Berger e Benetton Brilham pela Última Vez – Dia 67 dos 365 dias mais importantes da história do automobilismo – Segunda Temporada • BP • Boletim do Paddock

Berger e Benetton Brilham pela Última Vez – Dia 67 dos 365 dias mais importantes da história do automobilismo – Segunda Temporada

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 Pin It Share 0 Filament.io 0 Flares ×

Após ser presenteado com uma vitória carregada de sorte no resta um de Silverstone, Jacques Villeneuve se encaminhava agora para o GP da Alemanha de 1997 apenas 5 pontos atrás do líder Schumacher e obstinado a tentar recuperar a ponta do campeonato. Enquanto a batalha entre o alemão e o canadense esquentava, um certo austríaco que fazia seu retorno ao grid aproveitaria para roubar a cena em Hockenheim.

Um sinusite grave forçou Berger a se submeter a duas operações e consequentemente perder três etapas da temporada. Recuperado, o austríaco reaveu seu assento na Benetton e queria agora provar que realmente estava 100% de volta. As primeiras evidências vieram ainda no sábado através de uma pole position surpreendente de Gerhard, a primeira da equipe desde 1995. O veterano era seguido pela Jordan de Fisichella e a Mclaren de Mika Hakkinen. Michael Schumacher se contentou com uma modesta 4ª posição, fechando a segunda fila, já Villeneuve enfrentou problemas tanto em seu bólido quanto no carro reserva e se classificou em uma trágica 9ª colocação. Com um grid totalmente bagunçado e candidatos ao título misturados no pelotão intermediário, o GP da Alemanha tinha tudo para trazer fortes emoções.

Fonte: Continental Circus

No domingo, um começo de prova totalmente antagônico para as Ferraris. Michael Schumacher saltou muito bem na largada e superou Hakkinen ainda no primeiro setor, posteriormente colando na traseira de Fisichella na batalha pela 2ª posição. Irvine, por sua vez, também ganhou posições na largada, entretanto, colidiu com Frentzen após a primeira chicane e sofreu um furo de pneu, caindo imediatamente para o fim do grid e levando o alemão consigo. Ainda no final do primeiro giro, David Coulthard rodou sozinho e também despencou no pelotão. Os três pilotos aproveitaram o momento para parar nos boxes mas todos abandonaram a prova no ato, devolvendo as atenções para a briga entre Benetton, Jordan e Ferrari pela liderança da corrida.

Com todo o caos da primeira volta, Jacques Villeneuve já era o 6º colocado, assistindo a briga entre Hakkinen e Alesi pelo 4º lugar de uma posição muito privilegiada. Na ponta, Berger abria uma vantagem segura em relação ao 2º colocado Giancarlo Fisichella, que via a Ferrari de Michael Schumacher crescer cada vez mais em seus retrovisores. Um pouco mais atrás, o então campeão mundial, Damon Hill, sofria no pelotão intermediário com sua Arrows, arrastando seu bólido para uma heróica 10ª posição após ultrapassar a Sauber de Johnny Herbert.

Fonte: Continental Circus

Com 10 voltas completadas, a vantagem de Gerhard na liderança já beirava os 8 segundos, enfatizando uma ótima performance da Benetton em Hockenheim. Em contrapartida, os dois concorrentes ao título se encontravam estagnados na prova, Schumacher ainda estava preso atrás de Fisichella enquanto Jacques perdia contato com o Top 5 e sentia Jarno Trulli se aproximando em busca da 6ª colocação. Jean Alesi foi o primeiro dos líderes a parar nos boxes, levando sua Benetton para os pits na 16ª volta e sendo seguido pelo seu companheiro de equipe, Berger, no giro seguinte. O austríaco voltou logo atrás de Hakkinen, mas conseguiu despachar o finlandês na volta seguinte e ficar de cara para o vento. Com paradas tão prematuras, tudo parecia indicar que os dois pilotos se encaminhavam para uma estratégia de duas paradas.

Fonte: Continental Circus

Na volta 21 foi a vez de Hakkinen e Villeneuve partirem para os boxes, fazendo seus únicos pit-stops na prova. Schumacher se encaminhou para os pits na volta seguinte e o então líder, Giancarlo Fisichella, enfim fez sua parada no 24º giro. Com todos os pit-stops resolvidos, Berger era novamente o líder, Fisi era o segundo e Alesi completava o pódio mas era seguido de perto pela Ferrari de Michael Schumacher. Com as duas Benettons aparentemente em estratégias diferentes, o GP parecia estar completamente aberto e o jovem italiano da Jordan estava em uma ótima posição.

De fato, Alesi partiu para os boxes na volta 30, voltando para a pista no meio do tráfego. Na 34 foi a vez de Berger, que liderava com uma vantagem de 20 segundos. O austríaco voltou imediatamente atrás de Fisichella, estabelecendo dois enredos opostos na briga pela vitória. De um lado o jovem italiano, ainda em seus 24 anos, batalhava pela sua primeira vitória e o primeiro triunfo da Jordan na categoria. Do outro, o veterano Berger buscava mais um 1º lugar na carreira, pilotando por uma equipe que outrora já havia sido campeã mundial, mas que agora recebia um papel mais coadjuvante na Fórmula 1. Enquanto a vitória era decidida na ponta, Jacques Villeneuve rodou sozinho e foi forçado a abandonar, jogando fora pontos valiosos na batalha pelo título.

Fonte: Continental Circus

Apesar de todo seu ímpeto para vencer pela primeira vez, Fisichella não foi capaz de suportar os pneus novos de Berger, que rapidamente se livrou da Jordan e recuperou a ponta, buscando estabelecer o mesmo controle do início do GP. Gerhard realmente parecia ser capaz de controlar os ataques do italiano, já Schumacher tentava um último sprint para alcançar a dupla e brigar pelo troféu, contudo, restando apenas 6 voltas para o fim do GP, o jovem piloto da Jordan sofreu um furo no pneu traseiro esquerdo e se viu obrigado a abrir mão de um resultado espetacular. Michael aproveitou o golpe de sorte e a larga vantagem para o agora 3º colocado, Mika Hakkinen, para parar novamente, facilitando ainda mais a vida do austríaco.

Fonte: Continental Circus

O veterano de 37 anos venceu, conquistando um resultado que seria histórico em graus desconhecidos na ocasião. Esse seria o último pódio e a última vitória de Gerhard Berger na Fórmula 1, que ainda se aposentaria no final de 1997 após 13 anos de carreira. A Benetton, por sua vez, contratou o jovem Fisichella para o seu lugar, mas mesmo assim permaneceu distante das glórias do início dos anos 90.  O time durou apenas mais 4 anos até ser comprado pela Renault, que buscava criar uma equipe própria novamente, sendo esse o último triunfo da Benetton na categoria também.

No campeonato de pilotos, Michael Schumacher aproveitou mais um vacilo de Villeneuve para abrir 10 pontos de vantagem na ponta. Entre as equipes, a Ferrari segurava agora 9 pontos de frente em relação a Williams, que saiu zerada de Hockenheim, em um GP que deixou as batalhas das gigantes em segundo plano e privilegiou os heróis improváveis e equipes coadjuvantes.

Fernando Brandão Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Formula Legend e no Superlicense de vez nunca.