23 de maio de 1993, Ayrton Senna Rei de Mônaco – Dia 02 de 365 dias dos mais importantes do Automobilismo

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||| DOS PROLEGÔMENOS

Um amor incandescente floreava a relação de Ayrton Senna e as ruas de Mônaco, que foi semeada em 1984, quando com a bela Toleman-Hart Ayrton Senna deu um show, terminando na segunda posição, atrás apenas daquele que lhe tiraria o sono em alguns anos.

A primeira vez que alcançou o topo do pódio nas ruas onduladas a moda mediterrânea, foi em 1987 com a Lotus-Honda amarela, dando início a sua busca não verbalizada pelo trono do Principado, em 1988, ao tentar enquadrar a sua face no retrovisor de Alain Prost, Ayrton Senna bate, perde a corrida, porém retoma o caminho glorioso, de 1989 até aquele momento, o asfalto Monaconiano só conheceu um vencer pelos cinco anos seguintes, e até as luzes se apagarem naquele domingo dia 23 de maio de 1993 aparentava que esse quadro iria mudar.

||| SENNA EM MÔNACO

Desde o seu ano de estreia na Fórmula 1, já foi possível apontar que que poderíamos esperar grandes feitos dele no Principado: em 1984 chegou segundo lugar em uma exibição ímpar, cinco poles, 1985 e 1988 a 1991, 1.404kms na liderança e liderava o placar de vitórias em Mônaco com cinco vitórias, em 1987 com a Lotus, 1989, 1990, 1991 e 1992, essas quatro ultimas a bordo de uma McLaren, por outro lado, o quatro do francês havia vencido em 1984, 1985, 1986 e 1988, todas pela McLaren.

||| COMO ESTAVA O CAMPEONATO E A BRIGA PELO TRONO DE MÔNACO

A temporada de 1993 foi sem dúvida alguma, aquela que destacou o talento de Ayrton Senna pela irretocável temporada por ele realizada em seu último ano pela McLaren, mesmo com um carro pouco competitivo e contra as Williams Galácticas de Alain Prost e Damon Hill, este filho do saudoso Graham Hill que até então era o detentor do cajado imperial do Principado de Mônaco nos últimos 24 anos, lembramos também do motor Ford que era inferior ao fornecido a Benetton de Michael Schumacher, ressalto que a fabricante estadunidense além de fornecer um motor inferior, anexou ao pacote o piloto Michael Andretti que nada auxiliava a equipe McLaren, do qual ainda nos perguntamos, “Quando é que o Andretti vai fazer a sua estreia na Fórmula 1?”.

Senna havia sido vitorioso apenas no GP do Brasil em Interlagos e no GP da Europa em Donington Park, do qual dispensam comentários e serão temas de futuros posts.

Até aquele momento o campeonato era liderado por Alain Prost com 34 pontos, contra 32 pontos de Ayrton Senna, o carro de Alain Prost vale lembrar era uma evolução do carro que levou Nigel Mansell ao título de 1992, ou seja, a Williams mantinha o domínio na temporada de 1993 o mesmo impetrado em 1992.

Até o domingo pela manhã, após o Globo Rural, Alain Prost, pole para a corrida, indicava que iria empatar em número de triunfos no Principado com o seu arquirrival o que adiaria o destrono de Graham Hill, agora, o momento panos quentes sobre a pole, Ayrton Senna poderia, em tese tê-la conquista, porém, todavia, entretanto, em um acidente no primeiro treino livre, Ayrton Senna lesiona a mão, o que pode, não vou afirmar nada, ter prejudicado o seu desempenho no treino classificatório, julguem vocês, porém, conforme relatou aos jornalistas brasileiros:

O que aconteceu foi o seguinte: eu tinha dado apenas seis voltas, a pista estava seca e o carro rendia bem. No final da reta dos boxes, eu vinha com toda a potência, sexta marcha aproximadamente 270 km/h, a traseira do carro tocou no chão, bem em cima de uma ondulação. Eu tenho a impressão que as rodas traseiras perderam o contato com o solo e o carro deu uma guinada de 90 graus para a direita e entrou no guard-rail, um impacto bem forte. Depois disso, ele ricocheteou e bateu do outro lado da pista e, uma terceira vez novamente no lado direito. Foram três impactos frontais a toda velocidade, porque, no ritmo que eu vinha, não deu para frear. Eu bati praticamente acelerando

Alain Prost fez a pole como já dito, seguido de Michael Schumacher que já vinha provando o gosto de conduzir com uma desenvoltura impar nas ruas Monte Carlo, Ayrton Senna descarregou todo o seu talento na condução do bólido branco e vermelho e mesmo com uma rodada na saída do túnel em sua derradeira tentativa obteve a melhor marca, à frente de Damon Hill que via o legado do seu pai preservado até aquele momento.

||| DA CORRIDA E DO DIA 23 DE MAIO DE 1993, DESDOBRAMENTOS

“Correr em Mônaco é diferente. Suas estreitas ruas são um desafio constante para o piloto. É preciso raspar os pneus nos guard-rails para ser rápido. Não se pode perder a concentração nenhum segundo. Enfim, é um grande desafio para os pilotos. Eu, particularmente, gosto muito de correr aqui. Fui o primeiro brasileiro a conquistar uma vitória em Mônaco e venci as quatro últimas. É uma emoção muito grande, que gostaria de repetir este ano”, descreveu sabiamente Ayrton Senna já nas tratativas para o GP de Mônaco de 1993.

