A 13 Quilômetros do Triunfo | Boletim do Paddock

A 13 Quilômetros do Triunfo – Dia 74 dos 365 dias mais importantes da história do automobilismo – Segunda Temporada

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 Pin It Share 0 Filament.io 0 Flares ×

Com um temporada cada vez mais espetacular, Hungaroring era o palco reservado para a 11ª etapa de 2008. Apenas 7 corridas restavam no ano e a diferença de 10 pontos entre o líder e o 4º colocado no mundial de pilotos fazia com que o GP da Hungria se tornasse crucial na batalha por soberania no campeonato.

Fonte: @pitpassdotcom

Lewis Hamilton vinha de vitória na Alemanha e segurava 4 pontos de vantagem para os 54 somados por Felipe Massa, que ocupava a vice-liderança. Kimi se mantinha na briga com 51 e Kubica fechava o Top 4 com 48 pontos. O equilíbrio que temperava tão bem o mundial de pilotos também persistiu na classificação para o GP da Hungria e todos os ponteiros ficaram próximos no grid de largada. O líder do campeonato colocou sua Mclaren na pole e viu Kovalainen fechar uma dobradinha da equipe inglesa, Massa abria a segunda fila e era acompanhado pela BMW Sauber de Kubica, enquanto Raikkonen se contentava com uma 6ª colocação, atrás de Timo Glock. Sem um domínio claro de uma das equipes em terreno húngaro, a batalha pela vitória no GP prometia ser totalmente aberta e seus resultados podiam ser extremamente cruciais para o mundial de 2008.

Fonte: @pitpassdotcom

Um dia ensolarado e de muito sol recebeu os pilotos para a prova no domingo, aumentando ainda mais o caráter desgastante do circuito húngaro. O pelotão inteiro teve uma largada sem incidentes Felipe Massa se aproveitou de um salto particularmente meteórico, que superando Kovalainen ainda na reta e pulando para a ponta após uma bela ultrapassagem em Hamilton por fora na curva 1. Nos boxes da Mclaren, todo o trabalho de sábado aparentava ter ido para o espaço em apenas uma curva, no lado italiano por sua vez, a corrida ganhava uma perspectiva totalmente nova e Massa era agora o piloto que ditava o ritmo. Aos poucos os dois ponteiros e protagonistas da temporada iam abrindo uma diferença cada vez maior em relação ao resto do grid, praticamente estabelecendo um duelo mano a mano pela vitória do GP. Um pouco mais atrás, Glock era agora o 4º e Raikkonen, o 7º colocado, encontrava dificuldades para acompanhar a Renault de Fernando Alonso.

Fonte: @pitpassdotcom

Com mais de 10 voltas completadas, o brasileiro ainda controlava a prova com tranquilidade e abria quase 3 segundos de vantagem para Hamilton, entretanto, sua estratégia de pit-stops ainda era desconhecida, levantando questionamentos sobre seu ritmo de corrida real. Massa realmente foi o primeiro a parar, fazendo sua primeira passagem pelos pits na volta 18. Agora a pressão e os olhos do paddock se voltavam para Hamilton, que seguiu os passos da Ferrari e fez seu pit-stop no giro seguinte. Felipe não só manteve a ponta, como também tinha agora Alonso e Kimi entre ele e Lewis. Estrategicamente, a diferença de combustível entre os dois era de 2 ou 3 voltas, apimentando ainda mais a disputa estratégica. Kovalainen, Raikkonen e Alonso pararam nas voltas seguintes, abrindo espaço para o duelo continuar na liderança da prova.

Fonte: @pitpassdotcom

Independente do domínio de Hamilton na sexta e no sábado, Felipe Massa ditava o ritmo com certa facilidade no domingo e mantinha a vantagem na casa de 3 segundos, controlando o ímpeto do inglês. A volta 33 viu três incêndios serem controlados nos boxes, Bourdais, Nakajima e Barrichello viram labaredas em seus carros durante o reabastecimento mas foram capazes de seguir no GP depois do fogo ser controlado. A sorte parecia sorrir cada vez mais para o brasileiro, especialmente após Hamilton sofrer um furo no pneu dianteiro esquerdo na volta 40, o inglês foi forçado a arrastar sua Mclaren prematuramente para os pits, perdendo muito tempo e sendo retirado da briga pela vitória ao voltar para a pista 10º.

Fonte: @pitpassdotcom

Quatro giros depois, Massa partiu para os boxes e precisava agora apenas esperava Kovalainen fazer o mesmo para recuperar uma liderança simplesmente dominante. Sem ninguém por perto e Lewis fora da zona de pontuação, o brasileiro contemplava agora a chance de assumir a ponta do mundial de pilotos com 6 pontos de frente, sua única missão agora era levar o carro para casa. Apenas 22 voltas restavam quando Heikki parou pela segunda vez, entregando a ponta para Felipe, que tinha agora pista livre e vantagem de sobra para administrar a 1ª posição e se redimir de resultados ruins em Silverstone e Hockenheim, além de um histórico ruim no próprio GP da Hungria. Também em uma prova extremamente consistente, Timo Glock se via estabelecido em 3º e diante da possibilidade de subir ao pódio pela primeira vez na carreira.

Fonte: @pitpassdotcom

Com apenas 10 voltas para o final, Felipe administrava uma larga vantagem para o segundo colocado, Heikki Kovalainen, que buscava entregar resultados melhores para a Mclaren. Em 3º, Timo Glock controlava o nervosismo e via seu primeiro banho de Champagne cada vez mais perto. Kimi era apenas o 4º e Hamilton o 6º, se essas condições fossem mantidas, Massa sairia da Hungria com 3 pontos de vantagem na liderança do mundial de pilotos, fora toda a redenção que também viria como consequência.

Fonte: @pitpassdotcom

Eis que com apenas 3 voltas restando, tudo mudou. Após uma performance sólida e dominante nos 67 primeiros giros da prova, Felipe Massa foi forçado a abandonar o GP com problemas no motor. Sentado em seu bólido, o brasileiro apenas assistia a vitória e os 10 pontos escaparem de suas mãos a apenas 13km da bandeira quadriculada. A liderança caía agora no colo de Kovalainen, que corria sozinho e buscava sua primeira vitória na categoria enquanto seu companheiro de equipe assumia a 5ª posição e voltava a sorrir de orelha a orelha.

Fonte: @pitpassdotcom

Heikki venceu, triunfando pela primeira vez e carregando um legado de sucesso já conhecido entre pilotos finlandeses. Em segundo, Glock conquistava seu primeiro pódio e era seguido por Kimi, que bebia Champagne novamente apesar da corrida apagada. No mundial, Hamilton tinha agora 5 pontos de vantagem para o 2º colocado, Raikkonen, que superou Massa devido ao infortúnio do brasileiro. Se por um lado o resultado esquentou a batalha pelo título, por outro se provaria decisivo ao final da temporada de 2008, certamente um divisor de águas.

Fonte: @pitpassdotcom

Fernando Brandão Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Formula Legend e no Superlicense de vez nunca.