BP BEATS 10 - Nós e Interlagos • BP • Boletim do Paddock

BP BEATS 10 – Nós e Interlagos

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|De São Paulo/SP para Curitiba/PR voltando para São Paulo/SP:

lll RBS: Fácil, extremamente fácil você encontrar matérias sobre Interlagos, principalmente no Brasil, mas você sabe o que a gente já passou por lá? Vamos tirar o romantismo e o glamour que a tv exibe.

lll RBS: Talvez tenha algo do tipo até aqui mesmo no BP mas como o “caçula velho” da equipe, fiz questão de não procurar referências para não influenciar na minha parte do texto. Já o “rodado de BP” Valesi não tem esse privilégio de ter a pureza da dúvida como disse Humberto Gessinger em Infinita Highway dos Engenheiros do Hawaii.

lll CEV: Pois é, galera. O vício em Fórmula 1 começou faz tempo, e a primeira oportunidade que eu tive para conhecer o Templo Sacrado dos Cabeças de Gasolina me foi dada pelo meu pai. O velho Valesi, mesmo não sendo um grande fã da categoria, foi comigo à prova de 1.995. Naquela época o GP ainda acontecia no início do ano, em março, e eu ganhei a viagem como presente pelos meus 20 anos. Foi a primeira prova da temporada, o primeiro GP do Brasil após a morte de Senna, e o clima no autódromo estava fechado, chuvoso e melancólico.

lll RBS: Valesi é um cara bem vivido de Interlagos mesmo morando em outro estado. É figura carimbada no Setor A juntamente com seus comparsas de BP e PF1Br onde domina a lendária Torre de Babel de copos de cerveja. Ainda não fui no A e isso é interessante pois teremos 2 pontos de vista. (CEV: disclaimer – a vista do Setor A é muito melhor).

A Famosa Torre do A
Fonte: Acervo Pessoal

lll RBS: Desde a minha infância nos anos 80, Interlagos esteve perto e longe ao mesmo tempo. Morando a cerca de 9km de distância, era possível ouvir o som dos V12 e V10 dentro de casa assim como o incessante fluxo de helicópteros entre o Aeroporto de Congonhas e o Templo da Velocidade.

lll CEV: Em 95 as coisas eram bem mais precárias. Um problema que aconteceu até meados de 2000 era a fila para domingo. Muitas pessoas passavam a noite às portas do autódromo e vendiam seus lugares para quem chegava às 6 ou 7 da manhã, logo antes da abertura dos portões. Como não há assento marcado, para conseguir bons lugares nós costumávamos chegar na fila por volta das 2 ou 3 da manhã. De 2006 ou 2007 para cá, a polícia militar passa com frequência na fila pedindo para ver os ingressos, e caso você não os tenha é convidado a se retirar. Isso resolveu a questão, e agora para garantirmos o mesmo spot temos chegado por volta das 6 da manhã. Bem mais fácil do que no tempo em que o que estava bombando nas rádios era isso aqui:

lll RBS: Uma tia minha morava em um local onde hoje há duas torres residenciais que são muito conhecidas das transmissões feitas por lá. Na imagem abaixo, são aquelas à esquerda que por esse ângulo está na subida dos boxes.

Fonte: http://www.autodromodeinterlagos.com.br

lll RBS: Mas lá não dava para ver nada. Ficava imaginando como era lá dentro… Mas naqueles dias só podia ouvir. E um paralelo entre essas torres e o som dos motores, podem dar um paralelo para nosso tema musical onde Leonard Cohen seria um V10 e Bono Vox um V6 nessa parceria com o U2 no clássico Tower Of Song. De nenhuma forma desmerecendo Bono, mas Cohen tem um vozeirão…

lll RBS: Então eis que depois de me tornar um burro velho e deixar de correr de kart no humilde estacionamento do Shopping Interlagos, a Prefeitura de São Paulo abriu licitação para que empresas de karts de aluguel pudessem atuar no ‘quintal’ de Interlagos. Estamos falando do histórico kartódromo onde grandes pilotos brasileiros já haviam treinado e disputado seu títulos regionais. Fiquei sabendo que teve um cara que saia na zona norte e se deslocava para a zona zul (onde é localizado o kartódromo) muitas vezes sob chuva só para treinar. Dizem que se deu muito bem anos depois, indo prá zoropa e tudo mais.

