A estreia da nova era técnica da Fórmula 1 revelou-se um teste severo para a Aston Martin. Após o turbulento Grande Prêmio da Austrália, disputado no último domingo, o espanhol Fernando Alonso manifestou dúvidas sobre a capacidade da equipe de completar a corrida do próximo fim de semana no Grande Prêmio da China.
A escuderia britânica, que iniciou nesta temporada uma parceria exclusiva com a Honda, enfrentou uma jornada complicada em Melbourne. Tanto Alonso quanto seu companheiro de equipe, o canadense Lance Stroll, foram obrigados a abandonar a prova após problemas na unidade de potência provocarem fortes vibrações nos carros e limitarem drasticamente o número de voltas possíveis.
O chefe da equipe, o renomado projetista Adrian Newey, revelou ainda na quinta-feira anterior à corrida que as vibrações transmitidas pelo volante poderiam representar risco físico aos pilotos caso eles tentassem permanecer muito tempo na pista. Segundo ele, ultrapassar cerca de 25 voltas consecutivas poderia provocar até danos nos nervos.
Newey também explicou que a Honda havia levado quatro baterias para Melbourne, mas duas delas já apresentaram falhas, deixando apenas as unidades instaladas nos carros disponíveis para uso.
Nova era técnica traz desafios
A temporada atual marca o início de um novo ciclo técnico na Fórmula 1, com mudanças profundas nos motores e nos chassis. Nesse contexto de adaptação, a Aston Martin aposta na nova aliança com a Honda para construir sua competitividade futura.
Durante a corrida australiana, Alonso, bicampeão mundial e Stroll retornaram aos boxes antes de voltarem à pista, apenas para posteriormente abandonar definitivamente a prova, explicou Newey:
Hoje foi principalmente uma oportunidade para aprender mais sobre o AMR26. Ambos os carros largaram e, quando ficou claro que não poderíamos disputar pontos, optamos por ir aos boxes e verificar os carros […] a equipe então pediu que Fernando retirasse o carro da corrida para preservar componentes.”
Apesar do revés, Alonso destacou que a equipe já percebe avanços em relação aos testes de pré-temporada realizados no Grande Prêmio do Bahrain.
Cautela para a corrida na China
Mesmo reconhecendo o esforço coletivo para resolver os problemas, o espanhol demonstrou cautela quando questionado sobre a possibilidade de completar a corrida no circuito chinês.
Acho que isso seria otimista, mas podemos ao menos tentar”, declarou Alonso à emissora Sky Sports.
Segundo o piloto de 41 anos, a equipe ainda viajará para a China com um estoque limitado de componentes.
Obviamente ainda estamos com poucas peças para a China, é já na próxima semana. Mas para Bahrein aparentemente chegarão mais baterias e mais estoque, então na China podemos assumir mais riscos no domingo.”
Após a etapa chinesa, o campeonato segue para o tradicional Grande Prêmio do Japão, disputado no icônico Suzuka Circuit, corrida considerada especial para a Honda por ser realizada em casa.
Calendário sob incerteza
O calendário também pode enfrentar turbulências fora das pistas. As etapas previstas no Grande Prêmio do Bahrein e no Grande Prêmio da Arábia Saudita correm risco de cancelamento em razão da escalada de tensão no Oriente Médio após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, seguidos por uma resposta iraniana com drones e mísseis.
Confiança cautelosa da Honda
Do lado da montadora japonesa, o tom é mais moderadamente otimista. O representante da Honda, Shintaro Orihara, avaliou que o fim de semana australiano trouxe informações importantes para o desenvolvimento do conjunto.
Este evento foi extremamente importante para verificarmos a confiabilidade das baterias […] podemos ver em nossos dados que as vibrações nas baterias continuaram diminuindo, e agora estamos confiantes de que estamos no caminho para completar a distância total de uma corrida.”
Segundo Orihara, a etapa chinesa será dedicada principalmente à coleta de dados.
Na próxima semana, na China, estamos confiantes de que poderemos aumentar a quilometragem da bateria. Vamos focar em completar voltas e coletar dados para melhorar nosso desempenho e otimizar a gestão de energia”
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