O austríaco Joseph Leberer, fisioterapeuta de Ayrton Senna realizou um excelente trabalho, expert, liberou Senna com a mão apta a condução da sua McLaren.

Senna larga o suficientemente bem para se manter na terceira posição, Alain Prost, até então faminto pelo sedutor odor da vitória queimou a largada, tendo que pagar uma singela punição de stop-and-go de dez segundos, não contente, o francês com o intuito de dar emoção a prova, deixa morrer o carro, não uma, mas duas vezes, provando que francês sabe se render como ninguém frente ao poder do adversário. Já Michael Schumacher então líder da corrida, aplica uma misericordiosa volta sobre Alain Prost.

Se poupando e poupando equipamento Ayrton Senna mantinha a sua McLaren em segundo lugar, pois ali ele alcançaria a liderança do campeonato e assim atrás de um apressado Michael que buscava abrir vantagem.

Schumacher vinha desempenhando um papel fabuloso a bordo da sua Benetton, porém, na 33ª volta o sistema hidráulico do seu então potente motor Ford sucumbiu, abrindo caminho para a McLaren de Ayrton Senna do qual assumia a liderança e não a largaria mais, como afirmou:

Ainda apertei o ritmo para evitar surpresas

Não perderia mais mesmo, abriu vantagem de 51s para Damon Hill, fez a sua troca de pneus, apertou o ritmo e contando com um incidente entre Hill e Berger na 70ª volta conseguiu abrir a vantagem de 57s, fazer o seu amigo “pero no mucho” Alain Prost de retardatário e assim Ayrton Senna teve o doce sabor de ultrapassar o francês duas vezes e cruzar a linha de chegada com a vitória que o consagraria como o Rei de Mônaco.

Em segundo chega Damon Hill seguido de Jean Alesi de Ferrari, belo pódio!

“Parabéns, Rei de Mônaco. Se meu pai fosse vivo, certamente viria cumprimentá-lo” disse o filho do destronado Graham Hill

Senna sai de Mônaco então líder do campeonato com 42 pontos seguido de perto por Alain Prost com 37 pontos.

“Mônaco sempre foi meu território. Desde a minha primeira temporada de Fórmula 1, com meu primeiro pódio naquela chuva tremenda” disse o já coroado Senna a TV Globo.

||| PONTOS FORA DA CURVA

Christian Fittipaldi pontou com a saudosa Minardi ao cruzar em quinto lugar, logo atrás de Alain Prost quarto colocado, destaque também para o aniversariante e vale a efeméride que nesta data Rubens Barrichello era o aniversariante do dia, ao final da corrida colocou a sua bela Jordan em 09º, o que hoje lhe renderia dois bons pontos, porém na época valeria um tapinha no ombro pelo bom trabalho desempenhado, no máximo.

Fontes:

Globoesporte.globo.com/Formula-1/corridas-historicas-o-dia-em-que-ayrton-senna-virou-o-rei-de-monaco

Ayrtonmito.blogspot.com.br/o-ultimo-ato-do-rei-gp-de-monaco-de-1993

GrandePremio.uol.com.br/ha-20-anos-senna-vencia-gp-de-monaco-pela-sexta-e-ultima-vez-e-destronava-graham-hill

Continental-circus.blogspot.com.br/gp-memria-monaco-1993

Ayrtonsenna.com.br/temporada-1993/grande-premio-de-monaco-1993

Flaviogomes.grandepremio.uol.com.br/Monaco-1993

GPs.gpexpert.com.br/gp-de-monaco-de-1993

Rubens Gomes Passos Netto

“Netto”, popularmente conhecido entre os imigrantes Guaxupeanos que tocam a zueira no pequeno município de São Paulo, gosta de comprar livros e outras bugigangas que orbitam o universo da Fórmula 1, já semeava a discórdia ao aceitar o rótulo de “nerd”, quando em terras tropicais, tal rotulo era algo, um tanto quanto pejorativo aos descendentes de primatas residentes nas regiões montanhosas produtoras de café, o que julgava ser maravilhoso, ainda mais sendo um apaixonado pela Fórmula 1, fã da McLaren por paixão e pela Ferrari por criação, já que nasceu em uma família descente de italianos produtores de café e não fabricantes de macarrão, na sua pacata opinião a melhor temporada foi a 2008, já que por um infortúnio reprodutivo de seus pais não conseguiu assistir a temporada de 1986, admira e muito o Emerson Fittipaldi, tem como o carro dos sonhos o McLaren MP4/4 e sonha em um dia ou noite pilotar em Spa e provar que as teorias que não levam a humanidade a lugar algum dos quais ele defende são mais úteis que um relógio digital, salvo se for para comer um pastel de camarão acompanhado de um chopp escuro.