lll CEV: depois disso tive que crescer, trabalhar, ganhar dinheiro e convencer a esposa a me deixar ir para a corrida (dica: os primeiros 5 anos são os mais difíceis, depois vira direito adquirido). Voltei à Meca dos amantes da velocidade brasileiros em 2004, e por uns quatro anos ou íamos em ônibus de excursões ou juntávamos uma galera e fretávamos uma van. O legal de escolher um lugar na arquibancada para chamar de seu é que com o tempo você fica conhecendo a galera que sempre fica por ali, e se torna parte de uma verdadeira vizinhança que se encontra uma vez por ano. Essa inclusive é uma dica legal é, caso você vá sozinho, perder a inibição e falar com a turma ao lado de onde está. O pessoal é sempre muito receptivo e te adota, o que facilita nas idas ao banheiro ou para comprar comida, além de tornar a experiência muito mais agradável. Em 2005, isso tocava para todo lado:

lll RBS: E logo que saiu a notícia os grupos de kart se movimentaram para lá. Foi uma grande abertura de portas onde prontamente agendei a primeira corrida do OsKarteiro. Se não estou enganado foi uma das minhas minguadas vitórias na categoria mas que valeu como se fossem 10. Até correr no kartódromo por lá tem um gosto diferente.

lll RBS: Por trás da grade do kartódromo, vi pela primeira vez o famoso ‘S’ e o início da reta oposta e pensei “que lugar loco, tio.” Mas ainda estava longe de ir ver uma corrida lá no palco principal. Mas falando em palco, a primeira vez que entrei lá foi por causa da insistência de um brother/irmão que insistia desde os anos 90 que eu tinha que ver um show dum tár di IroMaide. E não é qui os menino são bão? Isso foi em 2009.

lll CEV: Taí uma coisa (ou duas) que faltam na minha lista, Bunny: ver um show no autódromo, e participar de uma corrida (a pé) nos mais de 4km de asfalto onde a história já aconteceu várias vezes. Em 2009 eu estava lá para a prova que transformou a Brawn em lenda (contei toda a história aqui), e vale reforçar: a represa e a vó do Rubinho são protagonistas de cada evento por lá. Leve capa de chuva e protetor solar, você irá usá-los no mesmo final de semana. Se você é ou pretende se tornar um viajante frequente, vale a pena investir um pouquinho em uma capa daquelas de pescaria, mais grossas e que podem ser dobradas depois do uso. Primeiro porque no longo prazo é uma economia, e em segundo lugar porque, quando o sol abrir de novo (e ele vai fazer isso), você não fica parecendo uma costela embrulhada no celofane, cozinhando para não rasgar a capa de plástico ao tirá-la. Falando em 2009, olha só o que tocava nos alto-falantes do autódromo no domingo de manhã:

lll RBS: O kart era comum (mesmo com um pequeno hiato de 2 anos no contrato e posterior retomada dos serviços) mas foi só em 2015, pelo poder das amizades feitas por conta de podcasts onde deixei algumas contas para trás e fui junto com o pessoal do Café com Velocidade no insano Setor G.

Fonte: Acervo Pessoal

lll RBS: Velho… como dizem na gíria, ainda bem que eu “tava no pano dos mano”. Eu tive mais certeza ainda de que assim como o rock, o automobilismo não estava morto. Muitos daqueles caras iam lá há décadas, alguns desde os anos 80 quando ainda era necessário voltar para a fila depois do treino de sábado e passar lá até a abertura dos portões.

lll RBS: Não vou falar nada do glamour que a gente via na Telefunken antigamente ou agora na tv 4K. A parada é insana. Você não precisa dormir lá mas CHEGA CEDO, PÔ! Vai achando que vai chegar no domingo de banhozinho e cafezinho tomado e recostar seu belo popô para ver a corrida do melhor lugar às 11:00hs da manhã. NÃO, VOCÊ NÃO VAI! Primeiro porque é um desrespeito com aqueles que cumprem a tradição de estar lá e outra que lá no G é a lei do cão! Excessos à parte, torcidas como a Pisa Fundo fazem dessa zona deliciosa algo organizado e divertido. Para garantir essa diversão, você deve ter muito, mas muuuuuito senso de humor como as organizadas e a galera que não é da torcida mas está lá todo ano.

