21 de Janeiro, e o pior piloto da história – Dia 245 dos 365 dias mais importantes da história do automobilismo

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Afirmar qual é o pior piloto da F1 é uma tarefa difícil, tanto pela quantidade de postulantes ao título quanto pelo alto grau de subjetividade – como em todas as listas, cada um tem seus preferidos e ótimos motivos para defende-los.

Se diminuirmos um pouco a amostra e nos concentrarmos nos motoristas de domingo que surgiram depois da década de 70, podemos por exemplo citar Marco Apicella, que em 1993 percorreu exatos 800m no GP de Monza, até se envolver em um acidente e abandonar a F1 para sempre. Ou Bruno Giacomelli, que fez a volta mais lenta de todos os tempos na prova de 1990 em San Marino com sua Life, numa incrível velocidade média de 35 km/h. Ou, ainda, o austríaco Otto Stuppacher, que detém o recorde de classificação para o grid com a maior diferença da pole: em 1976, nos USA, enquanto James Hunt largava da frente com uma volta de 1:43.622 Otto conseguia completar o circuito em 2:11.070.

Mas nem só de recordes se faz um braço ruim, e pelo conjunto da obra qualquer um de nós poderia incluir Alex Yoong, Enrique Bernoldi, Gaston Mazzacane, Pastor Maldonado, o ídolo Andrea de Cesaris ou, que me desculpe o companheiro de BP e mestre Cristiano Seixas, Jolyon Palmer.

Somente um único nome pode ser considerado uma quase unanimidade, participando da imensa maioria das listas. Na minha, ele está em primeiríssimo lugar. O único e inigualável Yuji Ide.

Não é o “V” de vitória, é o número de voltas atrás do líder. Fonte: Derapate.it

Nascido em 21 de janeiro de 1975 em Saitama, na Grande Tóquio, Ide já começou na contramão dos grandes nomes, disputando suas primeiras provas de kart aos 15 anos com sucesso modesto (venceu alguns campeonatos regionais) antes de se mudar para os carros de Turismo. Permaneceu na sua ilha natal até 2002, quando tentou o campeonato francês de F3 e terminou em um apagado sétimo lugar. Voltou para o Japão e correu na Fórmula Nippon e na Super Endurance, mas era considerado um piloto medíocre.

Até que em 2006 o ex-piloto Aguri Suzuki resolveu entrar na máquina de transformar bilionários em milionários e criou a Super Aguri. Com a pretensão de ser um time totalmente japonês, apesar de usar um chassi velho da Arrows, seu Suzuki conseguiu motores Honda, pneus Bridgestone e o já experiente Takuma Sato para uma vaga. No cockpit restante ele instalou seu amigo Ide, que estrearia na categoria máxima na provecta idade de 31 anos.

Não, essa não era a cor do asfalto na década de 90. Fonte: GP Rejects

Sua estreia foi no Bahrain. Outro debutante naquela prova foi Nico Rosberg, que com sua Williams fez a volta mais rápida da prova. Ide não teve tanta competência: classificado em último lugar (largou a frente de Raikkonen que teve problemas mecânicos no Q1), fez um tempo quase sete segundos maior do que a pole de Schumacher, e pouco menos de três segundos a mais que seu companheiro de equipe. Na corrida, arrastou-se na última colocação até seu motor estourar na volta 35. O GP seguinte foi na Malásia, e novamente Yuji fez uma classificação maestral: 1:40.720, contra 1:35.488 do pole Fisichella. Sua corrida durou um pouco mais, 33 voltas, e desta vez foi o câmbio que o abandonou.

