgiu uma preocupação em relação à duração das baterias do Gen2 devido ao calor, com 37°C de temperatura ambiente e 42°C na pista (com picos de 46°C), o ePrix de Santiago se tornava o mais quente da história da Fórmula E. Obviamente, o Gen2 foi testado em diversas situações de pista, mas alguns carros não responderam tão bem às altas temperaturas e o Nio de Dillman parece ter sido um deles.

Em disputa intensa, Felipe Massa ultrapassou Max Günther, mas o alemão recuperou a posição logo em seguida.

(t-38min) Sebastien Buemi foi o primeiro a ativar o Modo Ataque para tentar escapar de Pascal Wehrlein, o alemão se aproximava perigosamente.

(t-36min) Felipe Massa passou a sofrer ataques de Oliver Rowland.

Max Günther e Lucas di Grassi entraram em investigação por cortarem a chicane.

Mesmo o Modo Ataque ativado, Buemi ainda não conseguia abrir a distância esperada para Wehrlein.

Para escapar de Rowland, Massa partiu pra cima de Günther e o alemão da Dragon ativou o Modo Ataque.

(t-34min) Buemi consegue abrir 1.07 para Wehrlein.

Felipe Massa não resistiu aos ataques de Oliver Rowland e perdeu a posição para o inglês.

A BMW de Antonio Felix da Costa apresentou problemas e o português perdeu duas posições.

(t-33min) Vergne foi tocado por Antonio F. da Costa no “cotovelo” da curva 14, rodou e caiu para as últimas posições. Antonio, por sua vez, foi tocado por Andre Lotterer, companheiro de Vergne.

Acionaram o Modo Ataque Bird, Abt, Günther e Frijns.

Em tentativa de ultrapassagem, Bird tocou a traseira do carro de Wehrlein, quebrando a proteção da câmera do seu próprio carro. O inglês da Virgin não desistiu e conseguiu passar pelo alemão pouco depois. Wehrlein, então, ativa o Modo Ataque.

(t-31min) Pilotos com Modo Ataque Bird, Wehrlein, Abt, Sims, Frijns, Evans, Lopez, Piquet, Turvey e da Costa.

A briga pelo 7º lugar ficou mais acirrada, na disputa estavam Alexander Sims, Max Günther, Felipe Massa e Oliver Rowland. Quem levou a melhor foi Sims, da BMW, e o pior ficou para Massa que estava em 9º quando tentou ultrapassar Günther e foi imprensado no muro por Rowland. O brasileiro teve que abandonar a prova.

https://twitter.com/FIAFormulaE/status/1089242123180879872

Após o abandono de Felipe, os 10 primeiros eram Buemi, Bird, Wehrlein, Abt, Mortara, Vandoorne, Sims, Rowland, Frijns e Evans.

(t-28min) Lucas di Grassi chegou em Nelsinho Piquet e levou às alturas a expectativa de disputa entre os dois pelo 13º lugar.

Bandeira amarela local, Max Günther teve problemas no carro e parou na pista. Fim de prova para o piloto da Dragon.

Alexander Sims tocou na traseira de Edoardo Mortara, o companheiro de Felipe Massa rodou e caiu de 5º para 7º.

Buemi, Bird, Wehrlein, Abt, Sims, Vandoorne, Mortara, Frijns, Evans e Rowland eram os 10 primeiros.

(t-25min) Sem muito alarde, di Grassi ativou o Modo Ataque e ultrapassou Nelsinho Piquet. Pouco depois da manobra, Lucas acertou o carro de Jose Maria Lopez por trás e quase catapultou o argentino.

A Dragon de Max Günther ainda estava na pista, a bandeira amarela então foi acionada em todo o circuito. Em uma cena tragicômica, apenas 4 fiscais vieram correndo empurrar o carro e leva-lo para uma área segura.

Sebastien Buemi ainda liderava a prova, seguido por Sam Bird, Pascal Wehrlein, Daniel Abt, Alexander Sims, Stoffel Vandoorne, Edoardo Mortara, Robin Frijns, Mitch Evans e Oliver Rowland.

Rowland, Piquet e d’Ambrosio usaram da estratégia de ativar o Modo Ataque durante a bandeira amarela para levar vantagem quando as ultrapassagens fossem liberadas novamente.

(t-22min) O resultado do Fanboost foi divulgado: d’Ambrosio, da Costa, Buemi, Abt e Vandoorne foram os escolhidos para receberem 25kW de potência extra em Santiago. Vandoorne, aliás, tem se mostrado o piloto mais popular da Fórmula E, o belga ganhou o Fanboost nas 3 corridas dessa temporada, todos em 1º lugar!

Com a remoção do carro de Günther próxima de ser concluída, Bird se aproximou o quanto pôde de Buemi.

(t-20min) Bandeiras verdes por todo o circuito e Sam Bird partiu para cima de Buemi.

Stoffel Vandoorne bateu sozinho na saída da curva 3, a decepção foi geral, já que o belga fazia uma ótima corrida. Com o acidente, nova bandeira amarela local para tirar os pedaços da HWA da pista.

https://twitter.com/FIAFormulaE/status/1089244785255301120

Bird e Buemi ficam bem próximos, a distância entre os dois é apenas visual e Wehrlein se aproxima dos dois.

(t-16min) Lucas di Grassi chegou ao 11º lugar e Nelsinho Piquet era o 14º.

(t-15min) Mais um acidente na pista: Sebastien Buemi, intensamente pressionado por Sam Bird, travou pneu, bateu na mureta de proteção da chicane e perdeu posições para Bird e Wehrlein. O suíço ainda tenteou se manter na corrida, mas com carro quebrado, teve que abandonar na 5ª posição.

