BPBEATS 27 | Graxa ou Nutella? Nenhum dos dois, coragem

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|De São Paulo/SP para Curitiba/PR voltando para São Paulo/SP:

lll RBS – Ricardo Bunnyman Soares;

lll CEV – Carlos Eduardo Valesi;

lll RBS: “Automobilismo de verdade!”, “Os carros faziam um barulhão!”, “Os caras tinha que segurar tudo no braço!”, “Isso é graxa e não Nutella”. Verdadeiramente bem diferente.

lll CEV: Não é muito diferente do “mas isso é música?!”, “no meu tempo não tinha essa gritaria toda.” e “Precisa dessa guitarra distorcida?” que a gente cresceu ouvindo, não é?

lll RBS: Na verdade, meu papel aqui é nessa atração dominical é atazanar os ouvidos do Valesi, (re) apresentando as vezes alguns barulhos menos rock ‘n roll. Rolou muita coisa nos anos 1970’s, tanto no rock quanto no eletrônico e uma tal de Disco Music.

lll CEV: Bom, seu papel está sendo cumprido, te asseguro. Mas concordo com a questão dos anos 70: o progressivo estava no auge, o punk se preparava para enfiar os dois pés na porta, e o pop tocava em boates (antes do termo se tornar pejorativo) no sábado à noite.

lll RBS: Vendo o documentário da Williams, a gente é transportado para uma época muito diferente no automobilismo. Com o acidente do Piers Courage em 1970 e a sequência que o documentário disponibiliza, vemos que o tanque de combustível era um item de grande falha em seu isolamento.

lll RBS: Piers era um piloto com “P” maiúsculo. Nascido em Essex na Inglaterra dia 27 de maio de 1942. Local onde quase 40 anos depois sairiam esses caras aqui.

lll CEV: Pô, agora você tá apelando! O texto fala do início dos anos 70, bem na época em que uma das últimas superbandas da década de 60 era formada em Essex. Merece ficar 30 dias num buraco para aprender a ser humilde.

lll RBS: Após passagens pela F3, em 1966 Courage passou por apenas 1 dos 13 GPs correndo pela lendária Lotus, movida pelo motor Ford Cosworth, porém abandonando a prova.

lll RBS: Em 1967 o inglês não foi muito mais feliz, fazendo 3 corridas mas dessa vez pela equipe Reg Parnell Racing. A primeira corrida em Kyalami na África do Sul utilizando ainda um chassis Lotus porém concluindo as demais em um chassis BRM. Não viu a bandeirada no GP de Mônaco e não classificou para o GP de casa.

lll CEV: Mas Piers ouvia muito uma música lançada naquele ano (de família rica e considerado um dos últimos gentlemans do automobilismo, ele provavelmente não gostava dos cabeludos dos Stones), e acreditava que sua sorte ia mudar.

lll RBS: E 1968 foi aquele ano onde realmente prestaram mais atenção no inglês. Em sua BRM, mesmo com mais abandonos do que conclusões, mostrou que seus 4 pontos adquiridos no campeonato eram suficientes para ser aliciado por outros times. Como o time do jovem Frank Williams.

lll CEV: Frank era amigo de Piers desde os tempos da F3, quando dividiam os boxes da mesma equipe. Pode-se dizer que, provavelmente numa noite de bebedeira em um pub qualquer, quando Frank disse meio brincando “acho que vou montar uma equipe de Fórmula 1 para mim”, foi Courage quem lhe forneceu o empurrãozinho necessário para que a ideia se tornasse realidade.

lll RBS: Já em 1969, em um carro que seria uma das sementes do que se tornou a Williams que conhecemos, na época conhecida como FWRC (Frank William Racing Cars), Piers definitivamente marcou seu nome na categoria chegando ao pódio em duas ocasiões: em Mônaco e no GP dos Estados Unidos ocorrido em Watkins Glen, chegando no segundo lugar em ambas as provas, além de liderar durante boa parte o GP da Itália em Monza.

lll RBS: Essa temporada mais consistente lhe rendeu um 8º lugar no campeonato, mesmo com uma corrida a menos.

lll CEV: Tudo parecia estar melhorando, mas no final daquele ano John Fogarty e sua trupe já prenunciavam que uma lua ruim estava surgindo.

