A Indy 500 Cada Vez Mais Brasileira – Dia 04 de 365 dias mais importantes da história do automobilismo – Segunda Temporada.

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O ano era 2003, após duas vitórias seguidas de Hélio Castroneves nas 500 milhas de Indianápolis anteriores, o lendário circuito americano aguardava 33 pilotos no dia 25 de Maio para a realização da 87ª edição do clássico GP. Em uma prova que contava com a presença de dois ex-presidentes pela primeira vez na história, o domínio ficaria com uma verdadeira legião de forasteiros que desbravaram o novo mundo em busca de desafiar os pilotos da casa.

O Pole Day estava marcado para o dia 10 de Maio, entretanto, Billy Boat colidiu violentamente com a barreira de proteção da curva 4 logo começo da sessão e forçou reparos na região. O piloto foi levado para o centro médico e posteriormente liberado para a corrida, em contrapartida, os reparos do muro foram concluídos pouco antes de uma tempestade castigar o circuito, acarretando o adiamento da classificação para o dia seguinte. Com pista limpa e sem maiores acidentes, Hélio Castroneves garantiu a pole na busca pela 3ª vitória consecutiva, Tony Kanaan ficou com a 2ª posição e Robby Gordon fechou a primeira fila. Os rookies Scott Dixon e Dan Wheldon abriam a segunda fila enquanto Gil de Ferran largava apenas em 10º. Destaque também para A.J. Foyt V, que com sua 23ª colocação se tornou o piloto mais jovem da história a se classificar e correr em uma Indy 500. O jovem americano seria indiretamente decisivo na briga pela vitória.

#6 MARLBORO TEAM PENSKE PANOZ G FORCE/TOYOTA DRIVEN BY GIL DE FERRAN Photo from INDYCAR

Hélio manteve a ponta após a largada e a primeira bandeira amarela foi acionada logo na volta 9 após Billy Boat sofrer falhas mecânicas. A corrida foi retomada na volta 15, mas Sarah Fisher rodou na curva 3 e trouxe as amarelas novamente. As duas Penskes de Castroneves e Ferran, que lideravam o pelotão, partem para suas primeiras passagens pelos pits, entregando a liderança para Scott Dixon na volta 17. Michael Andretti assumiu a ponta nos giros seguintes, se estabelecendo na 1ª posição em sua última aparição nas 500 milhas, pelo menos em teoria. Tony Kanaan até tentou oferecer resistência, mas o americano mostrou do que a experiência de quase 20 anos no automobilismo é capaz.

#3 MARLBORO TEAM PENSKE DALLARA/TOYOTA
DRIVEN BY HELIO CASTRONEVES Photo from INDYCAR

Tony e Michael pararam após a volta 50 e mais uma amarela posteriormente causada por Robbie Buhl trouxe o resto do pelotão para os boxes, bagunçando ainda mais o grid. O sul-africano Tomas Scheckter foi o maior beneficiado, assumindo a ponta e abrindo de Michael Andretti e das duas Penskes que agora ameaçavam o americano. Mesmo com a ótima posição de pista, o final da Indy 500 seria melancólico para Andretti, uma vez que na volta 98 seu carro sofreu falhas mecânicas e forçou seu abandono. Com a metade da prova superada, a briga pela vitória começava a se intensificar e seus personagens começavam a ser determinados. Scheckter se estabeleceu na liderança e era seguido pelas Penskes de Hélio e Ferran. Um pouco mais atrás, Tony Kanaan fatiava o pelotão com autoridade e assumia agora a 4ª posição, se aproximando da batalha pela ponta.

#22 METABOLIFE/JOHNS MANVILLE/MENARDS DALLARA/CHEVROLET
DRIVEN BY VITOR MEIRA Photo from INDYCAR

O sul-africano segurou a ponta até a volta 127, quando o brasileiro Airton Daré encontrou o muro e forçou mais uma bandeira amarela. Boa parte do pelotão aproveitou a oportunidade para fazer mais uma passagem pelos boxes, inclusive os líderes, todavia, o piloto que emergiu na liderança foi Hélio Castroneves, superando Scheckter no pit-stop. Na relargada foi a vez de Gil de Ferran ultrapassar Tomás, completando a dobradinha da Penske na ponta. Poucos giros depois, Tony Kanaan também superou o piloto da Chip Ganassi, colocando assim três brasileiros nas três primeiras posições das 500 Milhas de Indianápolis, o Top 6 estava agora separado por cerca de 1.6 segundos e menos de um quarto da prova restava.

A corrida entrava em seus últimos capítulos e ficava cada vez mais claro que a briga pela vitória seria realmente entre as duas Penskes. Hélio buscava ser o primeiro piloto da história a vencer em Indianápolis três vezes consecutivas, já Gil de Ferran, aos 35 anos queria enfim provar o sagrado leite das 500 milhas após bater tantas vezes na trave. Dois pilotos de elite e dois enredos dignos de filme batalhando pelo triunfo em um dos palcos mais icônicos do automobilismo mundial. As últimas paradas nos boxes de ambos os pilotos são tranquilas, até que A.J. Foyt IV, que vinha no Fim do GridⓇ, entra em cena. Ao tentar dar mais uma volta no jovem americano, Hélio perde um pouco de momento e é forçado a desacelerar, o deslize permite que Ferran se aproxime e ultrapasse seu compatriota e companheiro de equipe com apenas 31 voltas restantes. Mais três amarelas são causadas por Robby Gordon, Scott Sharp e Dan Wheldon, mas a ordem na ponta permanece inalterada e cada vez mais quente.

#21 HOLLYWOOD MO NUNN RACING PANOZ G FORCE/TOYOTA DRIVEN BY FELIPE GIAFFONE Photo from INDYCAR

Com 6 voltas para o final, o grid recebe mais uma bandeira verde e as Penskes continuam coladas na briga pela vitória, Tony Kanaan ainda tenta bravamente se manter próximo dos dois líderes enquanto Scheckter apenas observa os brasileiros abrirem cada vez mais na ponta. Hélio tentou de todas as formas, mas o dia era de Gil de Ferran, que superou 32 carros e uma cãibra no ombro para vencer as 500 Milhas de Indianápolis pela 1ª vez na carreira. Essa foi a segunda dobradinha em três anos da Penske e a terceira vitória consecutiva da equipe no solo sagrado.

#11 TEAM 7-ELEVEN DALLARA/HONDA DRIVEN BY TONY KANAAN Photo from IMS

Ferran em 1º, Hélio em 2º e Kanaan em 3º, 1-2-3 em solo americano e as 500 milhas ficavam cada vez mais brasileiras, já que o próprio Castroneves havia vencido as duas etapas anteriores. Ao ir parabenizar seu companheiro de equipe pelo triunfo, Hélio foi prontamente puxado por Gil para o alambrado para que os dois pudessem reproduzir o gesto que se tornou marca registrada do bicampeão de Indianápolis, um final apoteótico para um domingo verdadeiramente brasileiro em um dos asfaltos mais sagrados do automobilismo mundial.

Fernando Brandão Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Formula Legend e no Superlicense de vez nunca.