A prova seguinte marcaria a primeira e única vez que o samurai veria a bandeira quadriculada, mas isso não quer dizer que o GP da Austrália foi exatamente bom para o meia-roda nipônico; acusado de atrapalhar Rubens Barrichello no Q1 (o brasileiro teve que largar da 17ª posição do grid), Ide mais uma vez viu todo mundo à sua frente, ficando oito segundos atrás da pole de Jenson Button. Arrastando-se no fim da fila e ganhando apenas as posições dos que iam abandonando, Yuji Ide terminou a prova na 13ª posição, 3 voltas atrás do campeão e tendo sido ultrapassado inclusive por Sato, que ficou com a vice-lanterna naquele dia. Yuji rodou mais do que o pião da casa própria durante a prova, e o “detalhe” de não falar inglês direito dificultou muito o trabalho de seu engenheiro. O próprio chefe disse, após o GP, que ele precisaria melhorar a performance se quisesse continuar como titular.

Em muitos casos, é esse tipo de pressão do dono da equipe que desperta no piloto um desejo interior de fazer mais e dar o melhor de si. Yuji Ide não foi um destes muitos casos. No quarto GP da temporada, em Imola, ele obliterou o Midland de Christijan Albers, fazendo o holandês dar vários barrel rolls e terminar de cabeça para baixo. Ainda fizeram o favor de trocar a asa dianteira do kamikaze, mas sua suspensão só aguentou 22 voltas. Aguri Suzuki estava virado no Jiraiya e disse “ele não entende como o carro funciona”.

O Japão fica do outro lado do mundo, mas quem tá de cabeça pra baixo é o holandês. Fonte: SportsSina.com.cn

Menos de duas semanas depois, a Super Aguri anunciou que quem iria participar ao lado de Takuma no GP da Europa em Nürburgring seria o francês Franck Montagny, e que Ide assumiria o posto deste como piloto de testes da equipe. Mas a FIA considerou que o alucinado piloto era uma ameaça à categoria, e cassou sua Super Licença no dia 10 de maio de 2006. A carreira meteórica (em rapidez e capacidade de destruição) de Yuji Ide na Fórmula 1 tinha terminado não com uma explosão, mas com um suspiro.

Nosso herói voltou para casa e ainda participa dos campeonatos da Super GT com classificações finais ótimas, todas acima do décimo lugar.

FORA DAS PISTAS

Hoje se completam 107 anos do primeiro Rally de Monte Carlo, e o primeiro DeLorean DMC-12 foi lançado em 21/01/1981 (não há informações confiáveis sobre o capacitor de fluxo ser um item de série). Em 1976 foram abertas as primeiras rotas comerciais do Concorde, Londres-Bahrein e Paris-Rio.

Nasceram em 21 de janeiro a atriz Geena Davis (1956), que fez A Mosca, Beetlejuice e Thelma e Louise e o craque do Houston Rockets Hakeem Olajuwon (1963).

E foi neste dia, em 1966, que George Harrison casou com Patti Boyd, a quem ele conheceu no set de filmagem de “A Hard Day’s Night”. Paul McCartney foi o padrinho, mas o casamento não durou muito. Em meados da década de 70 George e Patti separaram-se, e a garota começou a namorar e acabou casando com um amigo de Harrison que havia se apaixonado por ela um bom tempo antes. Esse amigo fez até uma música para Patti, e essa foi a música que eu e a italiana escolhemos para sair da cerimônia do nosso próprio casamento. Fiquem então com Eric Clapton e Layla.

Carlos Eduardo Valesi

Velho demais para ter a pretensão de ser levado a sério, Valesi segue a Fórmula 1 desde 1987, mas sabe que isso não significa p* nenhuma pois desde meados da década de 90 vê as corridas acompanhado pelo seu amigo Jack Daniels. Ferrarista fanático, jura (embora não acredite) que isto não influencia na sua opinião de que Schumacher foi o melhor de todos, o que obviamente já o colocou em confusão. Encontrado facilmente no Setor A de Interlagos e na sua conta no Tweeter @cevalesi, mas não vai aceitar sua solicitação nas outras redes sociais porque também não é assim tão fácil. Paga no máximo 40 mangos numa foto do Button cometendo um crime.