lll RBS: 1970 não começou bem. Um início com abandono na África do Sul, falha em se classificar para o GP seguinte na Espanha e em Mônaco e também não consegue concluir a prova na Bélgica.

lll RBS: Vinha então o fatídico GP da Holanda em Zandvoort. Talvez a esperança de alguns pontos e finalmente mostrar seu talento.

lll RBS: Durante o GP, Piers capotou em uma vala e cabeça para baixo, seu carro foi tomado pelas labaredas. Certamente uma morte terrível porém disseram os especialistas que houve uma pancada antes do fogo tomar conta do carro e árvores a sua volta pois foi encontrado um pedaço de borracha rígida em seu capacete.

lll CEV: Hoje acredita-se que Courage tenha perdido o controle do carro ao passar por um acúmulo de areia na pista trazida pelo vento marinho – lembrando que o circuito, que volta ao calendário no ano que vem, fica à beira da praia – e seu chassi de magnésio (olha só as ideias dos caras!) simplesmente explodiu como uma bola de canhão. Foi o primeiro de dois a partir.

lll RBS: Frank Williams, após ver seu piloto e amigo pessoal de tantas conversas e alegrias morto, se tornou uma pessoa mais introspectiva do que já era.

lll RBS: Em uma coincidência macabra, o vencedor daquela prova foi Jochen Rindt em uma Lotus. 5 GP’s após o trágico acidente, o palco era Monza onde também perderíamos Rindt durante as sessões de teste na parabólica.

lll CEV: Rindt era amigo íntimo de Piers, as famílias se frequentavam, e ele ficou arrasado com a perda do parceiro. Quando escrevi alguma coisa sobre Courage no PF1BR contei um pouco essa história.

lll RBS: Esses homens tinham gasolina pura rodando no cérebro e para que nós hoje possamos desfrutar do esporte de forma mais segura e divertida do que o período “bárbaro” do século passado, precisaram sofrer como cobaias. Pode parecer um papo comparativo entre “Raiz e Nutella”, mas é muito melhor ver um piloto hoje chorando a perda de pontos após uma batida do que seus amigos e familiares por algo fatal.

lll CEV: Não pensem que, só porque hoje e graças a estes caras destemidos de quem falamos aqui, quando um piloto atual entra no cockpit isso não requer uma dose acima da habitual de coragem. O esporte que amamos não é “mais fácil” do que antigamente, só é mais atual. Por isso que minha resposta padrão ao soldado da patrulha da corrida chata que diz “ah, mas hoje é moleza correr, tudo é eletrônico e automático” é: reclamar também, né queridão? Afinal, você faz isso aí da poltrona do sofá da sua casa, e não precisa ir lá falar na cara da galera.

lll RBS:Mas não se prenda, amigo leitor a fatos ruins (e desabafos ranzinzas de colunistas). Esses caras se foram fazendo o que mais gostavam na vida. Quer um final melhor do que isso?

lll CEV: Nós queríamos. Bunny me pediu em off para tentar terminar o texto em uma nota de alegria e esperança, prá não deixar o fiel leitor deprê em pleno domingão, mas não deu jeito. O melhor que consegui foi uma bela mensagem de esperança para lembrar de Piers Courage.

lll BPBeats é uma produção da dupla que não é sertaneja, contudo é a prova que panela velha faz comida boa sim, Carlos Eduardo Valesi que já era residente fixo do BP em conjunto com Ricardo Bunnyman peça única da podosfera tupiniquim que foi recentemente adquirido em um leilão beneficente e por uma força do destino do qual nem os búzios, nem os zodíacos e muito menos os físicos teóricos da Magrathea poderiam prever que o encontro desses dois surgiria uma série tão empolgante e digna das melhores revistas do ramo musical tal qual como Rolling Stones e da saudosa MTV, apreciem sem moderação.

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BP Beats

Depois de um bate papo no happy hour do BP, entre uma brincadeira e outra surgiu a ideia de uma nova atração no site que é essa que o Amigo Cabeça de Gasolina está pondo os olhos agora: O BP Beats tem como ideia fazer algum tipo de sintonia com o automobilismo e sua provável trilha sonora, sob a batuta de Carlos Eduardo Valesi e Ricardo Bunnyman você irá serpentear pelo universo do automobilismo com rápidas paradas nos mundos colonizados por músicos e suas obras!!!