28 de Dezembro de 1963, Jim Clark Escreve seu Nome na História pela 1ª Vez – Dia 221 de 365 dias mais importantes da história do automobilismo

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1963. A F1 ainda dava seus primeiros passos e entrava em sua 13ª temporada. 10 corridas faziam parte do calendário, com 7 delas na Europa, além dos GPs dos Estados Unidos, México e África do Sul, sendo que as 4 piores pontuações seriam descartadas. 8 equipes marcaram pontos durante o ano, contudo, 19 participaram de ao menos uma etapa do mundial. Da mesma forma, 17 pilotos pontuaram e incríveis 52 competidores participaram de pelo menos uma das corridas da temporada. Mesmo com esses números absurdos, um certo britânico foi capaz de dominar o resto do pelotão de maneira incontestável, estabelecendo recordes que até hoje não foram batidos. O dia 28 de Dezembro marcou o fim de uma performance irretocável de Jim Clark.

Fonte: CLAD Global

Após suas primeiras vitórias na F1 e o vice-campeonato de 1962, Clark partia para a sua 4ª temporada pela Lotus obstinado a lutar ainda mais pelo título. O britânico ficou apenas 12 pontos atrás de seu compatriota Graham Hill, que seria novamente seu principal concorrente em 1963, com Ginther, Brabham e Gurney correndo por fora. O então campeão mundial permaneceu na BRM, que levou praticamente o mesmo monoposto para a temporada seguinte, com exceção de algumas alterações. Hill também não trocou de equipe, contudo, a Lotus revolucionou completamente no design do seu bólido. A introdução do monocoque no Lotus 25 fez com o que carro ficasse três vezes mais rígido que seu antecessor, pesando menos da metade do Lotus 24. Seu perfil baixo e esguio também era inovador, tal qual a postura do piloto, que assumia uma posição mais reclinada atrás do volante, rendendo o apelido de banheira para o bólido. 

Fonte: Peter Windsor

Clark conquistou a pole na primeira corrida do ano, em Mônaco, com acachapantes 7 décimos de vantagem para o segundo colocado, Graham Hill. Jim liderou a prova com certa facilidade, seguido pelas duas BRMs batalhando pelo segundo degrau do pódio. No entanto, na 78ª volta de 100, o britânico foi forçado a abandonar devido a um problema de câmbio, perdendo a liderança confortável da prova e assistindo seu rival começar a temporada com a vantagem nas mãos novamente. A F1 partiu então para o templo de Spa, onde Clark foi capaz apenas de um modesto 8º lugar na classificação, enquanto Hill garantiu a pole. Muita chuva castigou o circuito na manhã de domingo, mas o tempo curiosamente abriu e a largada foi sob sol. Antes mesmo da primeira curva, Jim mergulhou o dentro e assumiu a ponta. O circuito ainda estava molhado e a Lotus 25 do britânico ainda enfrentava problemas de câmbio, com isso, a ameaça de Hill crescia cada vez mais nos retrovisores do líder da prova. Contudo, na volta 17 o piloto da BRM foi forçado a abandonar com problemas na transmissão. Pouco depois disso, uma verdadeira tempestade atingiu Spa, os tempos de volta saíram dos 3 minutos e meio para mais de 6. Mesmo assim, Jim Clark deu uma volta no grid inteiro, com exceção do segundo colocado Bruce McLaren, que terminou a prova mais de 5 minutos atrás da Lotus. Com duas provas realizadas, Bruce era o líder com 10 pontos, seguido por Hill, Ginther e Clark com 9. 

Fonte: Primotipo

Nova caixa de câmbio para a Lotus e novo chassis para a BRM na terceira etapa do ano, em Zandvoort. Clark foi novamente pole, 6 décimos mais rápido que Hill. No domingo, a Lotus desapareceu na ponta, deixando a batalha entre Graham e Brabham para trás. Ambos acabariam abandonando com problemas mecânicos, promovendo Surtees e Gurney para os degraus do pódio. Clark deu uma volta no pelotão inteiro e conquistou o segundo Grand Chelem de sua carreira com extrema facilidade. Dan Gurney levou sua Brabham para a segunda posição, sendo esse o primeiro pódio da equipe, e John Surtees levou sua Ferrari para um heroico terceiro lugar. Na França, Clark assumiu a liderança na largada e não foi mais alcançado. Enquanto isso, Hill enfrentou problemas de motor logo começo da prova e precisou ter seu carro empurrado para largar. Problemas mecânicos com Ginther e Brabaham entregaram o pódio para Tony Maggs e o próprio Graham, mas o piloto da BRM não receberia pontos pelo terceiro lugar devido ao pequeno empurrãozinho no começo do GP. Após quatro etapas, Jim liderava com 27 pontos, Gurney vinha em segundo com 12 e Ginther fechava o Top 3 com 11.