Logo após assumir a liderança da prova, Sam Bird abriu 1.3 para Wehrlein.

(t-13min) Bird ativou o Modo Ataque assim como Abt, Evans, Lopez, d’Ambrosio, Paffet e da Costa, o português já estava a uma volta atrás do líder.

(t-12min) Como o Modo Ataque, Mitch Evans partiu para cima da 6ª posição de Robin Frijns, o holandês da Virgin sofreu muita pressão do companheiro de Nelsinho Piquet, mas conseguiu segurar seu lugar.

Di Grassi era o 10º e Piquet, o 13º.

(t-11min) Vergne se juntou aos trapalhões da corrida e abandonou após rodar sozinho também. Seu rival direto no campeonato, Antonio Felix da Costa também saiu da prova, mas por problemas em sua BMW.

Já seu companheiro de equipe de Antonio, Alexander Sims, conseguia defender sua 3ª posição dos ataques de Daniel Abt.

(t-9min) Após perder a 10ª posição para Lopez, di Grassi ativou o Modo Ataque para tentar recupera-la.

(t-6min) D’Ambrosio e Vergne começaram a ser investigados por excederem a velocidade durante a bandeira amarela.

Disputa acirrada entre Mortara (5º), Frijns (6º), Lotterer (7º) e Evans (8º). Mortara deu um leve toque no muro, mas manteve posição porque Frijns errou a freada, já Lotterer não teve a mesma sorte, não errou, mas foi ultrapassado por Mitch Evans.

Di grassi e Lopez se tocaram novamente.

(t-5min) Wehrlein, usando o Modo Ataque, tirou 4 décimos de distância para Bird e começou a pressionar o inglês.

Sam Bird segurou a pressão e conseguiu escapar um pouco, o piloto da Virgin abriu mais distância na reta principal e tentava deixar a Mahindra de Wehrlein para trás.

(t-2min) Oliver Rowland bateu na curva 4.

Andre Lotterer entrou sob investigação por ultrapassar com bandeira amarela.

Lucas di Grassi era o 6º e Nelsinho Piquet, o 13º.

A média de bateria era de apenas 11%. E somente Lotterer e Wehrlein estavam com o Modo Ataque ativado.

Persistente, como todo grande piloto, Wehrlein se aproximou de Bird novamente, fazendo grande pressão, mas Bird se manteve em 1º e conseguiu abrir vantagem após o fim do Modo Ataque do alemão.

Sam Bird abre a última volta com apenas 5% de bateria.

Piquet passa Lotterer e assume a 12ª posição, di Grassi é o 9º.

Bird vence com somente 3% de bateria e se torna o único piloto a conquistar vitória em todas as temporadas e ainda assumiu liderança do campeonato com 43 pontos. No geral, d’Ambrosio é o segundo com 42 e, mesmo não tendo completado a corrida, da Costa é o terceiro com 28 pontos.

Pascal Wehrlein e Daniel Abt completaram o pódio, Abt ainda foi o dono da volta mais rápida da prova, com o tempo de 1:11.263 e garantiu mais um ponto no campeonato.

Edoardo Mortara bateu levemente no muro de proteção, mas conseguiu levar o caro para os boxes.

Após a bandeirada final, começou um festival de punições para os pilotos e um número sem fim de informações desencontradas. Quase cinco horas após o fim da prova ainda havia punições sendo aplicadas.

Alexander Sims caiu pra 8º e di Grassi, punido novamente, caiu para o 12º lugar, ambos por causarem colisões. Lopez utilizou mais energia do que o permitido e ficou com a 10ª posição. Jerome d’Ambrosio e Jean-Eric Vergne excederam a velocidade durante bandeira amarela e também foram penalizados, d’Ambrosio foi de 8º para 10º e, por ter abandonado, a punição não teve efeitos práticos em Vergne. Em meio a todas essas mudanças, Nelsinho ficou com o 11º lugar.

Abandonaram a prova da Costa, Vergne, Buemi, Vandoorne, Günther, Massa e Dillman

Meu destaque positivo é Sam Bird que largou do 4º lugar e conseguiu uma vitória maiúscula! Conseguiu a 3ª posição bem no início da prova, induziu Sebastien Buemi ao erro quando era o segundo colocado e soube resistir a todas as investidas de Pascal Wehrlein enquanto estava na liderança. QUE HOMEM! Wehrlein, aliás, merece uma menção honrosa por mostrar todo o seu talento ao garantir um incrível segundo lugar e manter a Mahindra na vice-liderança do campeonato.

O destaque negativo vai (de novo) para Stoffel Vandoorne que bateu SO-ZI-NHO e brochou todo mundo enquanto fazia uma ótima corrida, ele tinha chances reais de pódio e finalmente colocava a HWA nas primeiras posições. Dessa vez também vou fazer uma “menção horrorosa” para a (des)organização da prova, punições loucas, informações desencontradas… Quem serão esses fiscais, hein?

A próxima etapa da Fórmula E será dia 16/02 na Cidade do México, até lá!

 

lll RESULTADO FINAL DO E-PRIX

lll CAMPEONATO DE PILOTOS

lll CAMPEONATO DE EQUIPES

Cinthia Maria

Cinthia Venâncio comenta zoeiramente a Fórmula 1 desde os sete anos de idade e nas horas vagas é profissional de marketing, fotógrafa, doceira, redatora e revisora. Como todo bom cearense, nunca diz não a um baião de dois com queijo coalho e carne de sol. Aprecia rock do bom, não tem vergonha de dizer que não é fã do Tarantino e sempre é a motorista da rodada. Geralmente esquece o que não deveria