lll CEV: Uma das cenas mais emocionantes que eu já presenciei nas arquibancadas aconteceu em 2012. No domingo de manhã um senhor chegou com seu acompanhante e sentou à nossa frente. Estávamos fazendo aquela bagunça, e eu ouvia seus risos, mas demorei um pouco a perceber que, quando ele ia ao banheiro, precisava de alguém para guia-lo. Esse cabeça de gasolina máster (não consigo lembrar o seu nome), era um mecânico que havia perdido a visão muito cedo na vida, mas fazia questão de estar presente no autódromo para ouvir o rugido dos carros passando à sua frente. A imagem dele sentado, sorrindo, enquanto todos estavam de pé à sua volta vendo a corrida ainda me provoca arrepios e me faz pensar que qualquer perrengue vale a pena para estar lá.

Uma imagem que define o amor à Fórmula 1
Fonte: Acervo Pessoal

lll RBS: Interlagos é como o Vaticano dentro da Itália. Tem suas próprias regras, inclusive no que diz respeito às situações climáticas. Um calorzinho matutino pode facilmente deixar o torcedor bronzeado de mormaço. Enquanto no G nós fritamos alguns ovos e questionamos a masculinidade dos fiscais, o Setor A pode estar encoberto por alguma nuvem e até ter alguma garoa. Imagina como é em SPA…

lll RBS: São 3 dias onde a intensidade aumenta. A besta que lhes escreve ficou tão admirado com aquele clima que no sábado tinha queimado quase todas as suas energias. Comeu espetinhos para cacete e pensou que estava se hidratando tomando diversos copos de cerveja. Chegando em casa a noite em situação de orientação mental duvidosa, a Santa Esposa ainda lhe ofereceu esfiras enquanto ouvia pacientemente histórias sem nexo juntamente com mãe e sogra que admiravam como eu consegui chegar inteiro em casa e se eu teria condições de cochilar para estar novamente antes das 7 da matina no domingo. Um saldo negativo foram as lentes de contato que praticamente secaram no olho e dormi com compressas…

lll CEV: As “queimadas de largada” são comuns, principalmente no sábado, quando o pessoal está mais empolgado e tem mais tempo de sobra até o início do Quali. É o dia das torres de copos, das declarações de amor e consideração, das corridas aos banheiros químicos e de um ou outro abandono precoce:

Não vou dizer quem é. Só que tem um megafone.
Fonte: Acervo Pessoal

lll CEV: Uma dica que vocês não esperavam, vindo de mim: se estiver realmente calor, comprem água. Uma água a cada cerveja. Derramem metade do copo na cabeça (como Interlagos pode parecer Tatooine em um dia de verão, você vai ficar seco novamente rapidinho) e tomem a outra metade, depois voltem à breja. Isso pode ser a diferença entre um domingo maravilhoso e outro só muito legal.

lll RBS: Se vale um toque sutil (Adrian é vc) que faz uma baita diferença são os encontros promovidos principalmente pelos Podcasts F1 Brasil e Café Com Velocidade. Seja no Bar do Juarez ou em qualquer outro lugar, vale muito a pena encontrar aqueles que trocamos ideias durante o ano, tirar sarro daquele ferrarista que está na fila por décadas e passar horas divertidas em um ambiente mais controlado do que o caldeirão de Interlagos. Particularmente, nunca consegui ir até o Juarez e só fui me encontrar com meus chefes e parceiros aqui do BP em um evento extra corrida esse ano em Pinheiros onde a Morada da Cerveja se Abriga nos Fundilhos do Padre. Inclusive, conheci esse garbo de homem que eu comecei a admirar nos primórdios do Podcast F1 Brasil e agora tenho a honra de compartilhar essas páginas tão sagradas no Boletim do Paddock.