Fonte: Pinterest

Clark largou na pole em Silverstone mas foi superado pelas duas Brabhams antes da primeira curva. O britânico recuperou a ponta na 4ª volta da prova e administrou a liderança até a bandeirada. Jack Brabham acabou abandonando na volta seguinte e Gurney também deixaria o GP no 59º giro. Os infortúnios da equipe entregaram a briga pela segunda posição para Surtees e Hill, os quais terminaram nessa mesma ordem após a BRM ficar sem combustível na reta final. Essa combinação proporcionou também um pódio totalmente britânico em Silverstone. Na 6ª etapa do ano, em Nurburgring, Jim novamente largou na pole, entretanto, seu motor V8 logo caiu para apenas 7 cilindros, complicando muito a vida do britânico. John Surtees eventualmente superou a Lotus, partindo para a sua primeira vitória da carreira. Clark se arrastou para seu único 2º lugar em 9 anos de F1, com Ginther fechando o pódio. Com 6 etapas concluídas, Clark liderava o mundial de pilotos com 42 pontos, seguidos pelos 22 de Surtees e 18 de Ginther.

Fonte: Taringa

A F1 partiu então para o lendário autódromo de Monza. Surtees garantiu a pole na 100ª largada da Ferrari, com Hill em segundo e Clark apenas em 3º. Os três pilotos protagonizaram lindas batalhas pela ponta nas primeiras voltas da prova, todavia, problemas mecânicos atingiram John e Graham, deixando a Lotus com pista livre para administrar o resto da corrida em velocidade de cruzeiro. Clark venceu sua 5ª etapa no ano, garantindo o título mundial com três etapas de antecedência, o primeiro piloto a conquistar tal feito. Vendo através da frieza matemática, Clark estava apenas três pontos atrás da pontuação perfeita com somente três corridas pela frente, um domínio sem precedentes. A Lotus também garantiu o título de construtores na Itália. Como efeméride, essa foi a última corrida da história com distância superior a 300 milhas. 

Fonte: Pinterest

Com os dois campeonatos decididos, a F1 finalmente saiu da Europa, uma vez que Watkins Glen seria a casa da 7ª etapa de 1963. Graham Hill garantiu a pole, seguido pelo agora campeão mundial, Jim Clark. Apesar do bom resultado na classificação, o britânico seria forçado a largar do fim do grid devido à problemas com a bateria de seu bólido antes mesmo da largada. Jim fatiou o pelotão impiedosamente, mas não foi capaz de alcançar os pilotos da BRM, terminando a prova em 3º. Hill enfim conquistou sua segunda vitória do ano, seguido pelo seu companheiro de equipe, Richie Ginther. A 9ª corrida do ano, em terras mexicanas, seria palco de mais alguns recordes de Clark. O britânico conquistou a Pole no sábado com inacreditáveis 1.7 segundos de vantagem, sendo essa a 6ª vez que Jim havia colocado sua Lotus em primeiro na classificação, um novo recorde na categoria. Clark foi simplesmente intocável na corrida, mais uma vez quase dando uma volta no pelotão inteiro, assegurando a volta mais rápida da prova e consequentemente seu terceiro Grand Chelem da carreira. A vitória também garantiu que o piloto terminaria a temporada com a pontuação máxima de 54 pontos, além disso, seu 6º triunfo empatava o recorde estabelecido por Fangio. Entre os mortais, Jack Brabham teve uma grande prova, largando na 10ª posição e terminando em 2º.

Fonte: Primotipo

Após todo esse passeio, enfim chegamos ao nosso destino final. A 10ª e derradeira etapa do ano teria a África do Sul como casa e o dia 28 de Dezembro de 1963 como data. Clark conquistou outra pole, aumentando ainda mais seu recorde. Apesar de uma largada perfeita de Jack Brabham, Jim recuperou a liderança na 1ª volta e foi mais uma vez imbatível, dando uma volta até no 3º colocado e chegando muito perto de mais um Grand Chelem, não fosse a volta mais rápida de Gurney nos últimos giros da temporada de 1963. Com o sétimo triunfo no ano, Clark garantiu o recorde de mais vitórias em apenas um ano, outra prova do seu domínio completo. Ao todo foram 73 pontos somados pelo britânico no ano, dos quais 54 não foram descartados, uma pontuação perfeita. 

Fonte: Pinterest

A marca histórica só seria igualada por Alain Prost em 1984 e superada por Senna em 1988. Todavia, ao contrário das 16 etapas das temporadas dos anos 80, Clark conquistou suas 7 vitórias em 10 corridas, sendo dono da melhor porcentagem de vitórias até hoje com seus 70% de aproveitamento. Uma performance avassaladora, inacreditável e digna de um dos monstros do automobilismo mundial. 

Fernando Brandão Campos

Brasiliense, podcaster, Team Pepsi, torcedor do Fluminense e de basicamente todos os times de Boston, além de ser dono de um talento sobrenatural para matar equipes de Fórmula 1 (basta perguntar para a Toyota, Lotus e Aston Martin, que sequer entrou mas provou do veneno). Seu habitat natural é o Twitter mas pode ser encontrado falando besteira em outros lugares também. Joga nas 11 com podcasts no Podcast F1 Brasil, vídeos no Boteco F1 e textos aqui no Boletim do Paddock, com direito a uma passadinha no Formula Legend e no Superlicense de vez nunca.

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