A Evolução da Fórmula 1 – Parte 1: Dos Carros-asa aos Assoalhos Planos

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A temporada de 2017 verá uma das maiores revoluções técnicas nos últimos 20 anos, com o regulamento incentivando a busca por mais velocidade, ao invés de tentar controlá-la. Enquanto esperamos pelo GP da Austrália, o portal oficial da Fórmula 1 trouxe outros momentos nos quais projetistas e engenheiros foram forçados a se adaptar a mudanças drásticas no regulamento, começando pela passagem do efeito-solo para os assoalhos planos em 1983.

Fonte: Formula1.com

Produto da genialidade de Colin Chapman, o efeito-solo dominou a categoria no final dos anos 70 e inicio dos anos 80, proporcionando altos ganhos de aderência e performance nas curvas. A chave para o sucesso desse conceito foi explorar um princípio aerodinâmico chamado efeito Venturi, com o qual a parte de baixo do carro poderia ser projetada de forma que ele atuasse como uma grande asa, o que sugaria o carro para o chão. A Lotus 78 nos deu um indicativo do que poderia ser ganho com o ambiente de baixa pressão criado pelas saias laterais, entretanto, foi a Lotus 79 (imagem acima) que refinou esse conceito e capitalizou as vantagens dos difusores e túneis de Venturi.

Veja também:

+ A Evolução daFórmula 1 – Parte 2: De assistências a Segurança

+ A Evolução da Fórmula 1 – Parte 3: A Chegada de Carros Mais Estreitos

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Fonte: Formula1.com

Com o domínio da Lotus em 1978, vencendo metade das corridas, outras equipes decidiram seguir o conceito aerodinâmico introduzido pelos ingleses, com isso, uma avalanche de carros-asa invadiu o grid, incluindo a saudosa Brabham BT46 (imagem acima), que possuía uma grande turbina na parte traseira, com o objetivo de reduzir a pressão sob o carro.

Após protestos, as turbinas foram abandonadas, mas deram lugar a soluções aerodinâmicas ainda mais extremas no ano seguinte, como a Lotus 80 (imagem no topo) e a Arrows A2 (imagem abaixo), ambas praticamente dispensaram as asas dianteiras tradicionais em detrimento de complexas configurações de saias e túneis. Contudo, enquanto a ideia de quanto “mais efeito-solo melhor” parecia correta no papel e nos túneis de vento, boa parte dos carros se mostrava imprevisível na pista, uma vez que nunca entregavam um nível constante de pressão aerodinâmica, podendo até sumir completamente caso as saias saíssem do lugar ou quebrassem.

Fonte: Formula1.com

Com alertas para a seguranças dos pilotos, especialmente considerando as altas velocidades e forças-G em curvas, o regulamento passou a limitar os benefícios do efeito-solo no ano seguinte, banindo saias e estipulando um limite obrigatório de 6cm entre o assoalhos e o solo. No entanto, as equipes não estavam muito interessadas em abandonar completamente os benefícios que haviam encontrado e logo passaram a tentar encontrar brechas no novo regulamento. A Lotus 88 (imagem abaixo) possuía basicamente dois chassis, o interno era de um carro convencional, separado do externo, que agia como uma grande asa e abaixava quando exposta a altas altas velocidades, mas voltava a altura permitida no pit lane.

Fonte: Formula1.com

O 88 foi banido antes mesmo de alinhar no grid, contudo, a solução encontrada pela Brabham no BT49, o qual possuía saias que abaixavam automaticamente na pista, foi autorizada, dominante e prontamente copiada por outras equipes.

Fonte: Formula1.com

Somente em 1983, após uma temporada recheada de acidente sérios, o efeito solo foi finalmente banido integralmente, uma vez que a obrigatoriedade de um assoalho plano entre os pneus (imagem acima) e a proibição de saias por regulamento foram instauradas.

O efeito dessas mudanças foi drástico e imediato, proporcionando uma redução dramática das velocidades em curvas. Nelson Piquet foi o primeiro campeão dessa era, a bordo do Brabham BT52 (imagem de baixo, abaixo), completamente diferente de seu antecessor (imagem de cima, abaixo), mas ainda extremamente inovador.

Fonte: Formula1.com

Fernando Brandão Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Formula Legend e no Superlicense de vez nunca.

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