A bandeira é cortesia do excepcional Edu Martins (@educap1974 no Twitter), que ainda não apareceu por lá. Ainda.
Fonte: Acervo Pessoal
Os “usual suspects” do PF1BR ainda não conseguiram encontrar-se pessoalmente na sua totalidade. Acreditamos que em 2018 isso vá acontecer.
Fonte: Acervo Pessoal

lll CEV: E essa é a magia da coisa, Bunny! Vamos supor que você não está em condições de pagar o ingresso nesse ano, mas more ou esteja em SP no final de semana: bora nos reunir nas noites de sexta e sábado, bater um papo sobre Fórmula 1, a vida, o universo e tudo mais. Na sexta os locais de encontro em 2018 vão ser primeiro na Hamburgueria LM09, em Moema, no evento do Boteco F1 das 20 às 22h, e depois para quem quiser continuar a bagunça podemos nos ver no Cdo Padre, no Largo da Batata. Sábado à noite o encontro tradicional é no Bar do Juarez, em Moema. Lembrando, é claro, que os eventos são espontâneos e não exatamente organizados de maneira oficial, então vale a pena nos acompanhar no Twitter para ver se houve alguma mudança de planos. Os estabelecimentos não tem nenhuma parcela de culpa nisso.

lll RBS: Domingo de prova. Sim, arrebentado mas ainda vivo, me levantei e chamei o Uber pois ir de carro próprio sem um esquema de garagem é roubada. Se você quiser ir ou não tiver como se deslocar de transporte publico, deixe seu carro longe do autódromo. Principalmente na saída, as imediações viram um caos.

lll CEV: As linhas de ônibus exclusivas colocadas pela prefeitura de São Paulo nos últimos anos são uma mão na roda: rápidos, confiáveis e animados. Vale a pena se informar dessa forma de chegar até o José Carlos Pace.

lll RBS: A corrida não foi lá aquelas coisas. Aliás, em 2015 o domingo foi o menos atrativo se eu fizer um balanço, mas o conjunto da obra é sensacional. Me lembro até hoje do nosso brother, Thiago Raposo me passar diversas coordenadas e dizer na sexta-feira “Bunny, não se esqueça do primeiro carro que viu em movimento em uma pista: a Marussia do Will Stevens”. Infelizmente, aquele foi o último ano da equipe que ficou marcada por Jules Bianchi tanto por seu acidente quanto por seus únicos 2 pontos em Mônaco 2014.

lll RBS: Então veja você, Amigo(a) Cabeça de Gasolina que porventura ainda não tenha ido a Interlagos ou qualquer outro GP. O sofrimento é grande. Você pode ser zuado o fim de semana inteiro, pode ir buscar comida e não conseguir voltar para seu lugar, pode pegar um calor danado, pode pegar frio e chuva, dorme pouco e come mal por 3 dias e se for trabalhar na segunda-feira e/ou voltar para sua cidade/estado no domingo à noite,… baita programa de índio, né? Pode ser para aqueles que não tem a paixão do automobilismo na veia, mas quando você ama esse esporte, logo no dia seguinte já estará pensando no ano que vem.

lll CEV: Uma brincadeira que também já virou profecia é, ao sair do autódromo no domingo, com todos os músculos do corpo doloridos, olheiras, uma leve dor de cabeça, cheirando como um animal morto em decomposição e ainda com um trecho de viagem pela frente, virar para o amigo ao lado e dizer, bem sério: “Tô muito velho prá isso. Já deu prá mim. Só volto aqui ano que vem, agora”.

lll CEV: Falta uma semana para a prova, cinco dias para os carros acelerarem na pista. Fiquem então com uma musiquinha recente mas que aprendemos a amar e com fotos aleatórias de uma história de vida em GPs do Brasil. Vemos vocês por lá, nesse ano ou nos próximos, cabeças de gasolina!

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lll BPBeats é uma produção da dupla que não é sertaneja, contudo é a prova que panela velha faz comida boa sim, Carlos Eduardo Valesi que já era residente fixo do BP em conjunto com Ricardo Bunnyman peça única da podosfera tupiniquim que foi recentemente adquirido em um leilão beneficente e por uma força do destino do qual nem os búzios, nem os zodíacos e muito menos os físicos teóricos da Magrathea poderiam prever que o encontro desses dois surgiria uma série tão empolgante e digna das melhores revistas do ramo musical tal qual como Rolling Stones e da saudosa MTV, apreciem sem moderação.

BP Beats

Depois de um bate papo no happy hour do BP, entre uma brincadeira e outra surgiu a ideia de uma nova atração no site que é essa que o Amigo Cabeça de Gasolina está pondo os olhos agora: O BP Beats tem como ideia fazer algum tipo de sintonia com o automobilismo e sua provável trilha sonora, sob a batuta de Carlos Eduardo Valesi e Ricardo Bunnyman você irá serpentear pelo universo do automobilismo com rápidas paradas nos mundos colonizados por músicos e suas obras!!!